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domingo, 26 de agosto de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte IX)

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Wesley disse que esta doutrina [da perfeição cristã] “era o grande depósito que Deus havia armazenado no povo chamado metodista”. Pág. 116.

Contudo outro autor metodista, John L. Peters, reconhece o seguinte: “Todavia, se queremos ser cândidos, dificilmente podemos sustentar que no ensinamento e na pregação da Igreja (metodista) esta doutrina não tem hoje um lugar sequer parecido com o lugar tão significativo que Wesley lhe deu” [Christian Perfection and American Methodism, pág. 196]. Pág. 117.

Se a teologia wesleyana há de ser bíblica, deve repudiar a interpretação agostiniana do pecado inato, como uma concupiscência que permanece. A depravação moral pode somente entender-se como uma consequência do pecado mais básico e prévio, do orgulho (vide Rm 1:18-25). O orgulho guia o homem a buscar satisfação na criatura em vez de buscá-la no Criador glorioso.

Aqui Wesley protege sua posição contra a acusação que alguns têm feito de que ele tende a falar do pecado como se fora algo, uma quantidade, um objeto ou coisa, como um dente cariado que é necessário ser retirado. O pecado não é uma quantidade; é uma qualidade. Não é uma substância; é uma condição. O pecado é como a obscuridade; somente pode ser expulsa pela luz. Pág. 118.
 
Wesley também falou do pecado em termos de enfermidade e de Cristo como o Médico divino. Desse modo a santidade é a saúde espiritual restaurada, mas se desejamos permanecer sãos, devemos então obedecer às leis de Deus, que regem o bem-estar moral e espiritual. Pág. 119.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte VIII)

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De acordo com Wesley, o significado da carne em Romanos 7 é “o homem todo tal como ele é por natureza”, (ou seja, à parte de Cristo), e incluindo ambas as coisas: “um poder motivador de inclinações más e apetites do corpo”. Pág. 114-115.

A essência do pecado original não é a luxúria mas “o orgulho, pelo qual roubamos a Deus seu direito inalienável à glória, a qual usurpamos idolatradamente”. “Os pecados da carne são os filhos, não os pais do orgulho; e o amor a si mesmo é a raiz, não o ramo, de todo o mal”. Pág. 115.

“Temos esta graça não somente de Cristo mas nEle, pois nossa perfeição não é como a de um arbusto, que floresce pela seiva que deriva de sua própria raiz, mas... como a de um ramo assim, ao manter-se unido à videira, produz fruto; mas se é separado dela, seca e murcha” [John Wesley, Works, pág. 395]. Pág. 115.

“O mais santo dos homens ainda precisa de Cristo como seu Profeta, “a luz do mundo.” Porque Ele não lhe dá luz senão de momento a momento; no instante em que Ele se retire, tudo se torna trevas. Eles necessitam ainda de Cristo como seu Rei, pois Deus lhes dá reservas de santidade. Mas, se não recebem uma provisão de santidade em cada instante ficará apenas impureza. Mais ainda, necessitam de Cristo como Sacerdote para fazer expiação pelas suas coisas. Mesmo a santidade perfeita só é aceitável a Deus por intermédio de Jesus Cristo” [Works, pág. 417; Explicação Clara da Perfeição Cristã, pág. 46]. Pág. 115.



O cristão perfeito é santo, não porque tem cumprido certa norma moral requerida, mas porque vive neste estado de companheirismo com Cristo. Pág. 116.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte VII)

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Portanto da perspectiva da cristandade histórica, a doutrina wesleyana da perfeição cristã não é um provincianismo teológico. Ao fundir a justificação e a santificação, o pecado original e perfeição cristã, restaurou a mensagem do Novo Testamento à sua plenitude original. Pág.110.

[Wesley em um sermão com o título A Videira de Deus, disse:] “Frequentemente tem-se feita a observação de que poucos tem desenvolvido uma idéia clara quanto a justificação e à santificação. Quem escreveu mais habilmente sobre a justificação pela fé, que Martinho Lutero? E quem era mais ignorante da doutrina da santificação, ou mais confundido em seus conceitos sobre ela? ... Por outro lado, quantos escritores católicos (Francisco Sales e Juan Castiniza, em particular) tem escrito categoricamente e com fundamento bíblico sobre justificação e todavia desconheciam completamente a natureza da justificação! Tanto assim que todo o corpo de teólogos no Concílio de Trento... confundiu completamente a santificação e a justificação. Mas atribuo a Deus o dar aos metodistas um conhecimento pleno e claro de ambos e a ampla diferença entre as duas. pág. 111.

A doutrina completamente desenvolvida por Wesley é postulada em seu livro Uma clara explicação da perfeição, que foi publicada em 1766. Sua quarta edição, publicada em 1777, representa a declaração definitiva de sua posição. Pág. 111.

Ao ler A Perfeição Cristã deve-se recordar que aqui Wesley está delineando o progresso de seu próprio pensamento e que as declarações das primeiras seções nem sempre representam sua posição final. É na parte final do livro onde descobrimos a compreensão madura de Wesley quanto à perfeição cristã.

O resumo de onze pontos que Wesley oferece registrado, quase no final do livro, é uma apresentação condensada da doutrina. Pág. 112.

