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sábado, 2 de novembro de 2013

EXISTE ESPERANÇA APÓS A MORTE?


            Em sua primeira epístola aos crentes de Tessalônica, Paulo procurou instruí-los sobre o verdadeiro estado dos mortos. Falou dos que morrem como estando dormindo - em estado de inconsciência: "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com Ele. … (na ressurreição)
            Ao ser a epístola de Paulo aberta e lida, grande alegria e consolação foi levada à igreja pelas palavras que revelavam o verdadeiro estado dos mortos. Paulo mostrava que os que estivessem vivos quando Cristo voltasse não iriam ao encontro do seu Senhor precedendo aos que tinham sido postos a dormir em Jesus. AA 257-258.
FELIZES OS QUE MORREM NO SENHOR
           João exclama: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. E ouvi uma voz do Céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam.” Apocalipse 14:12 e 13.
            Quão apropriadas são as palavras de João no caso destes queridos que dormem em Jesus! O Senhor os amava, e as palavras por eles proferidas quando em vida, os trabalhos de amor que hão de ser lembrados, serão repetidos por outros. Sua fervorosa sinceridade na causa de Deus, deixa um exemplo a ser seguido por outros, pois o Espírito Santo neles operou tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade. II ME 269.
O VERDADEIRO ESTADO DOS MORTOS
Aos hebreus era expressamente proibido empenhar-se, sob qualquer forma, em pretensa comunicação com os mortos. Deus fechou eficazmente esta porta quando disse: “mas os mortos não sabem coisa nenhuma... o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram; já não têm parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol... tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças; pois na sepultura, para onde vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” Eclesiastes 9:5-6 e 10 (João Ferreira de Almeida - Edição Contemporânea). “Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se para terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.” Salmos 146:4. PP 685.
FEITIÇARIA ANTIGA E MODERNA
Quase todas as formas da antiga feitiçaria e encantamentos baseavam-se na crença da comunicação com os mortos. Aqueles que praticavam as artes da necromancia pretendiam ter relações com os espíritos dos mortos, e obter por meio deles conhecimento de acontecimentos futuros. A este costume de consultar os mortos se faz referência na profecia de Isaías: “Quando vos disserem: Consultai os médiuns e os feiticeiros,  que chilreiam e murmuram; - respondei: não recorrerá um povo ao seu Deus? acaso a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?” Isaías. 8:19.                                                                                                                                             
A crença na comunicação com os mortos é ainda mantida, mesmo nos países professos cristãos. Sob o nome de Espiritismo, a prática de comunicar-se com os seres que pretendem ser os espíritos dos mortos, tem-se espalhado largamente. É ela calculada a ganhar as simpatias daqueles que depuseram seus queridos na sepultura. Seres espirituais algumas vezes aparecem a pessoas sob a forma de seus amigos falecidos, e relatam incidentes ligados com sua vida, e efetuam atos que realizavam quando vivos. Deste modo levam os homens a crerem que seus amigos mortos são anjos que pairam sobre eles, e com eles se comunicam. PP 684.
O relato escriturístico da visita de Saul à mulher de En-Dor, tem sido uma fonte de perplexidade a muitos estudiosos da Bíblia. Há alguns que assumem a posição de que Samuel estava efetivamente presente na entrevista com Saul; mas a própria Bíblia oferece base suficiente para uma conclusão contrária. Se, como alguns pretendem, Samuel estava no Céu, ele deveria ter sido chamado dali, ou pelo poder de Deus, ou pelo de Satanás. Ninguém poderá crer por um momento sequer que Satanás tivesse poder para chamar do Céu o santo profeta de Deus para honrar os enganos de uma mulher perdida. Tampouco podemos concluir que Deus o chamasse à caverna da feiticeira; pois o Senhor já Se havia recusado a comunicar-Se com Saul, por meio de sonhos, por Urim, ou por profetas. I Samuel 28:6. Tais eram os meios indicados por Deus para a comunicação, e Ele os não preteriria para transmitir a mensagem pela operação de Satanás.
A ORIGEM DESTA MENSAGEM
A própria mensagem traz prova suficiente de sua origem. Seu objetivo não foi levar Saul ao arrependimento, mas impeli-lo à ruína; e isto não é a obra de Deus, mas a de Satanás. Ademais, o ato de Saul ao consultar uma pitonisa é citado nas Escrituras como um motivo por que ele foi rejeitado por Deus e abandonado à destruição: “Morreu Saul por causa da sua transgressão com que transgrediu contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar. E não buscou ao Senhor, pelo que o matou, e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé.” I Crônicas 10:13 e 14. Aqui declara-se distintamente que Saul consultou o espírito de adivinhação, e não ao Senhor. Ele não se comunicou com Samuel, o profeta de Deus; mas, mediante a feiticeira, entreteve comunicação com Satanás. Este não podia apresentar o verdadeiro Samuel, mas apresentou um falsificado, que serviu ao seu objetivo de enganar. PP 683.
Muitos há contudo, que consideram o espiritismo como um simples engano. As manifestações pelas quais ele apóia suas pretensões a um caráter sobrenatural, são atribuídas à fraude por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da velhacaria tenham sido muitas vezes apresentados como manifestações genuínas, tem havido também provas notáveis de poder sobrenatural. E muitos que rejeitam o espiritismo como resultado da esperteza ou astúcia humana, quando defrontados com manifestações que não possam explicar sob este ponto de vista, serão levados a reconhecer suas pretensões.                                      
O espiritismo moderno, e as formas da antiga feitiçaria e adoração de ídolos - tendo todos a comunicação com os mortos como seu princípio vital - fundam-se naquela primeira mentira pela qual Satanás seduziu Eva no Éden: “Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes... sereis como Deus.” Gên. 3:4 e 5. Baseados na falsidade e perpetuando esta, são semelhantemente oriundos do pai da mentira. PP 685.
COMO É DECIDIDO NOSSO DESTINO
Na parábola do rico e Lázaro, Cristo mostra que nesta vida os homens decidem seu destino eterno. Durante o tempo da graça de Deus, esta é oferecida a toda a humanidade. Mas, se os homens desperdiçam as oportunidades na satisfação própria, afastam-se da vida eterna. Não lhes será concedida nova oportunidade. Por sua própria escolha cavaram entre eles e Deus um abismo intransponível...                                                                                                            
 “E morreu também o rico e foi sepultado. E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.” Lucas 16:22-24.
  Nesta parábola Cristo Se acercava do povo no próprio terreno deles. A doutrina de um estado consciente de existência entre a morte e a ressurreição era mantida por muitos dos que ouviam as palavras de Cristo. O Salvador lhes conhecia as idéias e compôs Sua parábola de modo a inculcar verdades importantes em lugar dessas opiniões preconcebidas. Apresentou aos ouvintes um espelho em que se pudessem ver em sua verdadeira relação para com Deus. Usou a opinião predominante para exprimir a idéia de que desejava todos ficassem imbuídos, isto é, que nenhum homem é apreciado por suas posses; porque tudo que lhe pertence é unicamente emprestado por Deus. O mau emprego destas dádivas colocá-lo-á abaixo dos mais pobres e afligidos que amam a Deus, e nEle confiam.
A IMPOSSIBILIDADE DE SALVAR-SE DEPOIS

