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terça-feira, 21 de maio de 2019

A Doutrina do Casamento na Bíblia



“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”. Gênesis 2:24.



Deixar pai e mãe para constituir uma nova família envolve maturidade. Se unir à mulher através do casamento tornando-se uma só carne envolve intimidade.

             

O intuito divino é que no casamento o amor se mantenha durante toda a vida; que o amor dispensado de um pelo outro os atraia perpetuamente. Tal como o Sábio declara: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. [...] e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente”. (Provérbios 5:18-19).       



O apóstolo Paulo também orienta que um casal não deve privar-se das relações íntimas, senão por mútuo consentimento, por algum tempo, para se dedicarem ao jejum e à oração. Paulo conclui dizendo que o casal depois deveria se ajuntar novamente para que Satanás não os tentasse pela incontinência. (I Coríntios 7:3-5).



MATRIMÔNIO – UM CONCERTO VITALÍCIO

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido” Romanos 7:2-3.



“Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” I Coríntios 7:10-11.



“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”
I Coríntios 7:39.



Portanto, a reconciliação com o marido deve acontecer, ou que fique só.



Deve ser levado em consideração que, mesmo no caso em que a pessoa está com outra pessoa, tendo se separado em “tempos de ignorância”, os quais é dito que Deus não leva em conta, urge saber o que o apóstolo quis dizer. Uma vez que a pessoa obtenha o conhecimento da verdade, vai desfazer o mal que foi feito, em atitude de genuíno arrependimento, tal como o ladrão que roubava e deixa de roubar ou devolve seu dinheiro ilícito. O texto completo de Atos 17:30 declara: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam”. O significado é: tais pessoas eram ignorantes do poder de Deus para salvar. O ladrão rouba às escondidas por saber que é crime. Ele só não conhece o poder de Deus para salvar, ou se sabe, não aceita o dom gratuito.



COMO DEUS CONSIDERA O DIVÓRCIO

“Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio [divórcio]”. Malaquias 2:16.



Divorciar significa: separar-se, Repudiar significa: renunciar voluntariamente, rejeitar, repelir. Interessante considerar quão forte é a palavra repúdio. De fato, todo divórcio é um repúdio à pessoa que foi prometido amor por toda a vida.



MATEUS 19:9 E A DISTINÇÃO DE FORNICAÇÃO E ADULTÉRIO

“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”. Mateus 19:9.



A palavra no grego traduzida por “fornicação” é pornéia, palavra esta, que é distinta da utilizada para se referir a “adultério”, que é Moichéia.



Diversos textos bíblicos fazem a distinção entre fornicação e adultério: Oséias 4:13; Mateus 15:19; Marcos 7:21; I Coríntios 6:9-10; Gálatas 5:19-21.



Exegetas concordam que o sentido bíblico da palavra “fornicação” é restrito e não deve ser generalizado. Veja os comentários:



“[Fornicação é:] Relação sexual ilícita por parte de uma pessoa não casada” (Webster's New Collegiate Dictionary).



“Como a palavra fornicação nada mais significa que a união ilícita de pessoas não casadas, não pode ser empregada aqui (Mateus 5:32) com propriedade, quando se fala dos que são casados” (Clarke's Commentary).



Nos auxilia no entendimento do significado da palavra pornéia (fornicação) quando estudamos o relato do nascimento de Jesus:



“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente”. Mateus 1:18-19.



Devido a José ter “desposado” Maria, era necessário, para deixá-la, que ele desse uma carta de divórcio que anularia seu compromisso: uma espécie de contrato antenupcial. Ou seja, Maria estava desposada, porém, não havia ainda contraído núpcias.



A esta situação que os judeus em sua incredulidade se referiram em condenação a Jesus: “Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez. Vós fazeis as obras de vosso pai. Replicaram-lhe eles: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus.” João 8:40-41.



(Outro exemplo de contrato antenupcial que temos nas Escrituras é acerca dos genros de Ló que haviam de tomar as filhas dele ainda. Ver Gênesis 19:14).



Sendo assim, a cláusula de exceção de Mateus 5:32 e 19:9 (“a não ser por causa de fornicação”), se refere a uma espécie de garantia para o noivo que na noite de núpcias descobrisse uma possível enganação por parte da moça, quanto à sua virgindade, o qual anularia os votos naquelas circunstâncias. Jesus considerou este caso como justificável e que não seria devido à dureza de coração. Jesus se referiu a Deuteronômio 22:20-21.



A REAÇÃO DOS DÍSCIPULOS

“Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar”. Mateus 19:10.



É interessante notar a forma que se introduz na Bíblia a fala deles. Vale lembrar que nessa época os discípulos alimentavam vários erros de interpretação sobre diversas coisas. Assim, imaginemos que eles eram bem rígidos quanto ao assunto do casamento. Por exemplo, eles poderiam acreditar que só devido a adultério deveria haver o divórcio e não por qualquer motivo. No entanto, quando se deparam com a declaração de Jesus, fechando qualquer porta com esta maior rigidez do que a deles mesmo, declaram palavras de surpresa, e até mesmo o que parece ser desapontamento.



A declaração dos discípulos demonstra quanto ao risco envolvido em um matrimônio, testificando que é uma escolha sem volta, ou seja, não há divórcio. Sendo assim, uma escolha errada acarretaria fardo maior do que seria ter ficado só.
                                                                                               

CASAMENTO CIVIL



O casamento deve ser formalizado legalmente de acordo com a ordem civil, em obediência às leis e autoridades seculares. (Romanos 13:1-7; Tito 3:1; I Pedro 2:13-17).



Só estamos livres de obedecer quando o que as autoridades pedem se choca com as reivindicações divinas. (AA 68-69).



O casamento “religioso”, isto é, a cerimônia religiosa deve ocorrer necessariamente depois que os noivos estiverem legalmente casados de acordo com a ordem civil. Do contrário, a igreja deve se abster de realizar tal cerimonia visto não terem cumprido os requisitos pedidos por Deus em obediência às autoridades constituídas. Esta cerimônia envolve o reconhecimento por parte da igreja de que de fato aquele casal está casado e não o de realizar isto no momento.



O que conta pra Deus é o compromisso firmado. Sendo feito o voto matrimonial em um cartório, perante os homens, também estará sendo feito diante de Deus. Deus é testemunha daquele voto realizado. O ser humano não ficará livre do que prometeu devido a não tê-lo feito em um ambiente “sagrado”.



Em nenhuma parte das Escrituras encontramos que caracterizaria em um casamento duas pessoas manterem relações íntimas. Paulo fala claramente contra esta atitude, dizendo que não herdarão o reino de Deus os que fornicam assim como os adúlteros e outros pecadores. (I Coríntios 6:9; Gálatas 5:19-21). Ele não fala de existir um vínculo vitalício justamente porque não houve o voto.



Portanto, devemos entender que o voto matrimonial é um voto vitalício. Não existe outra categorização pra ele. A aliança que é firmada entre homem e mulher de compromisso mútuo, para a vida toda, é o que de fato caracteriza o casamento tal como foi instituído por Deus e reconhecido até hoje.



SÍMBOLO DA UNIÃO ENTRE CRISTO E SUA IGREJA


A união vitalícia do casamento é símbolo da união de Cristo com Sua Igreja. O espírito revelado para com a Igreja, é o que marido e mulher devem se dedicar mutuamente. Cada um deve cultivar a felicidade do outro. (Isaías 54).