Para Wesley, o centro real da perfeição é o ágape – o amor de Deus para o homem. Seu “foco ardente” é a expiação. “amor perdoador está na raiz de toda ela”. Um dos versículos que Wesley cita com mais frequência é essa frase de I João: “Nós O amamos, porque ele nos amou primeiro”. O amor de Deus não é o amor prévio de Deus. Para Wesley – a santificação como a justificação – é, do princípio ao fim, obra de Deus. A justificação é o que Deus faz por nós, mediante o Cristo; a santificação é o que Deus faz em nós, mediante o Espírito Santo. “Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” (2Co 5:18). Esse teocentrismo definitivo e saturador livra sua doutrina da perfeição, de todas as tendências místicas e humanísticas que se encontram na maioria dos enunciados católicos dela.

Além do mais, Wesley venceu os aspectos objetáveis da doutrina agostiniana do pecado original. Em sua obra Perfeição Cristã, Wesley afirma: “Adão caiu e seu corpo incorruptível se tornou corruptível; e desde então é um peso para a alma, estorvando suas operações”. Mas neste frase está inteiramente ausente a idéia platônica de um corpo mau, assim como a ênfase agostiniana na concupiscência, com sua identificação concomitante da natureza humana e da natureza pecaminosa. Pág. 114.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte VI)


Para ler a quinta parte, clique aqui.
A justificação pela fé é, tal como dissera Lutero, “O artigo que decide que a igreja se levanta ou cai”.

Dr. Paul Sherer disse acerca dos neoprotestantes deste século: “Se a justificação era a menina dos olhos, a santificação foi seu ponto cego”. Pág. 98.

Felipe Jacobo Spener (1633-1705) é considerado o pai do pietismo, que foi um movimento de renovação espiritual entre os luteranos da Alemanha.

A tolerância de Spener era uma excessão notável ao dogmatismo que reinava em seu tempo. Seu lema se tornou clássico: “Nos pontos essenciais, unidade; nos pontos não essenciais, liberdade; em todas as coisas, amor”. Pág. 99.

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Os morávios, ou unitas fratrum, como preferiam ser chamados, eram descendentes dos taboritas, um ramo estreito dos discípulos de Jhon Huss. Pág. 104.

Foi precisamente um grupo destes missionários que deram a John Wesley, em sua viagem à America, o primeiro testemunho que ele jamais havia ouvido da salvação pela fé. Pág. 104-105.

Em virtude dos morávios não enfatizarem a doutrina, não é fácil dizer com exatidão qual era seu credo.

Seu evidente espírito neotestamentário atraiu o pregador inglês aos morávios e o fez manter com eles estreitas relações durante seus dois anos no Novo Mundo. Ao regressar a Londres, em 1783, Wesley conheceu outro morávio, Pedro Böhler, que resultou ser o instrumento de Deus para mostrar a Wesley, a verdadeira natureza da fé justificadora. O morávio estimulou Wesley dizendo-lhe: “Pregue a fé até que a tenha; e então, porque a tens, a pregarás” [John Wesley, Works, pág. 86].

Por este conselho Wesley iniciou pregar a fé. Dois meses depois, na noite de 24 de maio, Wesley teve sua notável experiência “do ardor estranho” em seu coração. Isto aconteceu na reunião que havia comparecido de má vontade, de uma sociedade (provavelmente era morávia) na rua Aldersgate, na cidade de Londres. “Senti que confiava em Cristo, em Cristo somente, para a salvação” escreveu Wesley em seu Diário, “e me foi dada a segurança de que Ele havia tirado meus pecados, precisamente os meus, e me havia salvo da lei do pecado e da morte” [John Wesley, Works, pág. 103]. Pág. 106.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte V)

Para a leitura da Quarta parte, clique aqui, Parte III, clicar aqui, Parte II clique aqui, para a 1ª. parte clique aqui.


Lutero cria e ensinou que o cristão que trabalhava no arado, era um homem tão religioso como o sacerdote que celebra o sacramento no altar. Pág. 79.

A contribuição mais decisiva da Reforma ao conceito da perfeição Cristã foi a recuperação do ensinamento neotestamentário de que a vida cristã plena pode ser a possessão de qualquer pessoa, em qualquer das vocações da vida. A Confissão de Augsburgo expressa tal verdade em seu artigo sobre esse assunto, da seguinte maneira: “a perfeição cristã é isto, temer a Deus sinceramente e também conceber uma grande fé. Além disso, é, confiar que, por causa de Cristo, Deus efetivou a paz conosco; pedir, e com certeza esperar ajuda de Deus em todos nossos assuntos, de acordo com nosso chamamento. Nestas coisas consistem a verdadeira perfeição e o verdadeiro culto a Deus e não no celibato, na mendicância ou em uma aparência vil. [Artigo 27].