               Cristo desejava que Seus ouvintes compreendessem a impossibilidade do homem assegurar a salvação da alma depois da morte. Abraão é apresentado como a responder: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá.” Lucas 16:25 e 26. Deste modo Cristo mostra a completa falta de esperança em aguardar uma segunda oportunidade. Esta vida é o único tempo dado ao homem para preparar se para a eternidade...
                                                    
              O rico passara a vida em complacência própria, e demasiado tarde viu que não fizera provisão para a eternidade. Reconheceu sua loucura, e pensou nos irmãos que como ele procederiam, vivendo para se comprazerem. Suplicou, então: “Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes [Lázaro] à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham para este lugar de tormento.” Mas “disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.” Lucas 16:27-31.   Quando o rico solicitava evidência adicional para seus irmãos foi-lhe dito claramente que mesmo que esta evidência fosse dada, não seriam persuadidos. Seu pedido lançava uma injúria a Deus. Era como se o rico dissesse: Se me tivesses advertido mais cabalmente, eu não estaria aqui agora. Por sua resposta, Abraão é apresentado como a dizer: Teus irmãos têm sido suficientemente advertidos. Foi-lhes dada luz, porém não quiseram ver; foi-lhes apresentada a verdade, porém não quiseram ouvir. “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.” Lucas 16:31. Essas palavras demonstraram-se verdadeiras na história da nação judaica. O último e mais importante milagre de Cristo foi a ressurreição de Lázaro de Betânia, após estar morto quatro dias. Aos judeus foi concedida esta maravilhosa demonstração da divindade do Salvador, mas rejeitaram-na. Lázaro ressurgiu dentre os mortos e apresentou-lhes seu testemunho, porém eles empederniram o coração contra toda evidência, e até tentavam tirar-lhe a vida. João 12:9-11.                                                             
A lei e os profetas são os meios designados por Deus para a salvação dos homens. Cristo disse: Atentem para estas evidências. Se não ouvem a voz de Deus em Sua Palavra, o testemunho de alguém que se levantasse dentre os mortos não seria atendido.
                                                                                                                   
A conversação entre Abraão e o homem outrora rico é figurativa. A lição a ser tirada dela é que a todo homem é dada suficiente luz para o desempenho dos deveres dele exigidos. As responsabilidades do homem são proporcionais às suas oportunidades e privilégios. Deus outorga a todos luz e graça suficientes para executar a obra que lhes deu para fazer. PJ 360-365.
Caro leitor, não se preocupe com os que dormem, pois já selaram seu destino. Escolha hoje a quem você quer servir. Nosso desejo é que seja o Senhor Deus Jeová. Amém.
Editado pela Associação Geral do: Movimento Adventista dos Naturistas do Sétimo Dia.
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             www.movimentoadventista.com.br

terça-feira, 30 de abril de 2013

A Psicologia dos Mártires

Como entender a mente de um mártir? O que faz alguém manter a fé pela qual é torturado?

