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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Música para as Crianças

Você lembra que, em 2009, o estudo de um pesquisador israelense mostrou que os sons de Mozart podem ajudar bebês prematuros a ganhar peso? Essa pesquisa foi impulsionada pelo chamado Efeito Mozart, uma teoria muito criticada pelo mundo científico de que a exposição a composições do austríaco levaria a filhos mais inteligentes. O que, de fato, tem sido observado na relação entre a música e as crianças? Que benefícios pode trazer para o desenvolvimento delas?

Segundo os especialistas, a experiência auditiva começa ainda na barriga da mãe. "É o que chamamos de precocidade da experiência musical. A partir do quinto mês de gestação, quando nosso aparelho auditivo já está formado, ficamos submetidos a estímulos sonoros, desde batimentos cardíacos até a voz da mãe", afirma a musicoterapeuta Bianca Bruno. O vínculo entre esses sons e o afeto presente neles já é considerado fundamental para o bom desenvolvimento dos bebês.

A música tem representações em diversas áreas do cérebro, continua Bianca, e pode se relacionar a diferentes tipos de conhecimento. "Além do fato de existir uma área específica, como dizem os neurologistas, que se caracteriza pelas funções musicais", complementa a musicoterapeuta. Julia Holanda, professora do Centro de Educação Musical Holanda, em Goiânia, corrobora: "Ao entrarmos em contato com a música, todo o nosso cérebro é estimulado, especialmente uma boa parte do hemisfério esquerdo".

Desempenho superior

Julia Holanda lembra uma pesquisa recente que observou o comportamento de crianças submetidas a três tipos de atividades: aulas de xadrez, computação e música. Ela conta que aquelas que estiveram em contato com a música obtiveram desempenho 40% superior em suas atividades escolares. "A música trabalha como prevenção e como tratamento. Utiliza raciocínio lógico e matemático, coordenação motora, concentração, as emoções e as relações sociais", elenca a musicista.

Por isso, uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que, a partir de agosto, todos os centros educativos do país incluam a matéria em seus currículos escolares. "As escolas devem pensar a música no conjunto de seu projeto político-pedagógico, definindo, assim, as formas condizentes com a organização de seus currículos", defende Clélia Craveio, conselheira do CNE.

Música é emoção

Dividida em compassos e ritmos, as melodias estimulam o raciocínio lógico, além de explorar a concentração dos pequenos para acompanhar o tempo da música. A sensibilidade musical, segundo Holanda, está diretamente atrelada aos sentimentos e ao que o som representa. "A mãe que quer estimular seu filho com música precisa transformá-la em uma experiência afetiva agradável. Se lhe for direcionada como uma obrigação, pode atrapalhar. Pais que desejam herdeiros geniais podem submeter as crianças a uma experiência afetiva ruim, e a forma lúdica é fundamentalmente importante para o desenvolvimento desses estímulos", alerta a musicoterapeuta.

Os sons e as melodias aguçam a percepção sonora e estimulam a observação. Como explica Bianca, a criança passa a ver o mundo com mais detalhes. "Ainda que o Efeito Mozart seja questionável, qualquer pai e mãe que associe a música a uma emoção positiva pode conseguir incentivar seus filhos a serem indivíduos mais seguros, a se sentirem bem com o desconhecido e construírem um raciocínio mais complexo. Resulta ainda no fortalecimento da relação familiar ", conclui ela.

(Fonte: MSN)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Hábitos Musicais da Família White