Aludindo ao trabalho da empregada que cozinha, limpa a casa e faz outras tarefas domésticas, Lutero escreve: “Posto que o mandato de Deus está ali, até uma pequena ou humilde tarefa deve ser louvada como um serviço a Deus, que supera consideravelmente a santidade e o ascetismo de todos os monges e monjas”. Declarações como estas se encontram frequentemente nos sermões de Lutero. Melanchton expressa algo muito similar: “Todo o homem, seja qual for sua vocação, deve buscar a perfeição, ou seja, crescer no temor de Deus, na fé, no amor fraternal, e nas virtudes espirituais similares”. Pág. 90.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte IV)

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A debilidade fatal no ensinamento agostiniano da perfeição é sua tendência em identificar o pecado original com a luxúria sexual. Ele disse: “Há várias e diversas classes de luxúria: algumas têm seu próprio nome, outras, não... Todavia quando não se especifica um objeto, a palavra geralmente sugere à mente a excitação luxuriosa dos órgãos sexuais” [De civ. Dei(A Cidade de Deus), XIV:15, 16].
Segunda a teoria agostiniana, Adão e Eva receberam o mandato divino de povoar a terra e em seu estado original; antes da queda, não conheciam a excitação do desejo sexual. Se houvessem mantido este estado de inocência, “o homem haveria depositado a semente, a mulher recebido, tal como necessário. Neste caso, os órgãos sexuais seriam ativados pela vontade e não excitados pela luxúria” [De civ. Dei(A Cidade de Deus), XIV:24]. Pág. 66.
Porém o orgulho (“o apetite de uma exaltação exagerada”) foi “o princípio do pecado” e a luxúria foi uma consequência penal. [...] Agostinho interpreta a guerra entre os membros, tão vividamente descrita em Romanos 7, como “a luta entre a vontade e a luxúria” [De civ. Dei(A Cidade de Deus), XIV:23]. Pág. 66-67.
Esta tendência de definir o pecado original como luxúria sexual emana do conceito pagão que a criação material é má, per se. Reflete a filosofia dualista que fez parte dos antecedentes pré-cristãos de Agostinho. O conceito de que o mundo material é essencialmente mau prevalecia na antiguidade e a identificação do pecado como sexo era parte desta maneira de pensar. Esta idéia contribuiu para o ideal da virgindade e do celibato bem como para as verdadeiras expressões da santidade. Entretanto também obscureceu desnecessariamente a doutrina do pecado original. Tem sido quase impossível à Igreja desfazer-se da idéia de que a carnalidade e a luxúria sexual são praticamente sinônimas.
Tal identificação do corpo humano com a natureza pecaminosa não se encontra em parte alguma do Novo Testamento. Sem dúvida que nosso corpo não redimido é escravo e ferramenta do pecado. Mas precisamente, o propósito da morte de Cristo na cruz foi livrar nossos corpos do domínio do pecado (Rm 6:6), a fim de que nos consagremos a Deus e “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Romanos 6:12-13). Posto que somos os que temos saboreado as misericórdias de Deus, agora apresentamos nossos “corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12:1). Em outro lugar Paulo escreve: “Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo” (I Co 6:18). Na continuação o apóstolo recorda os coríntios: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Co 6:19-20). Inteiramente santificados, “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo”. (I Ts 5:23). Pág. 67.

Desde que o corpo, com seus apetites e impulsos, é uma fonte de tentação Paulo escreve: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (I Co 9:27). O natural deve ser sacrificado ao espiritual, se é que haveremos de ganhar a coroa da vida. Por essa razão escreve aos romanos: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8:13).

Portanto, a conclusão a que chegamos é que os desejos do corpo, incluindo o impulso sexual, não são pecaminosos em si mesmos. O desejo é a essência da tentação, mas tentação não é pecado (Tg 1:15-16). Pág. 68.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Resoluções Para o Novo Ano - Por Ellen G. White

Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Filipenses 3:13-15.
Ontem foi Dia de Natal. Fizestes como os magos, oferecendo vossos presentes a Jesus? Ou o inimigo mudou a ordem das coisas, e dirigiu o culto para ele mesmo? Os presentes são hoje ofertados a amigos e não Àquele que realizou tão grande sacrifício por nós. Todos os dons devem fluir em outro conduto, onde possam ser usados na salvação de homens.
O novo ano está bem diante de nós. Não deveriam os dons ser dedicados a um melhor fim do que foram até agora? Não deveria a confissão ser praticada e não deveríamos valer-nos do sangue de Cristo, que é capaz e está disposto a nos purificar de todo pecado? Por nossa causa, Cristo tornou-Se pobre.
No último grande dia seremos julgados de acordo com o que fizemos. Cristo dirá: "Porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; sendo forasteiro, não Me hospedastes; estando nu, não Me vestistes; achando-Me enfermo e preso, não fostes ver-Me. ... Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a Mim o deixastes de fazer." Mat. 25:42, 43 e 45. E Cristo declarará: "Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." Mat. 25:41.
Cristo veio e estabeleceu o exemplo da santificação, e se formos de Cristo, então realizaremos Suas obras. Em vez de satisfazer-nos a nós próprios estaremos buscando realizar o bem de outrem e compartilhar benefícios com a humanidade sofredora. E a menos que isto seja feito, não podemos esperar ter uma parte com Cristo.
Há pessoas a serem salvas ao nosso redor, e cada um tem uma obra a cumprir a fim de se reconciliar com Cristo. Esta é a obra que deve ser abraçada no ano novo. Estamos vivendo para o tempo e para a eternidade, e desejamos que a luz resplandeça em nosso caminho e em troca desejamos estender essas bênçãos a outros. A única maneira de sermos representantes de Cristo é amando-nos uns aos outros, e se refletirmos a imagem de Cristo, então quando entrarmos pelos portões da cidade, ouviremos dizer: "Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor." Mat. 25:21.
Que cada um se empenhe em melhorar seu registro celestial no próximo ano, e viva tão próximo a Deus que possa estar rodeado pela atmosfera do Céu, e assim ser um representante de Cristo. Meditação Matinal, Ano:1983, pág. 368.