“Mártir”(do grego martys, “testemunha”) é alguém que é morto por causa de sua fé, pelo simples fato de professá-la. A princípio, o termo era aplicado aos cristãos que sofriam torturas ou a morte por sustentar suas crenças. No entanto, com o passar do tempo, a palavra incorporou outros conceitos. Morrer pela pátria, pela liberdade, pela independência, pela autonomia de um povo, por um ideal social ou político, ou até mesmo em uma guerra são ideias que passaram a fazer parte do significado da palavra mártir. Neste artigo, falaremos sobre os mártires cristãos.

Torturas e tormentos –Quando pensamos nos mártires do cristianismo, quase sempre nossa mente se reporta ao Coliseu, aos cristãos sendo lançados às feras ou às fogueiras nas quais eram queimados vivos. Embora essas fossem formas frequentes de martírio, não eram as únicas. Na verdade, quando estudamos as torturas infligidas aos cristãos ao longo da História, é difícil acreditar e entender como o ser humano é capaz de chegar a tal ponto de frieza e crueldade. A fim de se ter uma pálida ideia do que implicava alguém tornar-se um mártir, estão relacionadas a seguir algumas das formas de suplício aplicadas aos cristãos.

Cruzes, estacas e suspensão. À semelhança de Cristo, a pessoa era pregada ou amarrada a uma cruz ou estaca. Para intensificar o sofrimento, as posições variavam: de cabeça para cima ou para baixo; pendurados pelos braços ou pés, com ou sem pesos ou pedras amarrados; e pelos cabelos, no caso das mulheres. Em algumas ocasiões, o mártir era coberto com mel e então suspenso numa estaca ou poste para ser atormentado por moscas e abelhas ao sol, quando não, posto na terra nessa mesma condição, a fim de ser mordido por formigas.

Rodas.Eram variadas. Em alguns casos, o mártir era amarrado a uma grande roda em formato cilíndrico, que era solta a certa altura sobre terreno pedregoso. Outras vezes, eram amarrados a uma roda estreita que girava sobre uma plataforma cravejada com pontas de ferro, de modo que o mártir era mutilado à medida que a roda girava.

Estiramento e esmagamento.O indivíduo era preso pelos braços a uma estaca e pelos pés a uma talha (uma máquina simples baseada num sistema de roldanas, acionada manualmente). Ao passo que a talha era acionada, o corpo era esticado a ponto de deslocar os ossos. Também utilizando uma talha, ou pedra enorme, alguns iam sendo esmagados aos poucos.

Uso do fogo.Os torturadores eram pródigos no uso do fogo. Em um dos tipos de tortura, o mártir era lançado de cabeça em um caldeirão cheio de chumbo fundido ou óleo fervente. Alguns eram literalmente fritos em panelas ou chapas aquecidas, adaptadas ao seu tamanho. Havia também o chamado touro de bronze, que consistia numa escultura oca, em cujo interior (semelhante a um forno) o condenado era posto para morrer assado, após serem acesas as chamas na parte inferior do animal. Segundo a tradição, Antipas, mencionado em Apocalipse 2:13, foi martirizado assim.

Esfolamento.Sem dúvida, uma das mais cruéis formas de tortura. Nesse caso, o mártir era amarrado e esfolado (tinha sua pele retirada) vivo. A tradição conta que o apóstolo Bartolomeu foi submetido a essa forma de suplício.

Outros tipos de tortura. Faltaria espaço para descrever cada tipo de tortura, método ou os instrumentos fabricados para esse fim contra os cristãos na Antiguidade e no período da Idade Média. É horrendo observar a inteligência e criatividade humanas para o mal, mesmo numa época de profundo atraso intelectual. Outras formas de martírio eram: afogamento (o mártir era preso em uma caixa de chumbo e atirado aos rios), perfurações (prendia-se o indivíduo e perfurava-o com lanças, espadas, estacas pontiagudas, punhais, etc.), amputação (os membros eram amputados um a um, com auxílio de machados, lâminas ou serras), espancamento, apedrejamento, uso de espinhos e farpas sob as unhas, entre outras.

Fato curioso – Os relatos de martírio de cristãos revelam algo intrigante. Boa parte dos que eram torturados e assassinados por sua fé passava seus últimos momentos cantando, louvando a Deus ou orando. Em alguns casos, enquanto morriam, encorajavam os que assistiam a cena a serem fiéis a Deus, fazendo do local de martírio uma espécie de púlpito.

A psicologia dos mártires – Como entender a mente de um mártir? O que faz um ser humano, diante das mais cruéis torturas, manter firmes suas crenças? Qual o segredo pelo qual pessoas frágeis – mulheres, idosos, pobres sem expressão –eram capazes de se colocar diante de reis e imperadores, juízes e autoridades com ousadia invejável? Que força era aquela que, no calor da fogueira, sentindo as chamas a carbonizar seu corpo, era capaz de entoar as mais belas canções de louvor? Qual a psicologia de um mártir? Se pudéssemos entrar em sua mente e examinar as profundezas de seu coração, o que encontraríamos? Qual a razão de tanta coragem e força sobre-humanas. Qual a mola propulsora que impeliu milhares de cristãos, ao longo dos séculos, a trilhar um caminho de lágrimas, sangue e morte?