“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela [...] Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja”. (Efésios 5:25-29).



O mesmo amor que Cristo dá à Igreja deve ser o amor do marido pela esposa. Este amor inclui a orientação de até mesmo se sacrificar pela mulher.



Vale destacar que por mais que o matrimônio possa criar uma profunda e misteriosa unidade entre duas pessoas, estes não devem perder a individualidade própria. Os homens, em especial, devem cuidar para que a legítima liderança não degenere-se em atitudes que levem à dominação da consciência da esposa. Mesmo aqueles que fizeram o concerto matrimonial continuam diante de Deus individualmente responsáveis pelas decisões tomadas. (II Coríntios 5:10).   

           

CONCLUSÃO – RESTAURAÇÃO DE TODAS AS COISAS

No assunto do casamento sempre tem havido tentativas de rebaixamento das normas, semelhante ao que os judeus faziam, devido a ser um povo de dura cerviz. As igrejas, de modo geral - tanto fora como dentro do adventismo - têm fracassado em fazer uma reforma completa.



Apesar de que na lei civil mosaica tenha sido de fato permitido o divórcio e novo casamento (Deuteronômio 24:1-4), a Bíblia declara que o Senhor odeia o divórcio. (Malaquias 2:16; Lucas 17:27). Cristo comenta que isso foi permitido devido à dureza dos corações, mas que no princípio não fora o casamento instituído desse modo pelo Criador. (Mateus 19:3-8). Em palavras das mais enfáticas, Ele declarou: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. (Mateus 19:6). Temos ainda no texto a reação dos discípulos e a fala final do Mestre. Nelas é demonstrado que aquele que faz o voto matrimonial, faz uma escolha para a vida toda. Se eventualmente revelar-se uma escolha errada, poderá acarretar a separação, e não havendo possibilidade de reconciliação, Deus capacitará a pessoa a permanecer só, seguindo a Sua vontade. (Mateus 19:10-12 e MDC 65).



O Senhor deseja que a Sua Igreja efetue a obra de restaurar o matrimônio à sua dignificante posição original. (Atos 3:19-21).



“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do SENHOR, E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”. Atos 3:19-21.



“Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” Mateus 19:3-8.



“Quando, posteriormente, os fariseus O interrogaram acerca da legalidade do divórcio, Jesus apontou a Seus ouvintes a antiga instituição do casamento, segundo foi ordenada na criação. [...] Ele lhes chamou a atenção para os abençoados dias do Éden, quando Deus declarou tudo "muito bom". Gên. 1:31. Então tiveram origem o casamento e o sábado, instituições gêmeas para a glória de Deus no benefício da humanidade”. O Maior Discurso de Cristo, pág. 63.



“No tempo do fim, toda instituição divina deve ser restaurada”. Profetas e Reis, pág. 678.





Autor: Matheus G. O. Borges

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Há Embasamento Bíblico para o Divórcio e Novo Casamento? - Parte Final

Continuação e Parte Final do artigo sobre divórico e novo casamento, caso o amigo internauta não tenha visto a primeira parte clique aqui.

5)         Um único marido por toda uma vida, essa é a afirmação da Bíblia, pois, fala que a mulher está ligada a seu marido em quanto viver (pois é um contrato vitalício, Romanos 7:2-3), uma possibilidade, no caso, para se ter um segundo marido, é de escolha da pessoa, de na viuvez se casar de novo. Quanto à exceção de Mateus 19:9 é um caso a parte: era como um seguro que o noivo tinha contra uma possível enganação por parte da moça quanto à sua virgindade, o qual anularia os votos naquelas circunstâncias. Porém, se o noivo já tinha aceitado a não-virgindade da moça, não havia motivo para a anulação, pois já era caso conhecido, apenas se fosse desconhecido o fato pelo noivo é que seria feita a anulação. Devemos nunca se esquecer que Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:16). Isto é testificado por Deus já no Antigo Testamento (neste texto, no caso, mostra o verdadeiro plano de Deus), acaso Jesus ia se contradizer aceitando a dureza do coração dos homens no tempo da Restauração de todas as coisas?

6)         Quando o Apóstolo Paulo fala sobre o assunto do casamento, na Carta aos Romanos, e na dos Coríntios, ele não limita os seus conselhos inspirados apenas a um caso, pois serviriam universalmente para os Filhos de Deus, sendo que o silêncio dele ao tratar dos detalhes das circunstâncias, mostra que se aplicam às várias circunstâncias. Paulo não se refere há um caso que houve infidelidade por parte do marido, e nem se refere a uma mulher que quer se separar por motivos seculares; ele não limita o texto inspirado a nenhum dos casos, mas para ambos, e também a outras circunstâncias especiais. Analisando a exegese do texto, fica claro que Paulo queria fechar a porta a qualquer motivo de separação e novo casamento.
           
7)        A reconciliação com o primeiro marido deve acontecer, mesmo que a mulher esteja em seu segundo casamento, ou que fique só. Também deve ser levado em consideração, que apesar de a pessoa ter se separado em “tempos de ignorância”, ela agora em arrependimento vai desfazer o mal feito, como o ladrão que roubava, deixa de roubar, ou devolve seu dinheiro ilícito; tal como é dito no artigo já citado:
Se essas duas pessoas se converteram, elas têm a obrigação de parar de cometer adultério continuado. A doutrina do arrependimento (Grego: metanoeo) diz que acontece uma mudança de mente, atitude e de comportamento quando uma pessoa é verdadeiramente salva.
Além do mais, convenhamos que o termo “tempos de ignorância” nem se aplica, pois os casais dos países da cristandade, já tinham o conhecimento de que era apenas um casamento por toda a vida, e até que a morte os separassem, quando se casaram. Isso não é uma verdade peculiar nossa, há conhecimento disso lá fora, antes de terem vindo para o remanescente fiel. Quando se apela para a emoção neste assunto, achei muito sensata a resposta do autor do artigo já citado, intitulado “Divórcio e Novo Casamento é o mesmo que adultério continuado”:
Pergunta: “O segundo casamento não deve ser desfeito porque os filhos dessa união fruto do divórcio e recasamento não merecem sofrer (1 Co. 7:10-11).”
“Resposta: Errado! Em primeiro lugar, esse argumento é um tiro pela culatra porque se houver filhos do legítimo casamento (primeiro), eles é que não deveriam sofrer! A questão, todavia, não é quem merece ou não merece sofrer, pois quando há divórcio sempre há sofrimento. A questão é o que a Bíblia ensina: Divórcio e novo casamento é adultério. Em segundo lugar, o relacionamento marido-mulher (eles são uma só carne até a morte) é sempre a prioridade. Em terceiro lugar, nada justifica uma situação de adultério continuado nem mesmo o sofrimento de filhos dessa união. Deve-se destacar que a responsabilidade dos pais permanecem”.
Há um argumento neste ponto da reconciliação com o primeiro marido. Esse fala que não era permitido voltar ao primeiro marido no tempo de Moisés, pois a mulher estava contaminada, e disso conclui que não se deve, hoje, se reconciliar com o primeiro marido, se houve segundo casamento (Deuteronômio 24). Porém, sabemos muito bem, que no tempo de Moisés era tempo de permissão, e não de restauração como é hoje, pois, se for assim, é necessário também nos adequarmos a outras ordenanças tais como: olho por olho, dente por dente, e não amar ao inimigo. Não há como aplicar aquele texto para nós, a menos que se conclua que é tempo de permissão hoje. Devemos ser criteriosos nos argumentos, senão, iremos concluir que a Bíblia está em contradição; devemos entender o Plano (Original), Permissão (Temporária) e Restauração (Final) de Deus (Atos 3:19-21), senão cairemos em engano.
Além disso, chamo à atenção os primeiros quatro versos de Deuteronômio 24 que, enquanto o divórcio é garantido, ainda assim a mulher divorciada torna-se “contaminada” por seu novo casamento (verso 4). Pode muito bem ser que, quando os fariseus perguntaram a Jesus se o divórcio era legítimo, ele baseou sua resposta negativa não somente na intenção de Deus expressa em Gênesis 1.27 e 2.24, mas também em Deuteronômio 24.4, em que o novo casamento pós-divórcio contamina a pessoa. Em outras palavras, existiam várias pistas na lei civil mosaica de que a concessão do divórcio era baseada na dureza do coração humano, e realmente (efetivamente) não tornavam o divórcio e o novo casamento legítimos (perante Deus). Quanto a uma pessoa solteira que casa com uma divorciada, o voto matrimonial não foi selado (confirmado por Deus), pois a parte divorciada não estava livre de seu primeiro voto, tornando portanto este voto matrimonial inválido. A pessoa solteira está livre do voto de casamento (pois este foi um voto nulo; sem efeito ou valor), apesar de que durante este tempo estivesse vivendo em fornicação. Já a parte divorciada está vivendo em adultério continuado. Sendo que o segundo casamento não valeu, a mulher divorciada não tem dois homens, e não se casou duas vezes – coisa proibida por Deus.