Por Márcio Dias Guarda [1]
A música era de vital importância na vida de Tiago e Ellen White.
O favorito de Ellen era o velho hino de Carlos Wesley, "Ó Jesus, Meu Bom Pastor" (Cantai ao Senhor, 497[2]). Ela também apreciava muito "Oh Adorai o Senhor" (Cantai ao Senhor, 2 [mesmo número no Hinário Adventista]), "Ouvi o Salvador Dizer" (Cantai ao Senhor, 192[3]) e “Nunca Te Deixarei” (Cantai ao Senhor, 423 [386, no HASD].
Tiago tinha voz educada, e outros membros de sua família também. Seu pai fora professor de canto.
Em certas ocasiões, quando devia pregar, Tiago White encaminhava-se para o púlpito, vindo dos fundos da igreja, cantando um hino.
Um dos filhos de Tiago e Ellen White, James Edson, teve especial interesse pela publicação de hinos, tendo publicado seis hinários, mais sete em associação com seu primo F. E. Belden, além de um periódico sobre música, chamado Musical Messenger.
Tempos atrás, essas informações tão curiosas quanto inspiradoras a respeito da vida de uma família tão cara para nós adventistas, me conquistaram para ler o interessante livro Ellen White and Music, de Paul Hamel[4], do departamento de música da Andrews University. Agora, chegou a oportunidade de partilhar com os leitores alguns detalhes da vida musical da família White, os quais podem ser encarados como exemplo e inspiração para nossos próprios hábitos musicais. Ou não precisamos de exemplos e inspiração nesse particular?
Os tempos pós-desapontamento eram tão impróprios para a alegria cristã e espiritualidade como os nossos, ou mais ainda. "Quando Tiago e Ellen visitavam um pequeno grupo de crentes adventistas que se sentiam solitários e desencorajados, Tiago sugeria para a esposa: 'Ellen, vamos cantar para eles'. Os dois começavam a cantar com voz suave e harmonizada uma mensagem de ânimo para os corações pesarosos. Parecia que os canais da paz celestial eram reabertos", é o testemunho da neta Ella Robinson.
Tiago
Quando trevas e pessimismo pareciam dominar uma sessão da Associação Geral, na velha igreja de Battle Creek, sessão que se arrastava presidida por Tiago White, ele não hesitou em interromper os trabalhos e convidar Ellen para um dueto. Ao final da primeira estrofe, todos os delegados se uniram aos White para cantar o coro. As sombras estavam dissipadas.
Não eram apenas o gosto musical e o senso de oportunidade as características únicas destes pioneiros ilustres no bendito uso da voz. Outros incidentes revelam criatividade e apuro técnico. Aqueles que privaram com Tiago White descrevem sua voz como rica e melodiosa. No seu livro Life lncidents, ele conta como usava um corinho simples, suave e repetitivo como suas primeiras palavras diante de uma grande congregação. Assim ganhava a atenção de todos e depois iniciava o sermão. Ele mesmo diz que ao terminar de cantar "havia completo silêncio no auditório de aproximadamente mil pessoas, nenhum pé ou mão se movia, alguns choravam". Alguém que o ouviu cantar, já no final da vida, com cabelo e barba brancos, descreveu sua voz como "clara e melodiosa, fácil de compreender-lhe as palavras".
Numa viagem, Tiago, seu pai e duas de suas irmãs foram apanhados por um aguaceiro repentino. Procuraram abrigo numa estalagem. Logo estavam cantando melodias de reavivamento da época. O estalajadeiro, sua família e outros que ali haviam chegado por causa da chuva, se tomaram deliciados ouvintes. Ao terminar um hino, solicitavam outro do quarteto improvisado. Assim avançaram noite adentro. Na manhã seguinte, quando o pai de Tiago pediu a conta, antes de reiniciar a jornada, foi informado de que estava tudo pago pelos hinos apresentados na noite anterior.
Ellen
Ellen, por seu lado, viera da Igreja Metodista com a rica herança musical de João e Carlos Wesley. Na realidade, os Wesley estabeleceram novos conceitos em tempos de música religiosa ao expressar de maneira mais dinâmica e artística as verdades espirituais. Já disse que o favorito de Ellen era "Ó Jesus. Meu Bom Pastor" (Cantai ao Senhor, 497 [HASD, 97]) de Carlos Wesley. Outros hinos que estavam em seus lábios constantemente eram: "Ao Ver a Cruz" (Cantai ao Senhor, 96 e 312 [Não constam no HASD]) e "A Ovelha Perdida" (Cantai ao Senhor, 156 [HASD, 99 – com o título de "Noventa e Nove Ovelhas"]).
Nos últimos anos de sua vida, apreciava repetir um hino escrito por William Hyde, depois de vê-la em visão e ouvi-la contar das belezas e glórias da Nova Terra como lhe foram mostradas. A última estrofe desse hino recobrava-lhe o ânimo, e a esperança de modo marcante durante sua enfermidade final, assim que, sempre estava a repetir:
Lá estaremos, lá estaremos dentro em pouco / Com os puros e benditos / Teremos a palma, a veste e a coroa / E o descanso eterno.
Quando Ellen era bem jovem, ouviu um cântico intitulado "O Sonho da Esposa de Pilatos". Sentiu-se muito impressionada. Mas, como não conseguira nem a letra nem a música, tempos depois não tinha mais condições de lembrá-lo. No início do seu ministério, tanto ela quanto Tiago tentaram obter o hino, mas todos os esforços foram baldados. Anos mais tarde, no meio da noite, ela sentou-se na cama e cantou o hino inteiro sem hesitação. Enquanto cantava, o marido procurou memorizar as palavras e a música. Posteriormente, o filho Edson e o sobrinho F. E. Belden copiaram a música e incluíram o hino no Hymns and Tunes, que estavam publicando.
Tempos mais tarde, a senhora White teve oportunidade de usar o hino para dar ênfase à mensagem de um sermão. Sendo convidada para pregar na Assembléia da Associação Geral, em 1909, escolheu como tema a crucifixão e apresentou particularmente a vacilação de Pilatos e suas conseqüências em relação a Cristo. No meio do sermão fez uma pausa para que um quarteto masculino cantasse "O Sonho da Esposa de Pilatos". A congregação foi movida maravilhosamente pelo cântico.
No Lar
O lar de Tiago e Ellen White era um lugar agradável, feliz, onde os cuidados e obrigações eram suavizados com cânticos e as alegrias eram expressadas em louvores musicais.
O filho William escreveu a respeito dos cultos matinais: "Às sete da manhã, estávamos reunidos na sala para o culto matinal. Papai lia um trecho apropriado das Escrituras, depois entoávamos um cântico de louvor ou súplica, no qual todos participavam. O mais freqüentemente usado era: 'Desponta o Sol, e eu venho a Ti, Senhor dos altos Céus;/ Ouvir-me-ás a voz aqui, A voz dos rogos meus' (Cantai ao Senhor, 33 [HASD, 24]). Este ou outro cântico similar era oferecido com caloroso vigor e, por último, papai orava".
Freqüentemente os White tinham hóspedes em casa. Alguns vinham para passar o sábado e outros ficavam para pernoitar. William relata de ocasiões em que já estava na cama e seus pais e visitas continuavam cantando. "Cantar os hinos do advento, naqueles dias, era costume não olvidado em quaisquer encontros sociais de devotas famílias adventistas. Nessas ocasiões, depois de anfitriões e visitas trocarem experiências e palavras de encorajamento, todos se uniam para cantar".
Entre os quatro filhos, Henry, o mais velho, era o melhor dotado com o talento musical, e recebia apoio e incentivo dos pais. Pena que tenha, vivido tão poucos anos!
Ainda juvenis, Henry e Edson conseguiram juntar cerca de cem dólares trabalhando no escritório da Revista Review and Herald ou fazendo jardinagem. Obtido o consentimento dos pais, investiram as economias num pequeno órgão. Como resultado, diz William, "passaram a cantar dois ou três hinos nos cultos da manhã e da noite, ao invés de um"!
Exemplo
A esta altura é possível compreender por que James Edson publicou tantos hinários em sua vida e, durante muitos anos, o periódico Musical Messenger. Compreende-se também por que os adventistas do sétimo dia publicaram 23 hinários entre 1849 e 1900. "Os pioneiros adventistas encontravam nos cânticos de Sião o melhor antídoto para a depressão e desencorajamento. Eles cantavam sempre e em qualquer lugar. Enquanto iam a cavalo ou de carruagem para os humildes locais de reuniões, e como cantavam durante as reuniões! Freqüentemente cantavam sem acompanhamento, porque todo o dinheiro houvera sido gasto na construção de igrejas e nada sobrara para comprar algum instrumento. Mas não cantavam só nas igrejas. Cantavam também nos lares. (...) Nos cultos matutinos e vespertinos; individualmente, enquanto trabalhavam no campo, no comércio ou na cozinha (...)", testifica Ella Robinson.
O cultivo da música e o uso dos cânticos e hinos pela família White se toma para nós um exemplo e uma inspiração. No dia-a-dia, nos cultos da família, nas visitas, diante das congregações e com elas, Ellen e Tiago White sempre tinham hinos no coração e nos lábios.
Hoje, o aprendizado da música vocal ou instrumental é substituído pela aquisição de custosos e sofisticados aparelhos eletrônicos e o hábito de cantar em família, e mesmo na igreja, é substituído pelo ouvir, freqüentemente, desatento. O resultado são pessoas desafinadas e tristes, congregações que cantam mal e pouco, conjuntos excessivamente dependentes de instrumental e "reparos" eletrônicos, e ainda o cultivo de uma música primitiva, digo, superficial, pouco trabalhada, apenas carregada de ritmo e expressão.
Sem dúvida, estamos longe do modelo pioneiro e longe da vontade de Deus. Voltemos aos hinos de Sião, se queremos cantar com os cento e quarenta e quatro mil o hino da vitória!