sábado, 26 de novembro de 2011

Sinopses sobre Justificação e Santificação pela Fé

 

Justificação

Lutero, antes de conhecer a justificação pela fé, não entendia como Deus poderia salvá-lo em Sua Justiça, sendo que entendia que justiça é dar a pessoa o que ela merece.
Justificação forense é ser declarado legalmente justo.
Imaginem que vocês tenham uma conta bancária em que está negativa em R$200.000,00, e não tendo como pagar.
Então imaginem que um milionário liga para seu banco e diz que quer unir a conta dele com a sua, ou seja, abrir uma conta conjunta.
O que pertence a ele passa a pertencer também a você. É creditado, transferido para sua conta. E então a sua dívida é coberta pela imensa fortuna deste milionário. Como o gerente trataria agora você? Trataria como um milionário. Isto é imputação.
Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. (II Coríntios 5:21).

Na cruz Cristo tomou nosso lugar, ele foi declarado, atribuído, imputado, de forma forense os nossos pecados. Pecado sobre Ele, mas não nEle.

Da mesma forma nós somos com Sua justiça declarados justos. Você passa a ter justiça sobre você, mas não em você.

Somos declarados justos da mesma forma que Cristo foi declarado pecado. E isso é a Graça de Deus, um favor imerecido.

O fundamento da justificação é a graça de Deus, e não a fé: a fé em si, é apenas o instrumento, o meio, pelo qual nos apropriamos da (recebemos a) graça.

Corremos o risco muitas vezes de fazer da fé, outro tipo de obras. Esta questão fica clara quando é lido o texto “Porque pela graça sois salvos, mediante [através] a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

“Mediante a fé, recebemos a graça de Deus; mas a fé não é nosso Salvador. Ela não obtém nada. É a mão que se apega a Cristo e se apodera de Seus méritos, o remédio contra o pecado. E nem sequer nos podemos arrepender sem o auxílio do Espírito de Deus. Diz a Escritura de Cristo: "Deus com a Sua destra O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados." Atos 5:31. O arrependimento vem de Cristo, tão seguramente como vem o perdão” (Desejado de Todas as Nações, pág. 175).

A fé não é auto-gerada, você não a produz; ter fé é como se apaixonar; você se apaixona não devido a sua habilidade de produzir amor, mas devido à habilidade da outra pessoa de despertar amor em você. Da mesma forma a fé é baseada na habilidade de Cristo despertar fé em você.

A fé não é contra as obras, no ensino dos apóstolos, ela é somente contra quando obras se tornam um método de salvação, criando uma forma de competição com Cristo.

Quando nós estamos doentes, esperamos melhorar quanto para ir ao médico? Acaso não vamos até ele doentes? E os doentes (físicos e espirituais) que encontraram Jesus, eles continuaram doentes?

Santificação

Santificação é o resultado da justificação. Justificação não depende da santificação, mas a santificação depende da justificação. Logo elas não devem ser confundidas, mas também não devem ser separadas.
Justificação é aceitação da obra de Cristo por mim; santificação, em mim.
Uma é a raiz, a outra o fruto.
Uma é fundamento de nossa paz, a outra é base da nossa pureza
Uma é remoção da culpa do pecado, a outra é a remoção do poder do pecado
Uma é a justiça imputada, a outra é a justiça comunicada.
Uma é o nosso título para o céu, a outra nossa adequação para o Céu.
Uma tem haver com Cristo como Nosso Substituto, a outra como Nosso Exemplo, Modelo. 
Uma árvore não produz frutos para provar que está viva, ela produz frutos por que está viva.
O significado de santificação é separar para uso particular, especial. Separação do pecado.
Nós não vencemos como Cristo venceu, mas vencemos porque Ele venceu.
Nossa luta, nossa dedicação, fervor, surgem da gratidão, da vontade de agradá-Lo, cumprindo a vontade de Deus em nós.
A forma que os perfeccionistas consideram a Cristo, apenas como um modelo, e não um substituto também, simplesmente se torna algo frustrante, pois quando está se alcançando o ideal, ele se reprojeta para mais longe.
Nunca chegaremos a um estágio aqui nesta terra, que não nos seja necessário dizer: Pai Nosso, perdoa as nossas dívidas...
Na santificação, obra de uma vida toda, não estamos avançando para a santidade, como fosse um alvo a ser atingido, na verdade estamos avançamos em santidade.
Em busca da perfeição, não nos tornamos cada vez mais independentes de Cristo, por termos nos tornados (pretensamente) mais fortes espiritualmente, mas a santificação verdadeira é você tomar consciência crescente de que você depende de Cristo.
Um menino estava visitando um monumento em Washington, um enorme obelisco branco de granito e mármore de 170 metros de altura, o menino impressionado, tira uma moeda de um quarto de dólar, 25 centavos, e diz: - pai eu gostaria de comprar esse monumento.
O pai em solidariedade diz: - vá conversar com o guarda do parque e fale de seu plano.
O garoto vai ao guarda e diz, tirando novamente do bolso sua moeda brilhante de 25 centavos:
- Eu gostaria de comprar!
O guarda passa a mão sobre a cabeça do garoto e diz:
- filho, primeiro, não está à venda, em segundo lugar, o seu dinheiro não é o suficiente para comprá-lo, e em terceiro lugar, como americano, já é seu.
A salvação é assim, não está à venda, não poderíamos comprá-la, mas se você está em Cristo ela já pertence a você. Pela graça de Deus a salvação é sua.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte III)

Para ler a Parte II clique aqui, para a 1ª. parte clique aqui.