Faz parte do mecanismo natural de defesa da maioria dos seres vivos recuar diante do sofrimento. Desde muito cedo, aprendemos, na prática, o que isso significa. Qualquer criança que insista em “cutucar” os bolos feitos por sua mãe, mais cedo ou mais tarde, vai se deparar com a realidade de que o fogo, ou o calor, queima. A primeira reação natural diante da sensação de queimadura é retirar imediatamente o dedo, afinal, ninguém quer ser queimado.

Fugir de situações que ofereçam risco à integridade física não é necessariamente um ato de covardia; faz parte do instinto de sobrevivência. Deus nos dotou desse instinto a fim de sobrevivermos neste mundo hostil e perigoso, após o pecado.

Contudo, o que impressiona é que o caso dos mártires contradiz a lógica da biologia. Em lugar de recuar diante do sofrimento, eles iam ao seu encontro. Em lugar de fugir, se submetiam, mesmo diante da possibilidade de evitar o martírio. Como entender?

Ao se analisar a história dos mártires cristãos, as declarações de alguns deles momentos antes de morrer e os relatos de testemunhas oculares, nota-se que sua consciência era bem clara com relação a algumas questões existenciais.

Senso de identidade(“Quem eu sou?”). Os que morriam por sua fé tinham convicção de quem eles eram. Tinham certeza de sua filiação – eram filhos de Deus (Jo 1:12) –, bem como de sua cidadania – sua verdadeira pátria era o Céu (Fp 3:20).

Senso de origem(“De onde vim?”). Os mártires criam que eram fruto da criação de Deus. Estavam cientes de estar devolvendo-Lhe, em louvor, a vida que dEle receberam. Não eram os algozes cruéis os donos de sua existência, mas o Deus Criador.

Senso de propósito ou missão (“Por que estou neste mundo?”). Os cristãos sabem –ou deveriam saber – que não estão neste mundo simplesmente por estar; há um propósito, uma missão: ser testemunhas de Deus e conduzir outros a Ele. Esse senso de missão gerava nos mártires um forte sentimento de dever, a ponto de, se preciso fosse, depor a vida no seu cumprimento.

Senso de destino(“Para onde vou?”). Ao contrário dos gregos, que acreditavam que a História vai e volta num movimento cíclico, como uma eterna roda gigante, judeus e cristãos sempre acreditaram que o tempo é linear. Isso significa que viemos de algum ponto no tempo e caminhamos rumo a outro ponto. A História, na visão judaico-cristã, também é climática, o que quer dizer que chegará a um clímax, a um ponto culminante. De acordo com a Bíblia, o ponto culminante da História é o momento em que Cristo voltará à Terra para colocar fim ao reinado do mal e estabelecer Seu governo eterno. Nesse paraíso tomarão parte os que permanecerem fiéis. Saber disso dava aos mártires o conforto necessário para abrir mão do que fosse preciso no presente, visando ao futuro.

Conhecer os assuntos nos quais se concentravam, ou seja, o foco de seus pensamentos, também nos ajuda e entender o que se passava na mente dos mártires.

Foco na eternidade.Os mártires cristãos tinham consciência de que sua vida neste mundo, por maior que fosse a duração ou o sofrimento, jamais poderia ser comparada à eternidade. Ao morrer por sua fé, sabiam que estavam trocando o finito pelo ilimitado, o escasso pelo incalculável.

Foco na recompensa.Embora os cristãos sinceros não O sirvam por interesse, Deus promete recompensas aos fiéis. A maior delas, sem dúvida, é a vida eterna num mundo perfeito. Manter o foco nessa recompensa ajudava os mártires a transferir seu olhar das chamas que os consumiam e das feras que os dilaceravam para a glória do mundo por vir e suas alegrias.

Foco em Deus.A comunhão com Deus era o segredo fundamental por trás da resistência e perseverança dos mártires do passado. Os que morriam por amor a Cristo O conheciam, pois mantinham com Ele um relacionamento pessoal e diário. Orar, memorizar textos bíblicos e cantar hinos de louvor a Deus era parte da rotina dos antigos cristãos. Essa intimidade com o Eterno fazia com que não hesitassem em entregar a vida. Viver ou morrer para a glória de Deus era sua aspiração.

Fator ressurreição –Além dos elementos subjetivos mencionados acima, é importante destacar que a coragem dos mártires também era baseada em um fato histórico: a ressurreição de Jesus. Por que pessoas sofreriam, voluntariamente, execuções horríveis, quando podiam evitá-las, simplesmente renunciando sua fé? A única resposta plausível –especialmente no caso dos apóstolos e dos cristãos do primeiro século – é que essas pessoas tinham absoluta convicção de que Cristo realmente havia morrido e ressuscitado dentre os mortos, comprovando assim ser o Filho de Deus.

Essa evidência se torna ainda mais contundente quando consideramos o fato de que aqueles discípulos não obteriam nenhuma vantagem em sustentar seu testemunho, caso fosse mentira. Muito pelo contrário, o resultado de manterem sua confissão seria– como foi – perseguição e morte. A certeza da ressurreição de Cristo foi, senão a principal, uma das maiores motivações do martírio cristão.