Notas dos Editores:
[1] Agradecemos à Loide Simon por esta contribuição ao Música Sacra e Adoração.
[2] O hino com letra de Wesley – no novo Hinário Adventista do Sétimo Dia (HASD) – é o de número 97, com o título de "Meu Divino Protetor". Aproveitamos a nota para esclarecer ao leitor que todas as expressões localizadas entre [colchetes] são de autoria dos editores do site, e não constam do original.
[3] Não consta do Hinário Adventista do Sétimo Dia.
[4] Hamel, Paul. Ellen White and Music: Background and Principles. Washington D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1976


Fonte: Revista Adventista. Novembro de 1981, pp. 38-9.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Pianista Invisível

Imagine uma família de camundongos que tenha vivido toda sua vida em um grande piano. A eles, no mundo de seu piano, vinha a música do instrumento, enchendo todos os lugares escuros com som e harmonia. Primeiramente os camundongos ficaram impressionados. Eles extraíam conforto e admiração do pensamento de que havia Alguém que produzia tal música – embora invisível – e acima, contudo, perto deles. Eles gostavam de pensar no Grande Pianista que eles não podiam ver.

Então, um dia, um destemido camundongo resolveu subir na parte superior do piano e retornou cheio de idéias. Ele tinha descoberto como a música era produzida. As cordas eram o segredo – cordas firmemente esticadas com tamanhos graduados as quais tremiam e vibravam. Eles deviam agora fazer uma revisão de suas velhas crenças; ninguém, a não ser os mais conservadores, poderia crer mais no Pianista Invisível.

Mais tarde, outro explorador conduziu a explicação mais adiante. Martelos eram agora o segredo, um número de martelos dançando e saltando sobre as cordas. Esta era uma teoria um pouco mais complicada, mas tudo demonstrava que eles viviam em um mundo puramente mecânico e matemático. O Pianista Invisível passou a ser considerado um mito.

Mas o Pianista continuou a tocar.


Nota: Esta História ilustra muito bem o que o apóstolo Paulo escreveu:

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Romanos 1:20-21.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Histórias dos Pioneiros - Uriah Smith

Com quatro anos de idade, Uriah Smith estava doente, muito doente, com algum tipo de febre.

A enfermidade passou, mas o deixou com uma úlcera que não sarava na sua perna. E por fim aos doze anos de idade, com a volta de febre e com uma perna dura, o famoso cirurgião o Dr. Amós Twitchell, amputou a perna do menino durante uma operação de vinte minutos realizada sobre a mesa da cozinha da família Smith, não havendo anestesia na época e sendo ele ainda novo demais para tomar uísque (a anestesia daquela época) podemos imaginar que horror deve ter sido aqueles momentos de gritos do menino ecoando pela casa, e que dor! Deve ter ele sentido. Deus certamente deve ter enviado Seu melhor anjo-cirurgião, para ficar ao lado do Doutor, e guiar-lhe os pensamentos e atos enquanto realizava aquela primitiva cirurgia, e também para garantir que não resultasse numa infecção – a causa comum de mortes após uma cirurgia naquele tempo.


Numa carta escrita para J. F. Barbaret, na década de 1890, estava a descrição que ele mesmo fez do trágico evento: “Tive uma necrose óssea na minha perna aos quatro anos de idade. Aos doze vi-me com uma perna atrofiada e repuxada e um joelho rígido, e a febre manifestando-se novamente. Era evidente que a perna precisava ser cortada ou eu perderia a vida. Bem não sei de nada com que se possa cortar uma perna a não ser uma faca. Assim, foi usada uma faca, e não tenho problema desde então, exceto o incômodo de usar um membro artificial.” Interessante é que ele não parece ter-se perturbado, não há evidências de que teve qualquer depressão traumática ou perda de auto-estima. Aceitou o fato da vida, adaptando-se à situação, cresceu e se tornou um homem inteligente e bem ajustado, admirado e apreciado por todos os que o conheciam, estudou para ser professor, e foi oferecido um cargo de prestigio e bem remunerado de diretor de uma universidade. Mas ele renunciou ao mundo, para aceitar o chamado maior de Deus.


No verão de 1844 foi batizado, ainda menino, e sofreu a decepção de Jesus não ter vindo em 22 de outubro daquele ano. Depois disso não se interessou mais pelas coisas espirituais, até que com a morte de seu pai inesperadamente, os pensamentos dele se voltaram para o bem-estar espiritual, e começou a estudar a mensagem do advento. Em 1852 numa conferência em Washington, pela primeira vez ouviu Tiago e Ellen White falando, falaram claramente a razão para o desapontamento, e explicaram porque haviam adotado a guarda do sábado. Ele foi para casa impressionado, mas era muito cauteloso, então estudou o assunto durante três meses. Depois de uma árdua batalha com suas próprias ambições, posteriormente escreveu: “Um exame dos argumentos sobre nossa posição me convenceu plenamente a andar com os remanescentes, que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”.


Ele mandou um poema dele próprio, esperando que fosse publicado no periódico Review Herald, o engraçado é que o poema parecia mais um sermão, intitulado: “A Exortadora Voz do Tempo e da Profecia.” Com uma incrível extensão de 35 mil palavras! Tiago White (Editor do periódico) gostou tanto que imprimiu em partes sermão poético durante cinco meses. Tiago chamou ele para fazer parte da equipe de publicação da Review, ele aceitou, e com 21 anos de idade começou seu trabalho que seria pelo resto de sua vida. Com 23 anos apareceu pela primeira vez seu nome na revista como editor, e durante mais de 50 anos estaria relacionado com a  Review.


Ele escreveu mais de 18 livros, além do bem conhecido livro “As Profecias de Daniel e Apocalipse” (vários títulos foram dados a este livro) tão clara são suas explicações no livro que foi considerado o campeão no entendimento das profecias, seu livro até hoje não foi ultrapassado, Ellen G. White escreve que livros como Patriarcas e Profetas, Grande Conflito (ambos dela) e o livro dele, deveriam ser vendidos porque eram exatamente a mensagem que o povo necessitava, diz ainda que neles existem preciosas instruções, e todo esforço deve ser feito para os pôr diante do povo. W. A. Spicer descreveu ele da seguinte maneira: “sempre calmo e sereno, jamais ansioso ou agitado”. É dito sobre ele também que ficava silencioso nas reuniões quando ouvia críticas. Raramente precisava desculpar-se por palavras insensatas – porque não as proferia. O são juízo e a capacidade de ponderar as coisas fizeram dele um sábio conselheiro, tanto em sua função oficial na igreja, como na vida pessoal.