Clemente de Alexandria e Orígenes, seu sucessor, discernimos um tom e uma ênfase inteiramente diferentes. Em ambos, e especialmente em Orígenes, ouvimos a voz de Platão mais que a de Paulo. Se bem que estes dois teólogos estivessem saturados do conhecimento das Escrituras, criam em Cristo e o amavam supremamente. Apesar de tal fato, seus escritos exalam o espírito da filosofia grega. A perfeição que eles ensinam, não obstante impregnada da mente de Jesus e Paulo, é uma transformação cristã do ideal da virtude e da bondade perfeita que encontramos nos diálogos de Platão. Pág. 37.
Algumas pessoas têm colocado em dúvida a inclusão de Agostinho entre os campeões da perfeição cristã. O certo é que seu nome aparece entre amigos e inimigos desta verdade.
H. Orton Wiley inclui Agostinho entre as testemunhas da doutrina. Como evidência, ele cita a declaração de Agostinho que “ninguém deve atrever-se a dizer que Deus não pode destruir o pecado original nos membros, e estar Ele mesmo presente na alma, de maneira que, estando a velha natureza abolida inteiramente, a vida possa ser vivida aqui em baixo como uma contemplação eterna de Quem está em cima” [H. Orton Wiley, Cristian Theology, II, págs. 449-450]. Pág. 60.
Por outro lado, Agostinho também escreve o seguinte, em sua obra intitulada Retratações: “Ninguém, nesta vida, deve ser tão privilegiado... que não venha a existir em seus membros uma lei que luta contra a lei de sua mente” [1:19]. Ele inclui até os Apóstolos neste juízo. Somente Jesus e sua mãe (sic), afirma Agostinho, eram sem pecado [De natura et gratia, págs. 41-42]. Pág. 60.
A que se deve esta ambivalência? Em primeiro lugar, a tensão do conflito de Agostinho com Pelágio, que rejeitava a idéia do pecado original, levou o primeiro a negar a possibilidade de se viver sem pecado, nesta vida. Sob a pressão deste debate Agostinho uma posição extrema, que contradizia seus postulados declarados no restante de sua obra. Pág. 61-61.
Todavia há uma razão mais profunda desta confusão. A doutrina cabalmente desenvolvida sobre o pecado original, de Agostinho, embora tivesse obviamente suas raízes nas Escrituras, também exibia evidência inequívoca da influência grega, que falsearam o ensinamento bíblico. O resultado é uma doutrina na qual duas idéias inteiramente diferentes de pecado se mesclam e se confundem.
Agostinho pensava que a queda introduzira a luxúria ou concupiscência, que ele descreveu mais vividamente como o desejo sexual. Se o que Tiago chama “concupiscência” (Tg 1:14-15) é o pecado original, ou a depravação, então, obviamente, a inteira santificação é uma ilusão.
Mas o que nós declaramos é que tal compreensão de pecado original traz à tona uma tendência helenista de pensar no corpo físico como algo pecaminoso por si – o que é uma idéia que as Escrituras desconhecem. Destas premissas deve-se aceitar que tentação implica pecado. Qualquer doutrina da salvação que ligue o pecado tão intimamente aos desejos do corpo, terá que dar a mão a Agostinho e duvidar da possibilidade de alcançar a santidade antes da morte.
A doutrina agostiniana do pecado original deixou como herança à Igreja a chamada “teoria das duas naturezas”. Este é o ensinamento de que, pela graça, recebemos uma nova natureza, santa e justa, e que é uma adição à velha natureza – que permanece. Portanto o crente que nasceu de novo tem duas naturezas: uma, nova e livre do pecado; e outra velha e corrupta. Estas duas naturezas existem lado a lado, até a morte do crente. Desse modo, a santificação é somente um processo gradual, que espera a morte para dar-se por terminado ou completo. Pág. 61.
Até que este problema seja resolvido, é impossível ter-se uma doutrina bíblica da perfeição. Ninguém que pense seriamente sobre o tema pode fazer, por um lado, as perguntas que Agostinho faz mediante seu conceito de pecado original.  Pág. 61-62.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte II)

Para ler a primeira parte clique aqui.