A ação do sobrenatural–Sem a atuação do Espírito Santo, convicção alguma seria capaz de suportar tamanho sofrimento até o fim diante da possibilidade de renúncia. Em última análise, é Deus, através de Seu Espírito, quem fortalece o mártir. De acordo com Jesus, é Ele quem põe as palavras certas nos lábios dos que são levados a depor diante das autoridades (Mt 10:19,20). O mesmo Deus os reveste da força necessária para enfrentar o julgamento, a tortura e, por fim, a morte (2Tm 4:17). Assim, a razão maior da força e coragem dos mártires vinha do Céu.

Por que Deus permitiu?–Talvez você já tenha feito essa pergunta, ao ouvir a história dos mártires do cristianismo. Mas, para dar uma resposta satisfatória a essa questão, precisaríamos abordar o tema da origem do mal, do grande conflito e do porquê do sofrimento, e esse não é o propósito deste artigo. O que podemos dizer aqui é que a morte daqueles heróis da fé faz parte de um enredo muito mais amplo do que nossa mente é capaz de entender. Aspectos como a soberania de Deus e o caráter e fidelidade dos próprios mártires eram pontos que estavam em jogo. Além disso, é incontestável o fato de que o testemunho de fé dessas pessoas contribuiu decisivamente para a salvação e encorajamento de milhares de outros cristãos através dos séculos, bem como daqueles que tiveram que enfrentar situações semelhantes na defesa da verdade.

Qual a diferença? –A definição de mártir, como vimos, não se aplica unicamente aos cristãos que sacrificavam a vida defendendo sua fé, mas também àqueles que morrem por ideais patrióticos, políticos ou sociais. Há quem classifique como mártires também aqueles que morrem na chamada “guerra santa”, extremistas religiosos que, geralmente, recorrem ao suicídio como tática de combate.

Afinal de contas, qual a diferença entre os mártires cristãos e Tiradentes (chamado mártir da Inconfidência Mineira), por exemplo, ou os homens-bomba?

A diferença básica, em minha opinião, está na cosmovisão. “Cosmovisão” é um termo utilizado no campo da Filosofia para se referir ao “quadro de ideias e crenças pelas quais um indivíduo interpreta o mundo e interage com ele”. De maneira simples, cosmovisão são os óculos através dos quais cada um enxerga a vida, ou o mundo ao seu redor.

A cosmovisão de um mártir cristão era radicalmente oposta à visão de mundo dos outros“mártires”. Conforme já falamos, os cristãos tinham em mente, bem claras, as principais questões que dizem respeito à existência (“Quem sou?”, “De onde vim”, “Por que estou neste mundo?” e “Para onde vou?”). A resposta a essas perguntas conferia a eles uma visão completamente abrangente da vida e da realidade. Além disso, os três focos mencionados (foco na eternidade, foco na recompensa e foco em Deus – principalmente o último) faziam com que os mártires cristãos tivessem uma motivação muito mais ampla do que os demais.

A decisão daquelas pessoas, de render a vida em lugar de renunciar a fé, longe de ser um ato movido por paixão ou fanatismo (como no caso de terroristas suicidas), era algo racional. Havia lucidez na atitude delas, sua consciência era clara e sua razão, sadia. Em lugar de manter uma religiosidade doentia e extremista, tinham plena acuidade mental para pesar as consequências de sua decisão.

Enquanto os mártires do fanatismo religioso defendem a luta, a guerra, os mártires cristãos eram partidários da paz e da não reação. Ao passo que aqueles promovem o assassínio em massa, estes defendiam o valor da vida humana (os cristãos não procuravam a morte, apenas não fugiam dela).

Outra diferença fundamental diz respeito ao incentivo. Os extremistas dão uma ênfase exagerada à recompensa (um paraíso com virgens à sua disposição, etc.), enquanto o estímulo principal no coração dos mártires cristãos era o amor – amor a Deus e a Sua Palavra.

No caso daqueles que se tornam mártires em função de sua luta por bons ideais –políticos, patrióticos ou sociais –, embora seu propósito e intenção sejam nobres, sua cosmovisão é estreita, limitada, já que lutam por aspectos bastante particulares da vida humana. Embora seus esforços sejam louváveis e devamos muito a eles, seu resultado é apenas para esta vida. Seus olhos não alcançam o horizonte da eternidade. Os cristãos, porém, sabem que sua luta ultrapassa as fronteiras do tempo e do espaço e tem implicações eternas e cósmicas. Homens, anjos, demônios e todo o Universo eram testemunhas de seu martírio; e as decisões tomadas ali poderiam ser decisivas para toda a eternidade.

O legado dos mártires –De tudo o que podiam deixar como herança, o maior legado dos mártires foi seu exemplo. Exemplo de fé, coragem, amor e fidelidade a Deus. Foram espetáculo ao mundo, mantiveram sua confissão, derramaram o sangue pela Causa e foram heróis. Heróis que, sem espada, conquistaram reinos; conquistaram o medo, conquistaram a si mesmos, conquistaram o mundo e, acima de tudo, a eternidade. Seus nomes, na maioria, permanecem no anonimato entre os homens, mas no Céu, com certeza, estão na galeria dos grandes vencedores de todos os tempos.