8)         O voto matrimonial é feito para valer dali em diante até que a morte os separe, porém há uma cláusula de exceção: havia uma segurança para o noivo, justamente por ele, na sua inocência, não desconfiando da noiva, viesse a ser enganado casando com uma moça que tinha perdido a virgindade. Um caso a parte como já disse.  Interessante notar que há alguns intérpretes que não fazem nem ligação com depois do casamento a cláusula de exceção, mas sim antes, veja: o autor Pedro de Almeida, da obra que foi citada durante o artigo, não faz a ligação de Mateus com Deuteronômio 22 que fala que mesmo depois de casado, por não encontrar virgem a moça, o homem poderia se separar; ele entende que se aplicava o texto apenas a antes do casamento, como é o caso de José e Maria. Para mim este é um equívoco do autor, pois Jesus queria dar esta segurança ao noivo mesmo depois de casado (tal como em Deuteronômio 22). Devemos também levar em conta a importância que se tinha pela virgindade da moça, e isto, não apenas para a cultura da época, mas também para Deus.  

9)         Quanto ao voto matrimonial gostaria de citar novamente o artigo sobre o divórcio: “O voto mais antigo é que tem que ser mantido! ... Não se pode fazer um novo voto, contrariando (Rom. 1:31 diz sobre os réprobos: "infiéis nos contratos") o primeiro voto! ... Consequentemente, esse voto tolo (ver um voto abominável em Jer. 44:25) do recasamento, é pecaminoso e uma afronta contra Deus. Ele não tem valor algum, e deve ser quebrado imediatamente para não se continuar em adultério. Esse segundo casamento nada vale diante de Deus, pois é considerado adultério. Se os homens o consideram erradamente de casamento, e um "divórcio" de acordo com as leis humanas é necessário para cancelá-lo, isso não viola 1 Co. 6:1-8, pois uma situação pecaminosa (que nunca deveria ter ocorrido em primeiro lugar) está sendo corrigida e não criada.

10)       Deus traçou um plano para a raça humana, e o havia sido dito para os patriarcas da fé, porém, no tempo de Moisés por causa da dureza de coração foi um tempo de permissões (temporárias), e adaptações da verdade de Deus, sendo como ensinos de vingadores, olho por olho, de pena de morte etc. Muitas vezes sem levarem em consideração a misericórdia, mas apenas baseado na justiça e na dureza do coração. Nunca saberemos ou entederemos totalmente neste mundo por que motivo Deus tolerou certos pecados; porém, é compreensível que pela constante incredulidade de Seu povo, Ele em Sua infinita sabedoria para não exterminar todo o povo (quantas rebeliões fariam eles se fosse exigido tudo?) tolerou eles, para que mesmo em meio à incredulidade, floresce-se  a justiça e misericórdia, para que houvessem homens reformadores que pregariam a verdade de Deus. O Senhor quer que O obedeçam, porém, somente se for o que nosso coração deseja.                                 
           Quando formos estudar o assunto do divórcio e novo casamento, não podemos nos basear no Velho Testamento em geral, especificadamente nas leis de Moisés que foram adaptações falhas do plano de Deus, porém, mesmo no Antigo Testamento vemos o Senhor dos exércitos contra o divórcio (Malaquias 2:16), mostrando assim a pecaminosidade de seu povo no costume de se divorciarem. O Plano de Deus para a Restauração de todas as coisas está no Novo Testamento: lá podemos encontrar o que Deus pensa sobre o assunto do casamento sem permissões dadas temporariamente por causa da dureza do coração. Com efeito, Jesus aponta para antes de Moisés, para a Criação quando tudo era perfeito, e fala que essa deve ser a norma.
Que Deus seja engrandecido em todo estudo que houver de Sua Palavra, e não de nenhum de nós, seus servos, aprendendo cada dia como obedecer a Ele por amor.

APÊNDICE

Pornéia = Fornicação.
Esta é a tradução de João Ferreira de Almeida e diversos outros tradutores. Na Septuaginta (Versão em grego do Antigo Testamento), o texto de Deuteronômio 22 (não só este texto, bem como muitos outros), que fala da fornicação da moça, é traduzido do hebraico como sendo pornéia, sendo esta versão dos 70 eruditos judeus uma das mais tradicionais traduções da Bíblia. Assim reafirmando o paralelo entre Deuteronômio 22, e as palavras de Jesus em Mateus 19:9.

Um dos textos mais esclarecedores quanto ao significado de pornéia, é este: “Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez. Vós fazeis as obras de vosso pai. Replicaram-lhe eles: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus.” João 8:40-41 (ver também I Coríntios 5:1 e 10; 7:2; Judas 1:7; etc.).  Fica claro o significado da palavra pornéia no episódio de Maria, sendo que a acusação que faziam era referente a fornicação; e posteriormente Jesus foi chamado levianamente também pelos incrédulos de filho de fornicação, sendo sempre este o significado de pornéia na Bíblia.

Fornicação e adultério as duas palavras juntas nos textos abaixo caracterizando uma diferença confira:

 I Coríntios 6:9 e 18; Apocalipse 21:8; Mateus 15:19; Marcos 7:21 etc.

Para os que insistem que a exegese feita neste estudo para com o sentido da palavra “fornicação” é equivocada, há especialistas nesta área que atestam a favor, apesar de que obviamente há outros que discordem delas. Veja o que dizem algumas autoridades advogando a favor de um sentido estrito, preciso, para a palavra em questão:

“[Fornicação é:] Relação sexual ilícita por parte de uma pessoa não casada” Webster’s New Collegiate Dictionary.