A palavra hebraica, que traduzimos por santidade, é qodesh, a qual, com as suas correlatas, aparece mais de 830 vezes no Antigo Testamento. Pág. 15.
Os eruditos encontram três significados fundamentais em qodesh: [1] Frequentemente enuncia a idéia de “irromper com esplendor”. Assim, um erudito escreve: “Não há distinção clara entre santidade e glória”. [2] A palavra também expressa uma divisão, separação, uma elevação. [3] É provável que qodesh tenha vindo de duas raízes, uma das quais significa “novo”, “fresco”, “puro”. A santidade significa pureza, cerimonial ou moral. A pureza e a santidade são, praticamente sinônimas. Pág. 15-16.
O termo hebraico que traduzimos por perfeição significa plenitude, justiça, integridade, liberdade de mancha ou culpa, paz perfeita. Uma maneira de enunciar a idéia no Antigo Testamento era a expressão metafórica “caminhar com Deus” em fidelidade e companheirismo. Pág. 19.
A perfeição de Jó era uma questão de motivação, de seu amor desinteressado a Deus. O coração de Jó era perfeito diante de Deus, pois sua intenção era pura. Eis a idéia básica de perfeição no Antigo Testamento. Pág. 20.
O verbo teleio que se traduz “aperfeiçoar”, aparece vinte e cinco vezes no Novo Testamento. Significa (1) realizar um propósito, alcançar certa norma, atingir uma meta dada, e (2) cumprir ou completar. Paulo usa o adjetivo, teleios, sete vezes. Em vários casos é óbvio seu significado de ser “maduro”, no sentido moral (I Co 14:20; Ef 4:13-14). Mas em I Co 2:6 e 15, os “perfeitos” são considerados iguais aos “espirituais” (que ocorre em I Co 3:1). Pág. 27.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte I)

As páginas são referentes ao livro em questão (Dos Apóstolos a Wesley).
Quando perguntaram a Wesley quando principiava a santificação, ele respondeu: “No momento em que somos justificados, a semente da virtude é plantada na alma. Desde esse momento o crente morre gradualmente para o pecado e cresce na graça. Entretanto o pecado permanece nele; efetivamente, a semente de todo o pecado (fica nele) até que seja santificado no espírito no espírito, alma e corpo”. Pág. 10.
Em seu sermão intitulado, “Trabalhando Nossa Própria Salvação”, John Wesley situa a graça da inteira santificação em seu devido contexto: “Pela justificação somos salvos da culpa do pecado e restaurados ao favor de Deus; pela santificação somos salvos do poder e da raiz do pecado e restaurados à imagem de Deus”. Pág. 11-12.
Wesley faz um resumo de seus ensinamentos com estas palavras: “Ao usar o termo perfeição quero dizer o amor humilde, terno e paciente de Deus, e ao nosso próximo, governando nosso temperamento, nossas palavras e ações”. Pág.12.
Wesley teve muito cuidado em proteger-se de uma interpretação legalista ou farisaica da perfeição, ao insistir continuamente em que “não há tal perfeição nesta vida que implique uma libertação completa, seja da ignorância ou de erros, em coisas que não sejam essenciais à salvação, ou de múltiplas tentações, ou de um sem-número de fraquezas, com as quais o corpo corruptível oprime mais ou menos a alma”. Pág. 12-13.
O Bispo Foster nos deu a declaração clássica sobre este particular: “A santidade pulsa na profecia, ressoa na lei, murmura nas narrações, sussurra nas promessas, suplica nas orações, irradia na poesia, vibra nos salmos, fala nos símbolos, resplandece nas imagens, articula-se na linguagem e arde no espírito de todo o sistema, desde o alfa até o ômega, desde o princípio até o fim. Santidade! Santidade necessitada! Santidade requerida! Santidade oferecida! Santidade possível! A santidade, dever presente, privilégio atual, gozo de cada dia, é o progresso e a consumação deste maravilhoso tema! É a verdade brilhando por toda parte, transbordando em toda a revelação. É a verdade gloriosa que irradia, e sussurra, e canta, e brada em toda a sua história. É a biografia, a poesia, a profecia, os preceitos, a promessa, a oração. É a grande verdade central de todo o sistema. O surpreendente é que nem todos a vêem e que alguém se levante para questionar uma verdade tão gloriosa e tão cheia de consolo”. Pág. 14.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Cordeiro de Deus

Não é por meio de debates e discussões que a alma é iluminada. Devemos olhar e viver. Nicodemos recebeu a lição, e levou-a consigo. Examinou as Escrituras de maneira nova, não para a discussão de uma teoria, mas a fim de receber vida para a alma. Começou a ver o reino de Deus, ao submeter-se à direção do Espírito Santo.

Milhares existem, hoje em dia, que necessitam da mesma verdade ensinada a Nicodemos mediante a serpente levantada. Confiam em sua obediência à lei de Deus para se recomendarem a seu favor. Quando são solicitados a olhar a Jesus, e a crer que Ele os salva apenas pela Sua graça, exclamam: "Como pode ser isso?"

Como Nicodemos, devemos estar prontos a entrar na vida pela mesma maneira que o maior dos pecadores. Além de Cristo "nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos". Atos 4:12. Mediante a fé, recebemos a graça de Deus; mas a fé não é nosso Salvador. Ela não obtém nada. É a mão que se apega a Cristo e se apodera de Seus méritos, o remédio contra o pecado. E nem sequer nos podemos arrepender sem o auxílio do Espírito de Deus. Diz a Escritura de Cristo: "Deus com a Sua destra O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados." Atos 5:31. O arrependimento vem de Cristo, tão seguramente como vem o perdão.