Nossa parte –Por fim, a pergunta mais importante é: E nós? Teríamos a mesma coragem que eles? Se nos confrontássemos com o calibre de um revólver e o dilema de permanecer fiéis a Cristo e morrer ou negá-Lo e viver, qual seria nossa decisão? Se você titubeou em sua resposta, é hora de rever sua vida cristã. Qual tem sido sua real motivação para servir a Cristo? Qual o grau de intimidade que julga ter com Ele? Onde está seu foco? Estão claras em sua mente as quatro questões existenciais (“Quem sou?”, “De onde vim”, “Por que estou neste mundo?”e “Para onde vou?”)? É seu sincero desejo honrar a Deus, quer pela vida ou pela morte? Pense nisso, e que Deus o ajude em sua decisão!

(Fonte: Blog Criacionismo, Autor: Eduardo Rueda - editor associado de livros na Casa Publicadora Brasileira)

Bibliografia:

A. J. O’Reilly, Os Mártires do Coliseu (Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2005).
Bíblia Edição de Promessas (São Paulo: Editora King’s Cross).
David Noel Freedman, The Anchor Yale Bible Dictionary (New York: Doubleday, 1996), “martyr, martyrdom”.
Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira).
John Fox, O Livro dos Mártires (São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2003).
Lourival P. Baçan, Torturas e Tormentos dos Mártires Cristãos (e-book).
Ralph O. Muncaster, Examine as Evidências(Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2011).
Site. Acesso em: 4 set. 2012.
Thieleman J. van Bracht, O Espelho dos Mártires(Rio Verde: Publicadora Menonita, 2009).

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Que é Paz?


O Que é Paz?



Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita.



Foram muitos os artistas que tentaram. As mais exuberantes paisagens foram pintadas. Lugares que retratavam lagos, montanhas exuberantes, o mar sereno e calmo, enfim, tudo que é tipo de pintura paisagista. A todas elas o rei observou e ficou admirado com a paz que as mesmas expressavam.



Porém, a escolhida pelo rei foi uma pintura onde haviam montanhas que acabavam em imensos abismos, completamente despidas de qualquer espécie de vegetação. Sobre elas havia imensas e pesadas nuvens que estavam provocando diversos relâmpagos em meio à tempestade. E do abismo caía uma enorme cachoeira que acabava em uma imensa e espumosa torrente de água. Incrível!



Todos os demais artistas não conseguiam compreender porque o rei havia escolhido um local tão inóspito e nada pacífico para expressar a paz perfeita que tanto desejava encontrar. Foi quando o rei explicou:



- Se vocês observarem bem, atrás da cachoeira há um arbusto que está crescendo por meio de uma fenda na rocha. Neste arbusto há um ninho de passarinho que estava habitado. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava uma pequena e simples mamãe passarinho calmamente sentada no seu ninho, cuidando dos seus filhotes.



- Paz não significa estar num lugar sem barulho, sem problemas, sem trabalho árduo, sem dor, sem sofrimento. Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, podemos permanecer calmos em nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A máquina do tempo

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, e eternamente.” Hebreus 13:8

O tempo nunca foi um problema para a soberania de Deus. “Aquele que é, que era e que há de vir” (Ap 1:8) impera sobre as categorias temporais, tendo o poder de alterar o passado, interferir no presente e revelar o futuro. Aliás, o primeiro elemento da criação a ser considerado santo foi justamente o tempo, quando o Criador separou o sétimo dia de forma especial (Gn 2:3). Assim, o Senhor é um Ser atemporal; Ele está acima de qualquer cronologia, pois Se intitula o “Pai da eternidade” (Is 9:6).

Viajar no tempo sempre foi um sonho acalentado, se não por todos, pelo menos pelos cientistas mais ousados em suas teorias e pesquisas. A literatura e os filmes de ficção (tal como “A Máquina do Tempo”, do escritor inglês H. G. Wells) revelam o desejo humano de controlar o “deus” tempo, seja retornando ao passado ou se projetando para o futuro. A realidade, porém, é que tal empreendimento constitui especulação, possível somente do ponto de vista teórico. Mas quem não gostaria de “viajar no tempo”? Deus nos garante essa possibilidade espiritual por meio de Jesus - o “Portal” que somos convidados a atravessar (ver João 10:9).

Quando “atravessamos” Jesus, a primeira alteração diz respeito ao nosso passado. Cristo vai conosco ao mais longínquo instante de nossa vida, até mesmo à “pré-história” da existência, para visitar todos os nossos momentos – na maioria, escuros e tristes. Mas, como Senhor do tempo, Ele altera o que ficou para trás e cancela por Sua autoridade salvífica o efeito danoso de um passado pecador. Isso se chama perdão ou justificação (ver Mq 7:19, 20).

Trazendo-nos de volta ao presente, Jesus concede aos que viajam com Ele um novo viver, no qual cada segundo é experimentado como se o ser humano estivesse continuamente na presença de Deus. Vive-se em novidade de vida (ver 2Co. 5:17). Isso é santificação.

