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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cultos "animados" de megaigrejas se assemelham ao efeito das drogas para o cérebro



A sensação de euforia pode explicar
o sucesso das megaigrejas
Karl Marx sempre disse que a religião é o ópio do povo, mas sua afirmação era baseada na política, não em fatos científicos. Porém, um estudo divulgado pela Universidade de Washington sugere que participar de cultos em megaigrejas pode desencadear sentimentos de transcendência e gerar mudanças na química do cérebro. Esse sentimento de “euforia” espiritual faz os fieis voltarem para receber mais.

“Nós vemos essa experiência de pura alegria ser comum nas megaigrejas. Por isso digo que é como uma droga”, explica James Wellman, professor de religião e co-autor do estudo.

O estudo ‘God is like a drug’: Explaining Interaction Ritual Chains in American Megachurches” [Deus é como uma droga: Explicando cadeias de interação ritual em megaigrejas” foi apresentado na reunião anual da Associação Americana de Sociologia, em Denver. Além de Wellman, Katie E. Corcoran e Kate Stockly-Meyerdirk, estudantes da pós-graduação em sociologia e religião comparada na Universidade de Washington, estiveram envolvidos na pesquisa com dados coletados desde 2008.

Grandes reuniões de experiências compartilhadas, como shows e eventos esportivos também desencadeiam sentimentos de euforia, disse a doutoranda Katie Corcoran, co-autora da pesquisa. Segundo ela, “as igrejas parecem ser algo único, onde esses sentimentos não são apenas experimentados como euforia, mas sim como algo transcendente ou divino”.

Os autores teorizam que esse sentimento de “chapação” espiritual é interpretado pelo cérebro como um “coquetel de oxitocina”. Essa experiência transcendente libera a oxitocina, uma substância química que estimula a interação social. Já ficou comprovado que emoção e experiências em grupo aumentam os níveis de oxitocina.

Muitos participantes usaram a palavra “contagioso” para descrever o sentimento de participar de um desses cultos, onde os membros chegam com fome de experiências e acreditam sair do ambiente “energizados”. Um dos fieis entrevistados relata que “o amor de Deus se torna … uma droga que você não pode esperar para vir buscar depois… Você não pode esperar para se receber essa ‘dose’ que vem de Deus.” Outro disse: “Você pode olhar-se para cima e ver o Espírito Santo passar por cima da multidão como uma ‘ola’ em um jogo de futebol”, relata Corcoran.

As megaigrejas conseguem gerar esse estimulo elevado por causa de seu estilo de culto. Os pesquisadores acreditam que elas usam tecnologia e apelos emocionais para criar uma experiência compartilhada por congregações com milhares de pessoas em cada culto.

“A música moderna com letras otimistas, câmeras que mostram no telão uma audiência sempre sorridente, dançando, cantando, ou chorando, além de um líder extremamente carismático cujos sermões deixam as pessoas sensíveis ao toque do ponto de vista emocional… servem para criar essas fortes experiências emocionais positivas”, resume a doutoranda.

As funções de pastor como um “gerador de energia”, que se comunica com a congregação através de um sermão fácil, informal e emocional. Ao invés de ser analítico ou teológico, suas mensagens querem que as pessoas presentes apenas “sintam-se bem” ou compreendam tudo”, ressalta Wellman.

Esta mensagem reconfortante também é uma das chaves para o sucesso das megaigrejas. Afinal, “Como você pode atrair tanta gente? Você oferece uma forma genérica de cristianismo que é otimista, emocionante e inspirador.” Diz Wellman, que acrescenta: “Isto não é como os avivamentos antigos. É uma forma nova e híbrida de cristianismo, que é mutante e separada de todas as instituições tradicionais com as quais o cristianismo sempre se identificou”.
 