“Como a palavra fornicação nada mais significa que a união ilícita de pessoas não casadas, não pode ser empregada aqui (Mateus 5:32) com propriedade, quando se fala dos que são casadosClarke’s Commentary.

“Neste sentido os fornicários (pornoi) se distinguem dos adúlteros (moichoi) como em I Coríntios 6:9”. Baker’s Dictinary of Theology.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Há Embasamento Bíblico para o Divórcio e Novo Casamento? - Parte I

No estudo a seguir, é tida uma argumentação baseada em diversas considerações sobre o tema, divididas em 10 tópicos. Sem conter muitas vezes explicações contextuais, é feita a argumentação de forma sucinta; demonstrando assim o que as Escrituras ensinam sobre o tema, e de ordem mais específica uma breve análise da palavra fornicação.  

O estudo será divido em duas partes, e assim sendo, será publicada posteriormente a Parte Final.

O estudo começa diretamente analisando o episódio bíblico que diz que José era marido de Maria quando esta descobre estar grávida, mas também diz estar Maria desposada de José. (Mateus 1:18-20).

1)         A explicação do episódio de José e Maria é que era necessário José dar carta de divórcio, que era como fosse um documento que anularia seu primeiro compromisso: seu pacto antenupcial. Maria estava desposada, porém, não haviam contraído núpcias. Na Bíblia é considerado justo José fazer isto, por isso é avisado em sonho para não fazê-lo, pois ela (Maria) não tinha sido infiel a ele. O livro de Mateus justifica José quanto a este caso, mostrando que era este o ensinamento de Jesus posteriormente (19:9). Era um divórcio justo tanto na lei mosaica (pois era uma segurança para o noivo, e não baseada na dureza do coração), como para Cristo que autorizou uma exceção à regra neste caso, para continuar o moço com a segurança. Porém o certo seria que, mesmo neste caso, o marido que descobrisse na noite de núpcias a infidelidade da moça, a perdoasse, e aceitasse o seu arrependimento se esse se demonstrasse, pois durante o noivado não houve arrependimento nem confissão. Na verdade, Jesus rejeitou ambas as escolas da época, rejeitou a lei mosaica (aonde continha a permissão de divórcios pela dureza de coração), e tudo o que defendesse o divórcio, pois chamou atenção para plano de Deus, antes do pecado, quanto à instituição gêmea ao Sábado, o Matrimônio.

2)         É questionável todas as interpretações quanto ao que significa a afirmação dos discípulos em Mateus 19:10: “Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”. Alguns entendem como uma simples declaração demonstrando quanto ao risco que há em um matrimônio, testificando que é uma escolha sem volta, ou seja, não há divórcio, sendo assim uma escolha errada acarretaria fardo maior do que seria ter ficado só.

Contudo é de se estranhar à forma que se introduz na Bíblia a fala deles. É sempre bom lembrar que nessa época, os discípulos alimentavam vários erros de interpretação sobre diversas coisas, e sabemos que muitas vezes foram muito incrédulos com Cristo. Pode ser que eles eram bem rígidos quanto ao assunto do casamento (acreditavam que só por adultério deveria haver o divórcio, e não por qualquer motivo, por exemplo), porém, com a declaração de Jesus fechando qualquer porta, ficaram decepcionados e surpresos com a maior rigidez de Cristo, do que a deles mesmo, proferiram palavras de dúvida e frustração quanto ao valor do casamento.
Acaso não está certo Deus quando disse “não é bom que o homem fique só”? Não podemos negar isso, esta é Sua vontade, Seu plano, desde Adão e Eva. Porém, há uma permissão de Deus para que o homem que quiser ficar sozinho, que fique; como é o caso do apóstolo Paulo; mas por que ficar sozinho? Pelo menos dois motivos legítimos há: o primeiro é o mesmo do apóstolo Paulo, para servir ao Senhor constantemente (porém, nem todos têm esse dom). Ou pelo motivo de não haver uma escolha correta para o casamento, ou apenas haver uma escolha duvidosa; nestes casos, às vezes é preferível ficar sozinho a fazer uma escolha errada e sofrer amarguras pelo resto da vida. Com certeza isso (ser bom não ficar só), não contradiz o texto de Paulo, não há contradição na Bíblia, as Escrituras querem enaltecer o valor do casamento (apesar de não ser para todos), que é o que devemos fazer. Quanto a Paulo, ele não quer contradizer a vontade de Deus, mas quer dar uma permissão (divina, não devido há dureza de coração) para aqueles que sentem pesado demais o fardo do casamento, ou não há realmente uma escolha adequada; ou mesmo, até pelo melhor motivo possível, do qual Deus mais se agrada: que é o de servi-lo constantemente, pois aquele que se casar cuida de sua mulher. (I Coríntios 7:32-33).
Em Mateus 19.10-12 ensina Nosso Senhor que uma graça cristã especial é dada por Deus a discípulos que se sustentam na vida de solteiro, quando renunciam casar-se novamente de acordo com a lei de Cristo. Jesus não está dizendo que alguns de seus discípulos têm a habilidade de obedecer este casamento de não casar-se novamente e outros não. Ele está dizendo que a marca de um discípulo é que eles receberão um dom de continência, enquanto não-discípulos, não. A evidência para isto são os paralelos. 1) paralelo entre Mateus 19.11 e 13.11; 2) O paralelo entre Mateus 19.12 e 13.9,43 e 11.15; e 3) o paralelo entre Mateus 19.11 e 19.26.

3)         Muito usado pelos antidivorcistas é o argumento “estar em um segundo casamento é viver em adultério”, que além de ter apoio na língua materna (o grego), pela lógica dos fatos também está correto.
Por que digo isso: vamos criar um quadro de um casal que se separa por a mulher ter sido infiel, então o quadro se define como ela tendo sido adúltera (no passado). Mas continuando a história; esta mulher se casa novamente, une-se a um segundo marido. Logo, o divórcio que ela teve, e o novo casamento, caracteriza neste quadro adultério continuado, ela está sendo adúltera, porque ela pertence ao seu primeiro marido. Estando coabitando com este segundo, ela está sendo adúltera. O mesmo vale para o marido (a chamada "parte inocente"), pois, não foi desfeito perante Deus o primeiro e único casamento do casal. Mostra-se facilmente que é diferente a pessoa que rouba e deixa de roubar, mente e deixa de mentir (mentiu um dia, mas não mente mais), porém, no caso do adultério, está no presente, não deixou de adulterar. Enquanto a segundo união permanecer, a condição de adultério permanece. Isto é claro na Bíblia. Mais claro ainda quando vemos além dos textos dos Evangelhos, os de Coríntios (principalmente I Coríntios 7) e de Romanos (especialmente no capítulo 7 em que é referido o caso da mulher que é chamada de adúltera). Gostaria de acrescentar alguns comentários tirados do artigo “Divórcio e Novo Casamento é o mesmo que adultério continuado” de Pedro Almeida, que nos ajudam a entender a questão:
A Bíblia deve ser pregada e as pessoas é que são responsáveis diante de Deus e pelas consequências de seus atos. Ela tem duas opções: Ou se reconcilia com o verdadeiro marido, ou fica como solteira (1Co. 7:11). O que não pode, é pessoas em situação de adultério, serem aceitas como membros de igrejas, ou exigirem membrezia. ...
“Desgraça seria para esse primeiro marido dessa mulher que poderia (hipoteticamente) estar esperando a reconciliação, mas vê a sua mulher vivendo com outro, e ainda ser aceita por uma igreja que diz crer na Bíblia.”