Também demonstrou seu interesse para com a música, dizendo ser a “linguagem do Céu” disse também que “a música é um dom divino, e deve ser dedicado a propósitos divinos”. 6 de março de 1903 quando ia a pé para o trabalho, ele cai na grama, (provavelmente sofreu um ataque cardíaco) os amigos de trabalho o socorrem, e levam ele até o escritório, lá um médico cuidou dele até que algumas horas depois ele falece de um ataque cardíaco fulminante. No seu bolso carregava manuscritos de um sermão que planejava apresentar, que constavam estas palavras: “Estou com todos vocês no esforço de proclamar este evangelho do reino nesta geração, como testemunho a todas as nações. E quando isso se completar, será o sinal para a coroação de nosso Rei vindouro”.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Valor do Canto e o Exemplo de Cristo

Assim como os filhos de Israel, jornadeando pelo deserto, suavizavam pela música de cânticos sagrados a sua viagem, Deus ordena a Seus filhos hoje que alegrem a sua vida peregrina. Poucos meios há mais eficazes para fixar Suas palavras na memória do que repeti-las em cânticos. E tal cântico tem maravilhoso poder. Tem poder para subjugar as naturezas rudes e incultas. Meditações Matinais (1959), pág. 273.

Muitas vezes ouviam os moradores de Nazaré Sua voz [de Cristo] erguer-se em louvor e ações de graças a Deus. Com freqüência entretinha em cânticos comunhão com o Céu; e quando os companheiros se queixavam da fadiga do trabalho, eram animados pela doce melodia que Lhe caía dos lábios. Dir-se-ia que Seu louvor banisse os anjos maus e, como incenso, enchesse com doce fragrância o lugar em que Se achava. ... Ao serem entoados cânticos de louvor, ao se elevarem ao Céu fervorosas orações, ao se repetirem as lições das maravilhosas obras de Deus, ao expressar-se a gratidão do coração em preces e hinos, os anjos do Céu apanham o tom e a eles se unem em louvor e ações de graças a Deus.

Essas práticas repelem o poder de Satanás. Expulsam as murmurações e queixas, e Satanás perde terreno. Deus nos ensina que devemos reunir-nos em Sua casa para cultivar os atributos do perfeito amor. Isso habilitará os habitantes da Terra para as mansões que Cristo foi preparar para os que O amam. Então se congregarão no santuário, de um sábado ao outro e de uma lua nova a outra, para unir-se em majestosos cânticos, em ações de graças e louvor Àquele que Se assenta sobre o trono, e ao Cordeiro, para todo o sempre. MM (2002), pág. 243.
(Negritos acrescentados para dar ênfase)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Música para as Crianças


Você lembra que, em 2009, o estudo de um pesquisador israelense mostrou que os sons de Mozart podem ajudar bebês prematuros a ganhar peso? Essa pesquisa foi impulsionada pelo chamado Efeito Mozart, uma teoria muito criticada pelo mundo científico de que a exposição a composições do austríaco levaria a filhos mais inteligentes. O que, de fato, tem sido observado na relação entre a música e as crianças? Que benefícios pode trazer para o desenvolvimento delas?

Segundo os especialistas, a experiência auditiva começa ainda na barriga da mãe. "É o que chamamos de precocidade da experiência musical. A partir do quinto mês de gestação, quando nosso aparelho auditivo já está formado, ficamos submetidos a estímulos sonoros, desde batimentos cardíacos até a voz da mãe", afirma a musicoterapeuta Bianca Bruno. O vínculo entre esses sons e o afeto presente neles já é considerado fundamental para o bom desenvolvimento dos bebês.

A música tem representações em diversas áreas do cérebro, continua Bianca, e pode se relacionar a diferentes tipos de conhecimento. "Além do fato de existir uma área específica, como dizem os neurologistas, que se caracteriza pelas funções musicais", complementa a musicoterapeuta. Julia Holanda, professora do Centro de Educação Musical Holanda, em Goiânia, corrobora: "Ao entrarmos em contato com a música, todo o nosso cérebro é estimulado, especialmente uma boa parte do hemisfério esquerdo".

Desempenho superior

Julia Holanda lembra uma pesquisa recente que observou o comportamento de crianças submetidas a três tipos de atividades: aulas de xadrez, computação e música. Ela conta que aquelas que estiveram em contato com a música obtiveram desempenho 40% superior em suas atividades escolares. "A música trabalha como prevenção e como tratamento. Utiliza raciocínio lógico e matemático, coordenação motora, concentração, as emoções e as relações sociais", elenca a musicista.