(Fonte: Gospel Prime)
 

Nota do blog Criacionismo: Se o culto provoca apenas euforia, amortece a razão e leva ao êxtase, fenômeno típico de igrejas pentecostais e neopentecostais. Nesse caso, por mais sincero que seja o adorador, ele deve se questionar se seu desejo de ir ao culto (e nessas igrejas há cultos praticamente todos dias, geralmente com “casa cheia”)tem que ver com a vontade de encontrar Deus, louvá-Lo e ouvir Sua Palavra ou se essa motivação está mais para satisfação de um desejo emocional, um “vício”. O verdadeiro culto, segundo o apóstolo Paulo, deve ser racional (Rm 12:1) e tudo o que se faz para Deus deve ser feito com decência e ordem (1Co 14:40). No culto, o adorador deve ser elevado à atmosfera do Céu, deve sentir contrição e desejo de renovação espiritual. Como resultado do perdão e da aceitação de Deus, o adorador manifesta um louvor alegre, porém reverente, pois sabe que está na presença do Criador do Universo. Isso é culto, o resto é show dopamínico.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte VIII)

Para ler a parte VII clique aqui, parte VI clique aqui, para a parte V, clicar aqui.

De acordo com Wesley, o significado da carne em Romanos 7 é “o homem todo tal como ele é por natureza”, (ou seja, à parte de Cristo), e incluindo ambas as coisas: “um poder motivador de inclinações más e apetites do corpo”. Pág. 114-115.

A essência do pecado original não é a luxúria mas “o orgulho, pelo qual roubamos a Deus seu direito inalienável à glória, a qual usurpamos idolatradamente”. “Os pecados da carne são os filhos, não os pais do orgulho; e o amor a si mesmo é a raiz, não o ramo, de todo o mal”. Pág. 115.

“Temos esta graça não somente de Cristo mas nEle, pois nossa perfeição não é como a de um arbusto, que floresce pela seiva que deriva de sua própria raiz, mas... como a de um ramo assim, ao manter-se unido à videira, produz fruto; mas se é separado dela, seca e murcha” [John Wesley, Works, pág. 395]. Pág. 115.

“O mais santo dos homens ainda precisa de Cristo como seu Profeta, “a luz do mundo.” Porque Ele não lhe dá luz senão de momento a momento; no instante em que Ele se retire, tudo se torna trevas. Eles necessitam ainda de Cristo como seu Rei, pois Deus lhes dá reservas de santidade. Mas, se não recebem uma provisão de santidade em cada instante ficará apenas impureza. Mais ainda, necessitam de Cristo como Sacerdote para fazer expiação pelas suas coisas. Mesmo a santidade perfeita só é aceitável a Deus por intermédio de Jesus Cristo” [Works, pág. 417; Explicação Clara da Perfeição Cristã, pág. 46]. Pág. 115.



O cristão perfeito é santo, não porque tem cumprido certa norma moral requerida, mas porque vive neste estado de companheirismo com Cristo. Pág. 116.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Defenda a fé cristã com razão e precisão (1)

Vivemos num mundo paradoxal. Ao mesmo tempo em que se prega o relativismo e a ausência de verdades absolutas (menos esta, é claro), os críticos do cristianismo vivem pedindo razões para se convencerem de que a Bíblia e a fé cristã são confiáveis. Você saberia apresentar bons argumentos racionais para defender sua fé, no espírito de 1 Pedro 3:15? O doutor em filosofia e teologia e debatedor cristão William Lane Craig dá nova contribuição no campo da apologética cristã, com seu livro recém-lançado em língua portuguesa Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Editora Vida Nova). A ideia é que o livro seja um verdadeiro manual para ajudar todos aqueles que desejam e/ou precisam dar a razão da fé que possuem, ao mesmo tempo em que, na mão dos céticos, pode colocá-los para pensar seriamente nas bases racionais do teísmo e do cristianismo. Escrito em linguagem simples, porém profunda, e recheado de exemplos da vida real (inclusive do próprio autor, convertido na juventude), Em Guarda é um convite à reflexão e à boa e necessária apologética – racional, serena e mansa, como recomenda o apóstolo Pedro.

Como fiz com o ótimo livro Ortodoxia, de Chesterton, publicarei aqui, de quando em quando, trechos da obra de Craig, a fim de estimulá-lo a buscar conhecimento útil para defender sua fé com razão e precisão (outros ótimos livros apologéticos podem ser encontrados nesta lista).