Gostaria de comentar algo mais sobre o episódio da vida de Davi, quando tomou a mulher de outro, e Deus permitiu. Uma passagem muito utilizada pelos divorcistas que dizem favorecer uma permissão de Deus ao segundo casamento. Primeiro que era tempo de permissão e não de restauração de todas as coisas(Atos 3:19-21); portanto, não pode se aplicar para nossos dias o caso de Davi. Segundo, um ponto que vários expositores do episódio deixam de dizer é que o marido de Bete-Sabá foi morto, ora, então ela estava livre para casar, logo, quando Davi casou com Bete-Sabá ela não mais “vivia em adultério”. Pecados gravíssimos Davi cometeu nesta questão; porém deles se arrependeu, e Deus o perdoou, sendo que ficaram no passado. Ela (Bete-Sabá) não ficou sendo chamada adúltera, por que era viúva. Porque seu marido tinha morrido, foi possível a união de ambos. Com certeza Deus não aceitaria a união deles se vivesse o marido, e enquanto Davi vivesse com Bete-Sabá, seria ela chamada de adúltera por Deus (Rom. 7:3). Há também um detalhe importante: Na época de Davi era permitido o divórcio, era permitida a poligamia do rei (Davi teve várias mulheres, antes de Bete-Sabá, e não se divorciou de nenhuma delas), também havia prostitutas em Israel e concubinas para o rei, que eram toleradas. Era tudo isto um claro desvio da vontade de Deus para com Seu povo.

4)         Apesar de que quando alguém se levanta para falar contra o divórcio possa parecer muito duro, e que para muitos deve haver mais misericórdia quando tratado o assunto, uma pessoa que quer analisar fielmente o assunto, deve o tratar sem condescendência. Muito embora haja quem diga como o rei Acabe que é um “perturbador de Israel” a pessoa que revela o pecado para libertar o pecador, apesar de parecer diversas vezes muito rígida ou extremista esta pessoa, não há motivo de ir contra, pois este quer remir do pecado e de um mundo perdido o pecador. O próprio Cristo pareceu duro demais quando não cedeu a nada que os fariseus disseram. Há por diversas vezes um choque do pecado, com a norma elevada de Deus. Porém, não podemos condescender.
Na verdade, a única forma de uma pessoa em seu segundo casamento voltar para Cristo completamente, sem reservas, é deixando sua condição de adultério e voltando para seu verdadeiro marido, ou que fique só. Pode parecer duro, mas não há outro jeito se quisermos ser fiéis à vontade de Deus. Quanto às alegações que fazem as pessoas para se divorciar, concordo com o que é dito no artigo já citado:
“Não há parte "inocente" num divórcio. Há pecados de comissão e omissão. Há recusa em prover: o amor conjugal, o carinho, o cuidado, o afeto genuíno e muitas outras omissões que os olhos não vêem. Mesmo que não haja algo como citado, quando um casamento fracassa os dois falharam”.

            Realmente é importante evitarmos ao máximo o casamento errado dentro da Igreja; deve haver séria conscientização, e com sabedoria pastores e obreiros devem lidar constantemente com estes assuntos relacionados ao bem-estar de uma vida inteira, que é o casamento; e mesmo entre os casados deve ser dito da tolerância que deve haver entre eles nas diferenças etc. Deve-se nas igrejas realmente ser pregado que o casamento é um contrato vitalício, o qual é testificado pelo Céu.

Clique aqui para ver a Parte II (Final).

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Estudo do BID relaciona novelas a divórcios no Brasil

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas.
Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo - cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90.
Segundo os autores do estudo, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, "a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível" nas cidades do país.
Além disso, a pesquisa descobriu que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.
Os resultados sugerem que essas áreas apresentaram um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na porcentagem de mulheres de 15 a 49 anos que são divorciadas ou separadas.
"O aumento é pequeno, mas estatisticamente significativo", afirmou Chong.
Os pesquisadores vão além e dizem que o impacto é comparável ao de um aumento em seis vezes no nível de instrução de uma mulher. A porcentagem de mulheres divorciadas cresce com a escolaridade.
O enredo das novelas freqüentemente inclui críticas a valores tradicionais e, desde os anos 60, uma porcentagem significativa das personagens femininas não reflete os papéis tradicionais de comportamento reservados às mulheres na sociedade.
Foram analisadas 115 novelas transmitidas pela Globo entre 1965 e 1999. Nelas, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.
Nas últimas décadas, a taxa de divórcios aumentou muito no Brasil, apesar do estigma associado às separações. Isso, segundo os pesquisadores, torna o país um "caso interessante de estudo".
Segundo dados divulgados pela ONU, os divórcios pularam de 3,3 para cada 100 casamentos em 1984 para 17,7 em 2002.
"A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras", diz a pesquisa.
Nota: Com o aumento de informação facilmente disponível , aumenta a nossa resposabilidade na hora de escolher o que vemos, ouvimos e lemos. Isso me faz lembrar de um conselho do Apóstolo Paulo que é muito preciso nesse ponto, e fala diretamente a nós hoje: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8).
  

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Abstinência antes do casamento ajuda vida sexual

Um estudo publicado pela revista científica Journal of Family Psychology, da Associação Americana de Psicologia, sugere que casais que esperam para ter relações sexuais depois do casamento acabam tendo relacionamentos mais estáveis e felizes, além de uma vida sexual mais satisfatória. Entre os ouvidos para a pesquisa, pessoas que praticaram abstinência até a noite do casamento deram notas 22% mais altas para a estabilidade de seu relacionamento do que os demais. Continue Lendo.

A mulher deve ser virgem ao casar?

Comprei a reimpressão da revista Realidade de janeiro de 1967, que na época foi apreendida pelo governo militar. Estou degustando aos poucos (como fazia nos meus tempos de UFSC) as reportagens bem escritas e em profundidade que caracterizaram essa revista que deixou saudades. A última página trazia a seção “Brasil pergunta”, e, nessa edição, a questão tratada é a seguinte: “A mulher deve ser virgem ao casar?” Gostei da resposta dada pela radialista Sarita Campos... Continue lendo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Há Embasamento Bíblico para o Divórcio e Novo Casamento? - Parte Final

Continuação e Parte Final do artigo sobre divórico e novo casamento, caso o amigo internauta não tenha visto a primeira parte clique aqui.

5)         Um único marido por toda uma vida, essa é a afirmação da Bíblia, pois, fala que a mulher está ligada a seu marido em quanto viver (pois é um contrato vitalício, Romanos 7:2-3), uma possibilidade, no caso, para se ter um segundo marido, é de escolha da pessoa, de na viuvez se casar de novo. Quanto à exceção de Mateus 19:9 é um caso a parte: era como um seguro que o noivo tinha contra uma possível enganação por parte da moça quanto à sua virgindade, o qual anularia os votos naquelas circunstâncias. Porém, se o noivo já tinha aceitado a não-virgindade da moça, não havia motivo para a anulação, pois já era caso conhecido, apenas se fosse desconhecido o fato pelo noivo é que seria feita a anulação. Devemos nunca se esquecer que Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:16). Isto é testificado por Deus já no Antigo Testamento (neste texto, no caso, mostra o verdadeiro plano de Deus), acaso Jesus ia se contradizer aceitando a dureza do coração dos homens no tempo da Restauração de todas as coisas?