Por isso, uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que, a partir de agosto, todos os centros educativos do país incluam a matéria em seus currículos escolares. "As escolas devem pensar a música no conjunto de seu projeto político-pedagógico, definindo, assim, as formas condizentes com a organização de seus currículos", defende Clélia Craveio, conselheira do CNE.

Música é emoção

Dividida em compassos e ritmos, as melodias estimulam o raciocínio lógico, além de explorar a concentração dos pequenos para acompanhar o tempo da música. A sensibilidade musical, segundo Holanda, está diretamente atrelada aos sentimentos e ao que o som representa. "A mãe que quer estimular seu filho com música precisa transformá-la em uma experiência afetiva agradável. Se lhe for direcionada como uma obrigação, pode atrapalhar. Pais que desejam herdeiros geniais podem submeter as crianças a uma experiência afetiva ruim, e a forma lúdica é fundamentalmente importante para o desenvolvimento desses estímulos", alerta a musicoterapeuta.

Os sons e as melodias aguçam a percepção sonora e estimulam a observação. Como explica Bianca, a criança passa a ver o mundo com mais detalhes. "Ainda que o Efeito Mozart seja questionável, qualquer pai e mãe que associe a música a uma emoção positiva pode conseguir incentivar seus filhos a serem indivíduos mais seguros, a se sentirem bem com o desconhecido e construírem um raciocínio mais complexo. Resulta ainda no fortalecimento da relação familiar ", conclui ela.

(Fonte: MSN)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Hábitos Musicais da Família White