No capítulo 1 de Em Guarda, intitulado “O que é apologética?”, Craig afirma que, “ironicamente, quem tem bons argumentos na sustentação da sua fé se torna menos inclinado a bate-bocas e a sair frustrado da discussão” (p. 14), e que, “se você tem boas razões para aquilo em que crê, então, em vez de sentir raiva, sentirá uma compaixão genuína pelos perdidos, que em geral estão desorientados. A boa apologética envolve falar ‘a verdade em amor’ (Ef 4:15)” (p. 15).

Para Craig, a apologética é importante por três razões: (1) Para influenciar a cultura (“se os cristãos puderem ser treinados para fornecer sólidas evidências daquilo em que creem e boas respostas para as perguntas e objeções dos incrédulos, então a imagem que se tem dos cristãos vai pouco a pouco mudar. Os cristãos passarão a ser vistos como pessoas inteligentes e preparadas, a serem levadas a sério, e não meros fanáticos ou palhaços. E o evangelho será uma opção concreta para essas pessoas seguirem”). (2) Para fortalecer os que creem (“quando se está passando por um período difícil e Deus parece distante, a apologética pode ajudar a pessoa a se lembrar de que sua fé não está baseada em emoções, e que, portanto, é necessário permanecer firme na fé”). (3) Para ganhar os incrédulos.

Nesse primeiro capítulo, Craig fornece noções de lógica e afirma que se as regras básicas da lógica forem seguidas, elas garantem a você que, se os passos do seu argumento (premissas) forem verdadeiros, a conclusão também será.

Ele termina o capítulo assim: “Você não gostaria de ser capaz de defender sua fé com inteligência? Não gostaria de ter alguns argumentos na ponta da língua para apresentar a alguém que diga que os cristãos não têm bons motivos para crerem naquilo que professam? Já está cansado de se sentir intimidado por incrédulos? Se estiver, então leia este livro! Estou feliz por você tê-lo escolhido e recomendo que esteja sempre en garde, ou seja, pronto para dar a razão de sua esperança” (p. 30).

Aguarde minhas observações e citações do capítulo 2.

Michelson Borges no Blog Criacionismo

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus"

O matemático britânico John C. Lennox, da Universidade de Oxford, defende com argumentos sólidos a possibilidade de coexistência entre o conhecimento científico e a religião em "Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus". O objetivo do livro é fornecer um amparo fortemente embasado para os cientistas, ou qualquer leitor, que sintam necessidade de debater em favor de sua crença.
Para o autor, alguns ateístas têm um "fervor religioso" tão grande, que chegam a perseguir homens da ciência que possuem algum tipo de fé. Em casos extremos, diz, eles não conseguem nem aceitar que pessoas com uma crença possam ser inteligentes e construir conhecimentos com base na realidade.
Ao longo dos capítulos, o autor usa linguagem simples e citações de outros autores para mostrar que as descobertas feitas pelo homem não excluem a existência de um Deus. Lennox também expõe o que considera as fraquezas da ciência e revela que a maior parte das respostas que ela oferece são especulações teóricas que precisam da fé da comunidade científica para existir. Ele ainda ressalta momentos em que os acadêmicos precisaram se desmentir e até voltar atrás com suas afirmações.
Entre os temas discutidos estão o embate entre as cosmovisões, a organização da natureza e do universo, a complexidade da biosfera, a origem da vida e do código genético e a proximidade com a religião mantida por grandes cientistas como Francis Bacon, Galileu Galilei, Isaac Newton e Clerk Maxwell.
Leia trecho inicial do capítulo "Deus - Uma Hipótese Desnecessária?".
*
Deus - Uma Hipótese Desnecessária?
A ciência tem alcançado êxito impressionante na investigação do Universo físico e na elucidação de como ele funciona. A pesquisa científica também levou à erradicação de muitas doenças horríveis e nos deu esperanças de eliminar muitas outras. E a investigação científica alcançou outro efeito numa direção completamente diferente: ela serviu para libertar muita gente de medos supersticiosos. Por exemplo, ninguém precisa mais pensar que um eclipse da Lua é causado por algum demônio assustador, que necessita ser apaziguado. Por tudo isso e por inúmeras outras coisas devemos ser muito gratos.
Porém, em algumas áreas, o próprio sucesso da ciência tem também conduzido à ideia de que, por conseguirmos entender os mecanismos do Universo sem apelar para Deus, podemos concluir com segurança que nunca houve nenhum Deus que projetou e criou este Universo. Todavia, esse raciocínio segue uma falácia lógica comum, que podemos ilustrar como segue.
Tomemos um carro motorizado Ford. É concebível que alguém de uma parte remota do mundo que o visse pela primeira vez e nada soubesse sobre a engenharia moderna pudesse imaginar que existe um deus (o sr. Ford) dentro da máquina, fazendo-a funcionar. Essa pessoa também poderia imaginar que quando o motor funcionava suavemente o sr. Ford gostava dela, e quando ele se recusava a funcionar era porque o sr. Ford não gostava dela. É óbvio que, se em seguida a pessoa passasse a estudar engenharia e desmontasse o motor, ela descobriria que não existe nenhum sr. Ford dentro dele. Tampouco se exigiria muita inteligência da parte dela para ver que não é necessário introduzir o sr. Ford na explicação de funcionamento do motor. Sua compreensão dos princípios impessoais da combustão interna seria mais que suficiente para explicar como o motor funciona. Até aqui, tudo bem. Mas se a pessoa então decidisse que seu entendimento dos princípios do funcionamento do motor tornavam impossível sua crença na existência de um sr. Ford, que foi quem de fato projetou a máquina, isso seria evidentemente falso - na terminologia filosófica ela estaria cometendo um erro de categoria. Se nunca houvesse existido um sr. Ford para projetar os mecanismos, nenhum mecanismo existiria para que a pessoa entendesse.