6)         Quando o Apóstolo Paulo fala sobre o assunto do casamento, na Carta aos Romanos, e na dos Coríntios, ele não limita os seus conselhos inspirados apenas a um caso, pois serviriam universalmente para os Filhos de Deus, sendo que o silêncio dele ao tratar dos detalhes das circunstâncias, mostra que se aplicam às várias circunstâncias. Paulo não se refere há um caso que houve infidelidade por parte do marido, e nem se refere a uma mulher que quer se separar por motivos seculares; ele não limita o texto inspirado a nenhum dos casos, mas para ambos, e também a outras circunstâncias especiais. Analisando a exegese do texto, fica claro que Paulo queria fechar a porta a qualquer motivo de separação e novo casamento.
           
7)        A reconciliação com o primeiro marido deve acontecer, mesmo que a mulher esteja em seu segundo casamento, ou que fique só. Também deve ser levado em consideração, que apesar de a pessoa ter se separado em “tempos de ignorância”, ela agora em arrependimento vai desfazer o mal feito, como o ladrão que roubava, deixa de roubar, ou devolve seu dinheiro ilícito; tal como é dito no artigo já citado:
Se essas duas pessoas se converteram, elas têm a obrigação de parar de cometer adultério continuado. A doutrina do arrependimento (Grego: metanoeo) diz que acontece uma mudança de mente, atitude e de comportamento quando uma pessoa é verdadeiramente salva.
Além do mais, convenhamos que o termo “tempos de ignorância” nem se aplica, pois os casais dos países da cristandade, já tinham o conhecimento de que era apenas um casamento por toda a vida, e até que a morte os separassem, quando se casaram. Isso não é uma verdade peculiar nossa, há conhecimento disso lá fora, antes de terem vindo para o remanescente fiel. Quando se apela para a emoção neste assunto, achei muito sensata a resposta do autor do artigo já citado, intitulado “Divórcio e Novo Casamento é o mesmo que adultério continuado”:
Pergunta: “O segundo casamento não deve ser desfeito porque os filhos dessa união fruto do divórcio e recasamento não merecem sofrer (1 Co. 7:10-11).”
“Resposta: Errado! Em primeiro lugar, esse argumento é um tiro pela culatra porque se houver filhos do legítimo casamento (primeiro), eles é que não deveriam sofrer! A questão, todavia, não é quem merece ou não merece sofrer, pois quando há divórcio sempre há sofrimento. A questão é o que a Bíblia ensina: Divórcio e novo casamento é adultério. Em segundo lugar, o relacionamento marido-mulher (eles são uma só carne até a morte) é sempre a prioridade. Em terceiro lugar, nada justifica uma situação de adultério continuado nem mesmo o sofrimento de filhos dessa união. Deve-se destacar que a responsabilidade dos pais permanecem”.
Há um argumento neste ponto da reconciliação com o primeiro marido. Esse fala que não era permitido voltar ao primeiro marido no tempo de Moisés, pois a mulher estava contaminada, e disso conclui que não se deve, hoje, se reconciliar com o primeiro marido, se houve segundo casamento (Deuteronômio 24). Porém, sabemos muito bem, que no tempo de Moisés era tempo de permissão, e não de restauração como é hoje, pois, se for assim, é necessário também nos adequarmos a outras ordenanças tais como: olho por olho, dente por dente, e não amar ao inimigo. Não há como aplicar aquele texto para nós, a menos que se conclua que é tempo de permissão hoje. Devemos ser criteriosos nos argumentos, senão, iremos concluir que a Bíblia está em contradição; devemos entender o Plano (Original), Permissão (Temporária) e Restauração (Final) de Deus (Atos 3:19-21), senão cairemos em engano.
Além disso, chamo à atenção os primeiros quatro versos de Deuteronômio 24 que, enquanto o divórcio é garantido, ainda assim a mulher divorciada torna-se “contaminada” por seu novo casamento (verso 4). Pode muito bem ser que, quando os fariseus perguntaram a Jesus se o divórcio era legítimo, ele baseou sua resposta negativa não somente na intenção de Deus expressa em Gênesis 1.27 e 2.24, mas também em Deuteronômio 24.4, em que o novo casamento pós-divórcio contamina a pessoa. Em outras palavras, existiam várias pistas na lei civil mosaica de que a concessão do divórcio era baseada na dureza do coração humano, e realmente (efetivamente) não tornavam o divórcio e o novo casamento legítimos (perante Deus). Quanto a uma pessoa solteira que casa com uma divorciada, o voto matrimonial não foi selado (confirmado por Deus), pois a parte divorciada não estava livre de seu primeiro voto, tornando portanto este voto matrimonial inválido. A pessoa solteira está livre do voto de casamento (pois este foi um voto nulo; sem efeito ou valor), apesar de que durante este tempo estivesse vivendo em fornicação. Já a parte divorciada está vivendo em adultério continuado. Sendo que o segundo casamento não valeu, a mulher divorciada não tem dois homens, e não se casou duas vezes – coisa proibida por Deus.

8)         O voto matrimonial é feito para valer dali em diante até que a morte os separe, porém há uma cláusula de exceção: havia uma segurança para o noivo, justamente por ele, na sua inocência, não desconfiando da noiva, viesse a ser enganado casando com uma moça que tinha perdido a virgindade. Um caso a parte como já disse.  Interessante notar que há alguns intérpretes que não fazem nem ligação com depois do casamento a cláusula de exceção, mas sim antes, veja: o autor Pedro de Almeida, da obra que foi citada durante o artigo, não faz a ligação de Mateus com Deuteronômio 22 que fala que mesmo depois de casado, por não encontrar virgem a moça, o homem poderia se separar; ele entende que se aplicava o texto apenas a antes do casamento, como é o caso de José e Maria. Para mim este é um equívoco do autor, pois Jesus queria dar esta segurança ao noivo mesmo depois de casado (tal como em Deuteronômio 22). Devemos também levar em conta a importância que se tinha pela virgindade da moça, e isto, não apenas para a cultura da época, mas também para Deus.  

9)         Quanto ao voto matrimonial gostaria de citar novamente o artigo sobre o divórcio: “O voto mais antigo é que tem que ser mantido! ... Não se pode fazer um novo voto, contrariando (Rom. 1:31 diz sobre os réprobos: "infiéis nos contratos") o primeiro voto! ... Consequentemente, esse voto tolo (ver um voto abominável em Jer. 44:25) do recasamento, é pecaminoso e uma afronta contra Deus. Ele não tem valor algum, e deve ser quebrado imediatamente para não se continuar em adultério. Esse segundo casamento nada vale diante de Deus, pois é considerado adultério. Se os homens o consideram erradamente de casamento, e um "divórcio" de acordo com as leis humanas é necessário para cancelá-lo, isso não viola 1 Co. 6:1-8, pois uma situação pecaminosa (que nunca deveria ter ocorrido em primeiro lugar) está sendo corrigida e não criada.