Por Márcio Dias Guarda [1]
A música era de vital importância na vida de Tiago e Ellen White.
O favorito de Ellen era o velho hino de Carlos Wesley, "Ó Jesus, Meu Bom Pastor" (Cantai ao Senhor, 497[2]). Ela também apreciava muito "Oh Adorai o Senhor" (Cantai ao Senhor, 2 [mesmo número no Hinário Adventista]), "Ouvi o Salvador Dizer" (Cantai ao Senhor, 192[3]) e “Nunca Te Deixarei” (Cantai ao Senhor, 423 [386, no HASD].
Tiago tinha voz educada, e outros membros de sua família também. Seu pai fora professor de canto.
Em certas ocasiões, quando devia pregar, Tiago White encaminhava-se para o púlpito, vindo dos fundos da igreja, cantando um hino.
Um dos filhos de Tiago e Ellen White, James Edson, teve especial interesse pela publicação de hinos, tendo publicado seis hinários, mais sete em associação com seu primo F. E. Belden, além de um periódico sobre música, chamado Musical Messenger.
Tempos atrás, essas informações tão curiosas quanto inspiradoras a respeito da vida de uma família tão cara para nós adventistas, me conquistaram para ler o interessante livro Ellen White and Music, de Paul Hamel[4], do departamento de música da Andrews University. Agora, chegou a oportunidade de partilhar com os leitores alguns detalhes da vida musical da família White, os quais podem ser encarados como exemplo e inspiração para nossos próprios hábitos musicais. Ou não precisamos de exemplos e inspiração nesse particular?
Os tempos pós-desapontamento eram tão impróprios para a alegria cristã e espiritualidade como os nossos, ou mais ainda. "Quando Tiago e Ellen visitavam um pequeno grupo de crentes adventistas que se sentiam solitários e desencorajados, Tiago sugeria para a esposa: 'Ellen, vamos cantar para eles'. Os dois começavam a cantar com voz suave e harmonizada uma mensagem de ânimo para os corações pesarosos. Parecia que os canais da paz celestial eram reabertos", é o testemunho da neta Ella Robinson.
Tiago
Quando trevas e pessimismo pareciam dominar uma sessão da Associação Geral, na velha igreja de Battle Creek, sessão que se arrastava presidida por Tiago White, ele não hesitou em interromper os trabalhos e convidar Ellen para um dueto. Ao final da primeira estrofe, todos os delegados se uniram aos White para cantar o coro. As sombras estavam dissipadas.
Não eram apenas o gosto musical e o senso de oportunidade as características únicas destes pioneiros ilustres no bendito uso da voz. Outros incidentes revelam criatividade e apuro técnico. Aqueles que privaram com Tiago White descrevem sua voz como rica e melodiosa. No seu livro Life lncidents, ele conta como usava um corinho simples, suave e repetitivo como suas primeiras palavras diante de uma grande congregação. Assim ganhava a atenção de todos e depois iniciava o sermão. Ele mesmo diz que ao terminar de cantar "havia completo silêncio no auditório de aproximadamente mil pessoas, nenhum pé ou mão se movia, alguns choravam". Alguém que o ouviu cantar, já no final da vida, com cabelo e barba brancos, descreveu sua voz como "clara e melodiosa, fácil de compreender-lhe as palavras".
Numa viagem, Tiago, seu pai e duas de suas irmãs foram apanhados por um aguaceiro repentino. Procuraram abrigo numa estalagem. Logo estavam cantando melodias de reavivamento da época. O estalajadeiro, sua família e outros que ali haviam chegado por causa da chuva, se tomaram deliciados ouvintes. Ao terminar um hino, solicitavam outro do quarteto improvisado. Assim avançaram noite adentro. Na manhã seguinte, quando o pai de Tiago pediu a conta, antes de reiniciar a jornada, foi informado de que estava tudo pago pelos hinos apresentados na noite anterior.
Ellen
Ellen, por seu lado, viera da Igreja Metodista com a rica herança musical de João e Carlos Wesley. Na realidade, os Wesley estabeleceram novos conceitos em tempos de música religiosa ao expressar de maneira mais dinâmica e artística as verdades espirituais. Já disse que o favorito de Ellen era "Ó Jesus. Meu Bom Pastor" (Cantai ao Senhor, 497 [HASD, 97]) de Carlos Wesley. Outros hinos que estavam em seus lábios constantemente eram: "Ao Ver a Cruz" (Cantai ao Senhor, 96 e 312 [Não constam no HASD]) e "A Ovelha Perdida" (Cantai ao Senhor, 156 [HASD, 99 – com o título de "Noventa e Nove Ovelhas"]).
Nos últimos anos de sua vida, apreciava repetir um hino escrito por William Hyde, depois de vê-la em visão e ouvi-la contar das belezas e glórias da Nova Terra como lhe foram mostradas. A última estrofe desse hino recobrava-lhe o ânimo, e a esperança de modo marcante durante sua enfermidade final, assim que, sempre estava a repetir:
Lá estaremos, lá estaremos dentro em pouco / Com os puros e benditos / Teremos a palma, a veste e a coroa / E o descanso eterno.