Como, então, nos havemos de salvar? - "Como Moisés levantou a serpente no deserto", assim foi levantado o Filho do homem, e todo aquele que tem sido enganado e mordido pela serpente, pode olhar e viver. "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." João 1:29. A luz que irradia da cruz revela o amor de Deus. Seu amor atrai-nos a Ele mesmo. Se não resistirmos a essa atração, seremos levados ao pé da cruz em arrependimento pelos pecados que crucificaram o Salvador. Então o Espírito de Deus, mediante a fé, produz uma nova vida na alma. Os pensamentos e desejos são postos em obediência à vontade de Cristo. O coração, o espírito, são novamente criados à imagem dAquele que opera em nós para sujeitar a Si mesmo todas as coisas. Então a lei de Deus é escrita na mente e no coração, e podemos dizer com Cristo: "Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu". Sal. 40:8. Desejado de Todas as Nações págs. 175-176.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Justificação e Santificação pela Fé

Quando por meio de arrependimento e fé aceitamos a Cristo como nosso Salvador, o Senhor perdoa nossos pecados e suspende a punição prescrita para a transgressão da lei. O pecador se encontra, então, diante de Deus como uma pessoa justa; desfruta o favor do Céu, e, por meio do Espírito, tem comunhão com o Pai e o Filho.
Então há ainda outra obra a ser realizada, e esta é de natureza progressiva. A alma deve ser santificada pela verdade. E isto também é realizado pela fé. Pois é somente pela graça de Cristo, a qual recebemos pela fé, que o caráter pode ser transformado.
É importante que compreendamos claramente a natureza da fé. Há muitos que crêem que Cristo é o Salvador do mundo, que o evangelho é verídico e revela o plano da salvação, mas não possuem uma fé que salva. Estão intelectualmente convencidos da verdade, mas isto não é suficiente; a fim de ser justificado, o pecador precisa ter aquela fé que se apropria dos méritos de Cristo para sua própria alma. Lemos que os demônios  "crêem e tremem", mas a sua crença não lhes traz justificação; e a crença dos que meramente dão aquiescência intelectual às verdades da Bíblia também não lhes trará os benefícios da salvação. Essa crença não atinge o ponto vital, pois a verdade não prende o coração nem transforma o caráter.
Na genuína fé para a salvação há confiança em Deus, por meio da crença no grande sacrifício expiatório efetuado pelo Filho de Deus, no Calvário. Em Cristo, o crente justificado contempla sua única esperança e seu único Libertador. Pode haver crença sem confiança; mas, sem fé, não pode haver certeza oriunda da confiança. Todo pecador que chegou ao conhecimento do poder de Cristo para salvar manifestará essa confiança de modo mais intenso ao progredir na experiência. Signs of the Times, 3 de novembro de 1890. Mensagens Escolhidas Vol. III, págs. 191-192.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Cristo - Nosso Meio de Escape

A condição de vida eterna é hoje justamente a mesma que sempre foi - exatamente a mesma que foi no paraíso, antes da queda de nossos primeiros pais - perfeita obediência à lei de Deus, perfeita justiça. Se a vida eterna fosse concedida sob qualquer condição inferior a essa, correria perigo a felicidade do Universo todo. Estaria aberto o caminho para que o pecado, com todo o seu cortejo de infortúnios e misérias, se imortalizasse.
            Era possível a Adão, antes da queda, formar um caráter justo pela obediência à lei de Deus. Mas deixou de o fazer e, devido ao seu pecado, nossa natureza se acha decaída, e não podemos tornar-nos justos. Visto como somos pecaminosos, profanos, não podemos obedecer perfeitamente a uma lei santa. Não possuímos justiça em nós mesmos com a qual pudéssemos satisfazer às exigências da lei de Deus. Mas Cristo nos proveu um meio de escape. Viveu na Terra em meio de provas e tentações como as que nos sobrevêm a nós. Viveu uma vida sem pecado. Morreu por nós, e agora Se oferece para nos tirar os pecados e dar-nos Sua justiça. Se vos entregardes a Ele e O aceitardes como vosso Salvador, sereis então, por pecaminosa que tenha sido vossa vida, considerados justos por Sua causa. O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter, e sereis aceitos diante de Deus exatamente como se não houvésseis pecado.
            E ainda mais, Cristo mudará o coração. Nele habitará, pela fé. Pela fé e contínua submissão de vossa vontade a Cristo, deveis manter essa ligação com Ele; e enquanto isso fizerdes, Ele operará em vós o querer e o efetuar, segundo a Sua vontade. Podereis então dizer: "A vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e Se entregou a Si mesmo por mim." Gál. 2:20. Disse Jesus a Seus discípulos: "Não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós." Mat. 10:20. Assim, atuando Cristo em vós, manifestareis o mesmo espírito e praticareis as mesmas obras - obras de justiça e obediência.
            Nada temos, pois, em nós mesmos, de que nos possamos orgulhar. Não temos nenhum motivo para exaltação própria. Nosso único motivo de esperança está na justiça de Cristo a nós imputada, e naquela atuação do Seu Espírito em nós e através de nós. Caminho a Cristo, pág. 62-63.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sinopses sobre Justificação e Santificação pela Fé

 

Justificação

Lutero, antes de conhecer a justificação pela fé, não entendia como Deus poderia salvá-lo em Sua Justiça, sendo que entendia que justiça é dar a pessoa o que ela merece.
Justificação forense é ser declarado legalmente justo.
Imaginem que vocês tenham uma conta bancária em que está negativa em R$200.000,00, e não tendo como pagar.
Então imaginem que um milionário liga para seu banco e diz que quer unir a conta dele com a sua, ou seja, abrir uma conta conjunta.
O que pertence a ele passa a pertencer também a você. É creditado, transferido para sua conta. E então a sua dívida é coberta pela imensa fortuna deste milionário. Como o gerente trataria agora você? Trataria como um milionário. Isto é imputação.
Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. (II Coríntios 5:21).