10)       Deus traçou um plano para a raça humana, e o havia sido dito para os patriarcas da fé, porém, no tempo de Moisés por causa da dureza de coração foi um tempo de permissões (temporárias), e adaptações da verdade de Deus, sendo como ensinos de vingadores, olho por olho, de pena de morte etc. Muitas vezes sem levarem em consideração a misericórdia, mas apenas baseado na justiça e na dureza do coração. Nunca saberemos ou entederemos totalmente neste mundo por que motivo Deus tolerou certos pecados; porém, é compreensível que pela constante incredulidade de Seu povo, Ele em Sua infinita sabedoria para não exterminar todo o povo (quantas rebeliões fariam eles se fosse exigido tudo?) tolerou eles, para que mesmo em meio à incredulidade, floresce-se  a justiça e misericórdia, para que houvessem homens reformadores que pregariam a verdade de Deus. O Senhor quer que O obedeçam, porém, somente se for o que nosso coração deseja.                                 
           Quando formos estudar o assunto do divórcio e novo casamento, não podemos nos basear no Velho Testamento em geral, especificadamente nas leis de Moisés que foram adaptações falhas do plano de Deus, porém, mesmo no Antigo Testamento vemos o Senhor dos exércitos contra o divórcio (Malaquias 2:16), mostrando assim a pecaminosidade de seu povo no costume de se divorciarem. O Plano de Deus para a Restauração de todas as coisas está no Novo Testamento: lá podemos encontrar o que Deus pensa sobre o assunto do casamento sem permissões dadas temporariamente por causa da dureza do coração. Com efeito, Jesus aponta para antes de Moisés, para a Criação quando tudo era perfeito, e fala que essa deve ser a norma.
Que Deus seja engrandecido em todo estudo que houver de Sua Palavra, e não de nenhum de nós, seus servos, aprendendo cada dia como obedecer a Ele por amor.

APÊNDICE

Pornéia = Fornicação.
Esta é a tradução de João Ferreira de Almeida e diversos outros tradutores. Na Septuaginta (Versão em grego do Antigo Testamento), o texto de Deuteronômio 22 (não só este texto, bem como muitos outros), que fala da fornicação da moça, é traduzido do hebraico como sendo pornéia, sendo esta versão dos 70 eruditos judeus uma das mais tradicionais traduções da Bíblia. Assim reafirmando o paralelo entre Deuteronômio 22, e as palavras de Jesus em Mateus 19:9.

Um dos textos mais esclarecedores quanto ao significado de pornéia, é este: “Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez. Vós fazeis as obras de vosso pai. Replicaram-lhe eles: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus.” João 8:40-41 (ver também I Coríntios 5:1 e 10; 7:2; Judas 1:7; etc.).  Fica claro o significado da palavra pornéia no episódio de Maria, sendo que a acusação que faziam era referente a fornicação; e posteriormente Jesus foi chamado levianamente também pelos incrédulos de filho de fornicação, sendo sempre este o significado de pornéia na Bíblia.

Fornicação e adultério as duas palavras juntas nos textos abaixo caracterizando uma diferença confira:

 I Coríntios 6:9 e 18; Apocalipse 21:8; Mateus 15:19; Marcos 7:21 etc.

Para os que insistem que a exegese feita neste estudo para com o sentido da palavra “fornicação” é equivocada, há especialistas nesta área que atestam a favor, apesar de que obviamente há outros que discordem delas. Veja o que dizem algumas autoridades advogando a favor de um sentido estrito, preciso, para a palavra em questão:

“[Fornicação é:] Relação sexual ilícita por parte de uma pessoa não casada” Webster’s New Collegiate Dictionary.

“Como a palavra fornicação nada mais significa que a união ilícita de pessoas não casadas, não pode ser empregada aqui (Mateus 5:32) com propriedade, quando se fala dos que são casadosClarke’s Commentary.

“Neste sentido os fornicários (pornoi) se distinguem dos adúlteros (moichoi) como em I Coríntios 6:9”. Baker’s Dictinary of Theology.

domingo, 21 de novembro de 2010

Há Embasamento Bíblico para o Divórcio e Novo Casamento? - Parte I

No estudo a seguir, é tida uma argumentação baseada em diversas considerações sobre o tema, divididas em 10 tópicos. Sem conter muitas vezes explicações contextuais, é feita a argumentação de forma sucinta; demonstrando assim o que as Escrituras ensinam sobre o tema, e de ordem mais específica uma breve análise da palavra fornicação.  

O estudo será divido em duas partes, e assim sendo, será publicada posteriormente a Parte Final.

O estudo começa diretamente analisando o episódio bíblico que diz que José era marido de Maria quando esta descobre estar grávida, mas também diz estar Maria desposada de José. (Mateus 1:18-20).

1)         A explicação do episódio de José e Maria é que era necessário José dar carta de divórcio, que era como fosse um documento que anularia seu primeiro compromisso: seu pacto antenupcial. Maria estava desposada, porém, não haviam contraído núpcias. Na Bíblia é considerado justo José fazer isto, por isso é avisado em sonho para não fazê-lo, pois ela (Maria) não tinha sido infiel a ele. O livro de Mateus justifica José quanto a este caso, mostrando que era este o ensinamento de Jesus posteriormente (19:9). Era um divórcio justo tanto na lei mosaica (pois era uma segurança para o noivo, e não baseada na dureza do coração), como para Cristo que autorizou uma exceção à regra neste caso, para continuar o moço com a segurança. Porém o certo seria que, mesmo neste caso, o marido que descobrisse na noite de núpcias a infidelidade da moça, a perdoasse, e aceitasse o seu arrependimento se esse se demonstrasse, pois durante o noivado não houve arrependimento nem confissão. Na verdade, Jesus rejeitou ambas as escolas da época, rejeitou a lei mosaica (aonde continha a permissão de divórcios pela dureza de coração), e tudo o que defendesse o divórcio, pois chamou atenção para plano de Deus, antes do pecado, quanto à instituição gêmea ao Sábado, o Matrimônio.

2)         É questionável todas as interpretações quanto ao que significa a afirmação dos discípulos em Mateus 19:10: “Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”. Alguns entendem como uma simples declaração demonstrando quanto ao risco que há em um matrimônio, testificando que é uma escolha sem volta, ou seja, não há divórcio, sendo assim uma escolha errada acarretaria fardo maior do que seria ter ficado só.