Quando Ellen era bem jovem, ouviu um cântico intitulado "O Sonho da Esposa de Pilatos". Sentiu-se muito impressionada. Mas, como não conseguira nem a letra nem a música, tempos depois não tinha mais condições de lembrá-lo. No início do seu ministério, tanto ela quanto Tiago tentaram obter o hino, mas todos os esforços foram baldados. Anos mais tarde, no meio da noite, ela sentou-se na cama e cantou o hino inteiro sem hesitação. Enquanto cantava, o marido procurou memorizar as palavras e a música. Posteriormente, o filho Edson e o sobrinho F. E. Belden copiaram a música e incluíram o hino no Hymns and Tunes, que estavam publicando.
Tempos mais tarde, a senhora White teve oportunidade de usar o hino para dar ênfase à mensagem de um sermão. Sendo convidada para pregar na Assembléia da Associação Geral, em 1909, escolheu como tema a crucifixão e apresentou particularmente a vacilação de Pilatos e suas conseqüências em relação a Cristo. No meio do sermão fez uma pausa para que um quarteto masculino cantasse "O Sonho da Esposa de Pilatos". A congregação foi movida maravilhosamente pelo cântico.
No Lar
O lar de Tiago e Ellen White era um lugar agradável, feliz, onde os cuidados e obrigações eram suavizados com cânticos e as alegrias eram expressadas em louvores musicais.
O filho William escreveu a respeito dos cultos matinais: "Às sete da manhã, estávamos reunidos na sala para o culto matinal. Papai lia um trecho apropriado das Escrituras, depois entoávamos um cântico de louvor ou súplica, no qual todos participavam. O mais freqüentemente usado era: 'Desponta o Sol, e eu venho a Ti, Senhor dos altos Céus;/ Ouvir-me-ás a voz aqui, A voz dos rogos meus' (Cantai ao Senhor, 33 [HASD, 24]). Este ou outro cântico similar era oferecido com caloroso vigor e, por último, papai orava".
Freqüentemente os White tinham hóspedes em casa. Alguns vinham para passar o sábado e outros ficavam para pernoitar. William relata de ocasiões em que já estava na cama e seus pais e visitas continuavam cantando. "Cantar os hinos do advento, naqueles dias, era costume não olvidado em quaisquer encontros sociais de devotas famílias adventistas. Nessas ocasiões, depois de anfitriões e visitas trocarem experiências e palavras de encorajamento, todos se uniam para cantar".
Entre os quatro filhos, Henry, o mais velho, era o melhor dotado com o talento musical, e recebia apoio e incentivo dos pais. Pena que tenha, vivido tão poucos anos!
Ainda juvenis, Henry e Edson conseguiram juntar cerca de cem dólares trabalhando no escritório da Revista Review and Herald ou fazendo jardinagem. Obtido o consentimento dos pais, investiram as economias num pequeno órgão. Como resultado, diz William, "passaram a cantar dois ou três hinos nos cultos da manhã e da noite, ao invés de um"!
Exemplo
A esta altura é possível compreender por que James Edson publicou tantos hinários em sua vida e, durante muitos anos, o periódico Musical Messenger. Compreende-se também por que os adventistas do sétimo dia publicaram 23 hinários entre 1849 e 1900. "Os pioneiros adventistas encontravam nos cânticos de Sião o melhor antídoto para a depressão e desencorajamento. Eles cantavam sempre e em qualquer lugar. Enquanto iam a cavalo ou de carruagem para os humildes locais de reuniões, e como cantavam durante as reuniões! Freqüentemente cantavam sem acompanhamento, porque todo o dinheiro houvera sido gasto na construção de igrejas e nada sobrara para comprar algum instrumento. Mas não cantavam só nas igrejas. Cantavam também nos lares. (...) Nos cultos matutinos e vespertinos; individualmente, enquanto trabalhavam no campo, no comércio ou na cozinha (...)", testifica Ella Robinson.
O cultivo da música e o uso dos cânticos e hinos pela família White se toma para nós um exemplo e uma inspiração. No dia-a-dia, nos cultos da família, nas visitas, diante das congregações e com elas, Ellen e Tiago White sempre tinham hinos no coração e nos lábios.
Hoje, o aprendizado da música vocal ou instrumental é substituído pela aquisição de custosos e sofisticados aparelhos eletrônicos e o hábito de cantar em família, e mesmo na igreja, é substituído pelo ouvir, freqüentemente, desatento. O resultado são pessoas desafinadas e tristes, congregações que cantam mal e pouco, conjuntos excessivamente dependentes de instrumental e "reparos" eletrônicos, e ainda o cultivo de uma música primitiva, digo, superficial, pouco trabalhada, apenas carregada de ritmo e expressão.
Sem dúvida, estamos longe do modelo pioneiro e longe da vontade de Deus. Voltemos aos hinos de Sião, se queremos cantar com os cento e quarenta e quatro mil o hino da vitória!