Na cruz Cristo tomou nosso lugar, ele foi declarado, atribuído, imputado, de forma forense os nossos pecados. Pecado sobre Ele, mas não nEle.

Da mesma forma nós somos com Sua justiça declarados justos. Você passa a ter justiça sobre você, mas não em você.

Somos declarados justos da mesma forma que Cristo foi declarado pecado. E isso é a Graça de Deus, um favor imerecido.

O fundamento da justificação é a graça de Deus, e não a fé: a fé em si, é apenas o instrumento, o meio, pelo qual nos apropriamos da (recebemos a) graça.

Corremos o risco muitas vezes de fazer da fé, outro tipo de obras. Esta questão fica clara quando é lido o texto “Porque pela graça sois salvos, mediante [através] a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

“Mediante a fé, recebemos a graça de Deus; mas a fé não é nosso Salvador. Ela não obtém nada. É a mão que se apega a Cristo e se apodera de Seus méritos, o remédio contra o pecado. E nem sequer nos podemos arrepender sem o auxílio do Espírito de Deus. Diz a Escritura de Cristo: "Deus com a Sua destra O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados." Atos 5:31. O arrependimento vem de Cristo, tão seguramente como vem o perdão” (Desejado de Todas as Nações, pág. 175).

A fé não é auto-gerada, você não a produz; ter fé é como se apaixonar; você se apaixona não devido a sua habilidade de produzir amor, mas devido à habilidade da outra pessoa de despertar amor em você. Da mesma forma a fé é baseada na habilidade de Cristo despertar fé em você.

A fé não é contra as obras, no ensino dos apóstolos, ela é somente contra quando obras se tornam um método de salvação, criando uma forma de competição com Cristo.

Quando nós estamos doentes, esperamos melhorar quanto para ir ao médico? Acaso não vamos até ele doentes? E os doentes (físicos e espirituais) que encontraram Jesus, eles continuaram doentes?

Santificação

Santificação é o resultado da justificação. Justificação não depende da santificação, mas a santificação depende da justificação. Logo elas não devem ser confundidas, mas também não devem ser separadas.
Justificação é aceitação da obra de Cristo por mim; santificação, em mim.
Uma é a raiz, a outra o fruto.
Uma é fundamento de nossa paz, a outra é base da nossa pureza
Uma é remoção da culpa do pecado, a outra é a remoção do poder do pecado
Uma é a justiça imputada, a outra é a justiça comunicada.
Uma é o nosso título para o céu, a outra nossa adequação para o Céu.
Uma tem haver com Cristo como Nosso Substituto, a outra como Nosso Exemplo, Modelo. 
Uma árvore não produz frutos para provar que está viva, ela produz frutos por que está viva.
O significado de santificação é separar para uso particular, especial. Separação do pecado.
Nós não vencemos como Cristo venceu, mas vencemos porque Ele venceu.
Nossa luta, nossa dedicação, fervor, surgem da gratidão, da vontade de agradá-Lo, cumprindo a vontade de Deus em nós.
A forma que os perfeccionistas consideram a Cristo, apenas como um modelo, e não um substituto também, simplesmente se torna algo frustrante, pois quando está se alcançando o ideal, ele se reprojeta para mais longe.
Nunca chegaremos a um estágio aqui nesta terra, que não nos seja necessário dizer: Pai Nosso, perdoa as nossas dívidas...
Na santificação, obra de uma vida toda, não estamos avançando para a santidade, como fosse um alvo a ser atingido, na verdade estamos avançamos em santidade.
Em busca da perfeição, não nos tornamos cada vez mais independentes de Cristo, por termos nos tornados (pretensamente) mais fortes espiritualmente, mas a santificação verdadeira é você tomar consciência crescente de que você depende de Cristo.
Um menino estava visitando um monumento em Washington, um enorme obelisco branco de granito e mármore de 170 metros de altura, o menino impressionado, tira uma moeda de um quarto de dólar, 25 centavos, e diz: - pai eu gostaria de comprar esse monumento.
O pai em solidariedade diz: - vá conversar com o guarda do parque e fale de seu plano.
O garoto vai ao guarda e diz, tirando novamente do bolso sua moeda brilhante de 25 centavos:
- Eu gostaria de comprar!
O guarda passa a mão sobre a cabeça do garoto e diz:
- filho, primeiro, não está à venda, em segundo lugar, o seu dinheiro não é o suficiente para comprá-lo, e em terceiro lugar, como americano, já é seu.
A salvação é assim, não está à venda, não poderíamos comprá-la, mas se você está em Cristo ela já pertence a você. Pela graça de Deus a salvação é sua.
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