Enfim, promete-se aos “viajantes do tempo” um vislumbre do glorioso futuro (Dn 2:22, 28), em que a expectativa profética e o sonho dos filhos de Deus darão lugar à realidade do prometido Reino, culminando na glorificação.

Somos temporais, somos mortais; contudo, para a pessoa que escolhe viajar com Jesus, o presente significa o começo da eternidade. Sendo assim, o tempo não mais amedronta; é apenas um lapso que cederá lugar ao dia eterno. Entre na “máquina do tempo” para uma viagem com o Senhor da sua história. NEle, tudo se renova no kairós – o tempo de Deus.

(No Blog Criacionismo: Frank de Souza Mangabeira)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vida após o parto

No ventre de uma mulher grávida, dois gêmeos dialogam:

– Você acredita em vida após o parto?

– Claro! Deve haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

– Bobagem, não há vida após o nascimento! Afinal, como seria essa vida?

– Não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que há aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comamos com a nossa boca.

– Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido, pois o cordão umbilical é muito curto.

– Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

– Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E, afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

– Bem, não sei exatamente como será depois do nascimento, mas, com certeza, veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

– Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde está?

– Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.

– Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.

– Bem, mas, às vezes, quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Penso que após o parto a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela.

(Autor desconhecido, no Blog Criacionismo)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ilustrações Sobre Redenção

Apesar de não podermos ser puros como Jesus desde o nascimento, sendo um “Ente Santo” (Lucas 1:35), Ele nos dá uma segunda chance, o chamado - novo nascimento – ele quer dizer a nós o mesmo que disse aquela mulher adúltera (um caso aparentemente sem solução): “Vai e não peques mais” João 8:11 u.p.
Há uma ilustração para este caso, muito fácil de entender: vamos imaginar uma pessoa que está com sua vida um fracasso, uma desilusão; ela, por más influências, começa a piorar na sua vida moral, e não consegue ficar na casa de seus pais; pois não conseguiria cometer certos pecados com seu pai por perto, estando sem seu pai, vai se afundando de pecados, e vai aumentando a desilusão da vida. Todavia, não se lembra de seus pais (diferentemente do que acontece com o filho pródigo), apesar de O Espírito Santo estar tentando lembrá-la do mal que fez de ter deixado a casa de seus pais.
Mas o seu pai amoroso a acha e a traz para casa. Apesar de tudo o que ela fez, ele cuida como ela tivesse morrido algum tempo atrás e agora tenha ressuscitado (Lucas 15:24).
Poderia terminar a história aqui, mas é bem verdade que ela caiu, e voltou ao mundo, seu pai a buscou de novo e de novo, mas ela sempre voltava, até que experimentou uma conversão quando ela passou perto da morte. O seu pai a trouxe do fundo do poço, e ela não entendia a bondade de seu pai e perguntou: por quê? Por que você não vai me condenar? Seu pai apenas responde: só peço que não volte mais.
Este é o mistério da piedade de nosso Salvador, ele é bondoso, piedoso, amoroso, Ele é o Campeão de Amor.  Também aprendemos pelas escrituras que mesmo com o novo nascimento (João 3:7) podemos cair (I Coríntios 10:12; I João 2:1); mas se não deixarmos de nos apegarmos em Cristo podemos ficar tranquilos em Seus braços de amor. Apesar de podermos cair quantas vezes for, podemos se levantar em todas essas vezes, e sua única exigência é: vai e não peques mais.
Mas quanto ao segredo da vitória, para não cair outra vez, sabemos que é andar lado a lado com Jesus, acompanhar suas pegadas e se entregar a vontade de Nosso Salvador, custe o que custar.
Isto me leva a lembrar de outra ilustração: Há de um homem que podia ver sua vida espiritual com Cristo, como ele andando na praia com Jesus: ele via que em todos os momentos felizes e bons na vida dele, estava Jesus andando com ele, as pegadas dos dois na areia da praia apareciam lado a lado. Mas é claro que havia momentos de dificuldades, de desilusão, e tristezas; e nestes momentos, ele não via as pegadas dos dois, mais de um apenas! Ficou perplexo, e se queixava: acaso Deus tem me abandonado nas dificuldades, tenho ficado sozinho nos momentos que mais precisava dEle?
Mas o homem estava errado! Quando ele estava em dificuldades, as pegadas que apareciam na areia eram as de Cristo. Ele carregava o homem nos braços para que agüentasse, para que ficasse protegido do maligno.
Aquele homem não reconhecia verdadeiramente sua necessidade de Jesus Cristo; achava que era possível por si mesmo ter passado por todas aquelas dificuldades; achava que Jesus estava com ele somente nos momentos felizes. Mas como pode pensar isso, visto que nas dificuldades Cristo estava mais próximo, consolando-o? As pegadas na dificuldade, não poderiam ser de outro a não ser Jesus.
Para não cair mais, acredite realmente que precisa de Deus, ele é o pão que veio do céu (João 6:51), nosso alimento espiritual. [M. Borges]

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pensamentos de Pascal N°. II

Caso o internauta não tenha visto a Ed. N°. I, clique aqui.