Notas dos Editores:
[1] Agradecemos à Loide Simon por esta contribuição ao Música Sacra e Adoração.
[2] O hino com letra de Wesley – no novo Hinário Adventista do Sétimo Dia (HASD) – é o de número 97, com o título de "Meu Divino Protetor". Aproveitamos a nota para esclarecer ao leitor que todas as expressões localizadas entre [colchetes] são de autoria dos editores do site, e não constam do original.
[3] Não consta do Hinário Adventista do Sétimo Dia.
[4] Hamel, Paul. Ellen White and Music: Background and Principles. Washington D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1976

Fonte: Revista Adventista. Novembro de 1981, pp. 38-9.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Perdoadora Graça de Deus

A perdoadora graça de Deus, Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades.
Conta-se o caso de uma jovem pianista que aprendeu uma lição de misericórdia e perdão de uma grande alma, e de modo estranho. Ela havia dado concertos em localidades da Alemanha. Para aumentar sua fama, anunciara-se como discípula do celebrado Liszt.
Ao chegar a uma cidade onde se tornara conhecida, ficou muito perturbada quando viu na lista dos recém-chegados ao hotel, o nome de Liszt! Que poderia fazer? Seu engano certamente seria descoberto, e nunca mais ousaria dar outro concerto.
Em seu completo desespero resolveu recorrer à misericórdia do grande artista. Trêmula, rosto banhado em lágrimas de humilhação, ajoelhou-se a seus pés para confessar a fraude e implorar-lhe perdão. Relatou-lhe a história de sua vida.
Fora deixada órfã quando criança e, como nada mais possuía senão seus dotes musicais, tinha se aventurado a buscar proteção de seu grande nome, para assim vencer os muitos obstáculos e contratempos. Sem isso nada teria conseguido. Porém ela lhe perguntou se lhe perdoaria.
– Venha, venha, – disse o maestro – ajudando-a a levantar-se – vamos ver o que se pode fazer. Aqui está o piano. Deixe-me ouvir uma peça das que vai tocar no concerto amanhã.
Ela obedeceu e começou a tocar, muito timidamente a princípio, mas logo com renovada esperança e entusiasmo. O grande músico postou-se a seu lado e lhe fez algumas sugestões sobre como melhorar. Terminada a peça, disse ele bondosamente:
– Agora, minha filha, eu lhe dei uma lição de música. Você é discípula de Liszt.
Antes que ela se pudesse recompor, ele acrescentou:
– Estão impressos os programas?
– Ainda não, senhor!
– Então mande acrescentar ao seu programa que você será assistida por seu professor, e que a última peça será executada por Franz Liszt.

Nota: Será que nós não estamos fazendo igual àquela jovem pianista? Apenas nos interessando em se apropriar do nome de Cristo, como meio de vantagem, e não interessados no que ele pode nos fornecer? Apenas dispostos a ensinar aos outros sobre o que Cristo diz, mas não prontos a ouvir o que Jesus tem a nos dizer e ensinar?
Será que realmente acreditamos que ele está disposto não apenas de perdoar, mas também de nos ligar num relacionamento com Deus?
Será que cremos que ele quer se fazer presente em nosso “concerto” nos assistindo e operando?
Que a graça excelsa de Deus que nos salvou esteja sempre conosco!
M. Borges.
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