(Folha Online)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O jornalismo oculto da Superinteressante

A revista Superinteressante do mês passado uniu na matéria de capa (mais uma vez) dois temas que vendem muito: vida de Jesus e mistério. Como já ocorreu em situações semelhantes nessa publicação, a matéria peca pela parcialidade das fontes: via de regra, a Super recorre a teólogos liberais e a arqueólogos agnósticos e/ou ateus. Na matéria “Os anos ocultos de Jesus”, a fonte principal é John Dominique Crossan, co-fundador do controverso Jesus Seminar. Logo de cara, Crossan, com o tom polêmico de sempre, “informa” aos repórteres da Super que “os autores de Mateus e Lucas [!], que se basearam em Marcos, parecem ter ficado constrangidos com a baixa formação de Jesus. E deram um jeito de melhorar a coisa. Mateus (13:55) diz que o pai de Jesus é que era tekton [“pedreiro”, não necessariamente “carpinteiro”, segundo a matéria]. E Lucas omitiu todo o versículo”. Assim, somos “informados” categoricamente pela revista sobre o “fato” de Jesus ter sido pedreiro e não carpinteiro, conforme a Bíblia. Bem, aí está o tom que perpassa a matéria.

A reportagem de um ângulo só também nos avisa de que Jesus teria sido discípulo de João Batista, muito embora reconheça que “os evangelhos não falam de João como mestre de Jesus”. E precisam? Pra que Bíblia, se temos a Superinteressante para nos dizer o que realmente aconteceu e nos ajudar a fazer a verdadeira interpretação dos ensinos escriturísticos?

Que evidências a revista apresenta para sustentar essa suposta relação discípulo-mestre entre Jesus e João? Ei-las: “Tal como João Batista, Jesus via o mundo dividido entre forças do bem e do mal. E anunciava que Deus logo interviria para acabar com o sofrimento e inaugurar uma era de bondade. Em suma: tanto um como o outro eram o que os pesquisadores chamam de ‘profetas apocalípticos’. E se os Evangelhos jogam tanta luz sobre João Batista (Lucas fala inclusive sobre o nascimento do profeta, assim como faz com Jesus), a possibilidade de que a relação deles tenha sido mais profunda é real.” Clique aqui para continuar a ler...
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