Saibam, ao menos, que religião combatem, antes de combatê-la.
Nas Escrituras, em suma, se trabalha igualmente para estabelecer duas coisas: que Deus estabeleceu na Igreja marcas sensíveis para ser reconhecido pelos que o procurarem sinceramente, e que, no entanto, as cobriu de tal forma que só será percebido pelos que o procurarem de todo o coração. Pág. 1.
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Que se reflita sobre isso e se diga, depois, se não é indubitável que o único bem da vida presente é a esperança de uma vida futura; que só somos felizes na medida em que dela nos aproximamos; e que, não havendo mais infelicidades para os que têm uma inteira certeza da eternidade, também não há felicidade para os que não possuem luz alguma.
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Com efeito; a fé cristã não visa, principalmente, senão a estabelecer estas duas coisas: a corrupção da natureza e a redenção de Jesus Cristo.
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O mesmo homem que passa tantos dias e tantas noites cheio de cólera e de desespero por ter perdido um cargo, ou por alguma ofensa imaginária à sua honra, sabe também que vai perder tudo com a morte, sem que por isso se inquiete ou se comova. É uma coisa monstruosa ver, num mesmo coração e ao mesmo tempo, essa sensibilidade pelas menores coisas e essa estranha insensibilidade pelas maiores. Pág. 2.
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A verdadeira religião deve ter por marcas obrigar a amar seu Deus. Isso é bem justo. No entanto, nenhuma outra como a nossa o ordenou; a nossa o fez. Ela deve ainda ter conhecido a concupiscência (do homem) e a impotência (em que ele próprio se encontra para adquirir a virtude); a nossa o fez. Deve indicar os remédios para isso, um dos quais é a prece. Nenhuma (outra) religião pediu (jamais) a Deus que o amasse e o seguisse. Pág. 5.

As outras religiões, como as pagãs, são mais populares, porque se exteriorizam: não são, porém para as pessoas hábeis. Uma religião puramente intelectual seria mais proporcionada aos hábeis, mas não serviria ao povo. Só a religião cristã é proporcionada a todos, sendo composta de exterior e de interior. Ela eleva o povo ao interior e baixa os soberbos ao exterior, não sendo perfeita sem os dois, pois é preciso que o povo entenda o espírito da letra e que os hábeis submetam o seu espírito à letra (praticando o que há de exterior). soberbos ao exterior, não sendo perfeita sem os dois, pois é preciso que o povo entenda o espírito da letra e que os hábeis submetam o seu espírito à letra (praticando o que há de exterior). Págs 5-6.

Nenhuma outra (religião, a não ser a cristã) conheceu que o homem é a mais excelente criatura (e ao mesmo tempo a mais miserável). Pág. 6.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Cristo - Nosso Meio de Escape

A condição de vida eterna é hoje justamente a mesma que sempre foi - exatamente a mesma que foi no paraíso, antes da queda de nossos primeiros pais - perfeita obediência à lei de Deus, perfeita justiça. Se a vida eterna fosse concedida sob qualquer condição inferior a essa, correria perigo a felicidade do Universo todo. Estaria aberto o caminho para que o pecado, com todo o seu cortejo de infortúnios e misérias, se imortalizasse.
            Era possível a Adão, antes da queda, formar um caráter justo pela obediência à lei de Deus. Mas deixou de o fazer e, devido ao seu pecado, nossa natureza se acha decaída, e não podemos tornar-nos justos. Visto como somos pecaminosos, profanos, não podemos obedecer perfeitamente a uma lei santa. Não possuímos justiça em nós mesmos com a qual pudéssemos satisfazer às exigências da lei de Deus. Mas Cristo nos proveu um meio de escape. Viveu na Terra em meio de provas e tentações como as que nos sobrevêm a nós. Viveu uma vida sem pecado. Morreu por nós, e agora Se oferece para nos tirar os pecados e dar-nos Sua justiça. Se vos entregardes a Ele e O aceitardes como vosso Salvador, sereis então, por pecaminosa que tenha sido vossa vida, considerados justos por Sua causa. O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter, e sereis aceitos diante de Deus exatamente como se não houvésseis pecado.
            E ainda mais, Cristo mudará o coração. Nele habitará, pela fé. Pela fé e contínua submissão de vossa vontade a Cristo, deveis manter essa ligação com Ele; e enquanto isso fizerdes, Ele operará em vós o querer e o efetuar, segundo a Sua vontade. Podereis então dizer: "A vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e Se entregou a Si mesmo por mim." Gál. 2:20. Disse Jesus a Seus discípulos: "Não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós." Mat. 10:20. Assim, atuando Cristo em vós, manifestareis o mesmo espírito e praticareis as mesmas obras - obras de justiça e obediência.
            Nada temos, pois, em nós mesmos, de que nos possamos orgulhar. Não temos nenhum motivo para exaltação própria. Nosso único motivo de esperança está na justiça de Cristo a nós imputada, e naquela atuação do Seu Espírito em nós e através de nós. Caminho a Cristo, pág. 62-63.
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