Contudo é de se estranhar à forma que se introduz na Bíblia a fala deles. É sempre bom lembrar que nessa época, os discípulos alimentavam vários erros de interpretação sobre diversas coisas, e sabemos que muitas vezes foram muito incrédulos com Cristo. Pode ser que eles eram bem rígidos quanto ao assunto do casamento (acreditavam que só por adultério deveria haver o divórcio, e não por qualquer motivo, por exemplo), porém, com a declaração de Jesus fechando qualquer porta, ficaram decepcionados e surpresos com a maior rigidez de Cristo, do que a deles mesmo, proferiram palavras de dúvida e frustração quanto ao valor do casamento.
Acaso não está certo Deus quando disse “não é bom que o homem fique só”? Não podemos negar isso, esta é Sua vontade, Seu plano, desde Adão e Eva. Porém, há uma permissão de Deus para que o homem que quiser ficar sozinho, que fique; como é o caso do apóstolo Paulo; mas por que ficar sozinho? Pelo menos dois motivos legítimos há: o primeiro é o mesmo do apóstolo Paulo, para servir ao Senhor constantemente (porém, nem todos têm esse dom). Ou pelo motivo de não haver uma escolha correta para o casamento, ou apenas haver uma escolha duvidosa; nestes casos, às vezes é preferível ficar sozinho a fazer uma escolha errada e sofrer amarguras pelo resto da vida. Com certeza isso (ser bom não ficar só), não contradiz o texto de Paulo, não há contradição na Bíblia, as Escrituras querem enaltecer o valor do casamento (apesar de não ser para todos), que é o que devemos fazer. Quanto a Paulo, ele não quer contradizer a vontade de Deus, mas quer dar uma permissão (divina, não devido há dureza de coração) para aqueles que sentem pesado demais o fardo do casamento, ou não há realmente uma escolha adequada; ou mesmo, até pelo melhor motivo possível, do qual Deus mais se agrada: que é o de servi-lo constantemente, pois aquele que se casar cuida de sua mulher. (I Coríntios 7:32-33).
Em Mateus 19.10-12 ensina Nosso Senhor que uma graça cristã especial é dada por Deus a discípulos que se sustentam na vida de solteiro, quando renunciam casar-se novamente de acordo com a lei de Cristo. Jesus não está dizendo que alguns de seus discípulos têm a habilidade de obedecer este casamento de não casar-se novamente e outros não. Ele está dizendo que a marca de um discípulo é que eles receberão um dom de continência, enquanto não-discípulos, não. A evidência para isto são os paralelos. 1) paralelo entre Mateus 19.11 e 13.11; 2) O paralelo entre Mateus 19.12 e 13.9,43 e 11.15; e 3) o paralelo entre Mateus 19.11 e 19.26.

3)         Muito usado pelos antidivorcistas é o argumento “estar em um segundo casamento é viver em adultério”, que além de ter apoio na língua materna (o grego), pela lógica dos fatos também está correto.
Por que digo isso: vamos criar um quadro de um casal que se separa por a mulher ter sido infiel, então o quadro se define como ela tendo sido adúltera (no passado). Mas continuando a história; esta mulher se casa novamente, une-se a um segundo marido. Logo, o divórcio que ela teve, e o novo casamento, caracteriza neste quadro adultério continuado, ela está sendo adúltera, porque ela pertence ao seu primeiro marido. Estando coabitando com este segundo, ela está sendo adúltera. O mesmo vale para o marido (a chamada "parte inocente"), pois, não foi desfeito perante Deus o primeiro e único casamento do casal. Mostra-se facilmente que é diferente a pessoa que rouba e deixa de roubar, mente e deixa de mentir (mentiu um dia, mas não mente mais), porém, no caso do adultério, está no presente, não deixou de adulterar. Enquanto a segundo união permanecer, a condição de adultério permanece. Isto é claro na Bíblia. Mais claro ainda quando vemos além dos textos dos Evangelhos, os de Coríntios (principalmente I Coríntios 7) e de Romanos (especialmente no capítulo 7 em que é referido o caso da mulher que é chamada de adúltera). Gostaria de acrescentar alguns comentários tirados do artigo “Divórcio e Novo Casamento é o mesmo que adultério continuado” de Pedro Almeida, que nos ajudam a entender a questão:
A Bíblia deve ser pregada e as pessoas é que são responsáveis diante de Deus e pelas consequências de seus atos. Ela tem duas opções: Ou se reconcilia com o verdadeiro marido, ou fica como solteira (1Co. 7:11). O que não pode, é pessoas em situação de adultério, serem aceitas como membros de igrejas, ou exigirem membrezia. ...
“Desgraça seria para esse primeiro marido dessa mulher que poderia (hipoteticamente) estar esperando a reconciliação, mas vê a sua mulher vivendo com outro, e ainda ser aceita por uma igreja que diz crer na Bíblia.”


Gostaria de comentar algo mais sobre o episódio da vida de Davi, quando tomou a mulher de outro, e Deus permitiu. Uma passagem muito utilizada pelos divorcistas que dizem favorecer uma permissão de Deus ao segundo casamento. Primeiro que era tempo de permissão e não de restauração de todas as coisas(Atos 3:19-21); portanto, não pode se aplicar para nossos dias o caso de Davi. Segundo, um ponto que vários expositores do episódio deixam de dizer é que o marido de Bete-Sabá foi morto, ora, então ela estava livre para casar, logo, quando Davi casou com Bete-Sabá ela não mais “vivia em adultério”. Pecados gravíssimos Davi cometeu nesta questão; porém deles se arrependeu, e Deus o perdoou, sendo que ficaram no passado. Ela (Bete-Sabá) não ficou sendo chamada adúltera, por que era viúva. Porque seu marido tinha morrido, foi possível a união de ambos. Com certeza Deus não aceitaria a união deles se vivesse o marido, e enquanto Davi vivesse com Bete-Sabá, seria ela chamada de adúltera por Deus (Rom. 7:3). Há também um detalhe importante: Na época de Davi era permitido o divórcio, era permitida a poligamia do rei (Davi teve várias mulheres, antes de Bete-Sabá, e não se divorciou de nenhuma delas), também havia prostitutas em Israel e concubinas para o rei, que eram toleradas. Era tudo isto um claro desvio da vontade de Deus para com Seu povo.

4)         Apesar de que quando alguém se levanta para falar contra o divórcio possa parecer muito duro, e que para muitos deve haver mais misericórdia quando tratado o assunto, uma pessoa que quer analisar fielmente o assunto, deve o tratar sem condescendência. Muito embora haja quem diga como o rei Acabe que é um “perturbador de Israel” a pessoa que revela o pecado para libertar o pecador, apesar de parecer diversas vezes muito rígida ou extremista esta pessoa, não há motivo de ir contra, pois este quer remir do pecado e de um mundo perdido o pecador. O próprio Cristo pareceu duro demais quando não cedeu a nada que os fariseus disseram. Há por diversas vezes um choque do pecado, com a norma elevada de Deus. Porém, não podemos condescender.
Na verdade, a única forma de uma pessoa em seu segundo casamento voltar para Cristo completamente, sem reservas, é deixando sua condição de adultério e voltando para seu verdadeiro marido, ou que fique só. Pode parecer duro, mas não há outro jeito se quisermos ser fiéis à vontade de Deus. Quanto às alegações que fazem as pessoas para se divorciar, concordo com o que é dito no artigo já citado:
“Não há parte "inocente" num divórcio. Há pecados de comissão e omissão. Há recusa em prover: o amor conjugal, o carinho, o cuidado, o afeto genuíno e muitas outras omissões que os olhos não vêem. Mesmo que não haja algo como citado, quando um casamento fracassa os dois falharam”.

            Realmente é importante evitarmos ao máximo o casamento errado dentro da Igreja; deve haver séria conscientização, e com sabedoria pastores e obreiros devem lidar constantemente com estes assuntos relacionados ao bem-estar de uma vida inteira, que é o casamento; e mesmo entre os casados deve ser dito da tolerância que deve haver entre eles nas diferenças etc. Deve-se nas igrejas realmente ser pregado que o casamento é um contrato vitalício, o qual é testificado pelo Céu.


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