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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Proclamação da Mensagem do 1°. Anjo - Parte VI (Final)


Para o internatura acessar a quinta parte clique aqui, quarta parte clicar aqui, terceira parte aqui, segunda parte aqui, para primeira parte, aqui.

José Wolff – Peregrino em Terras Estranhas

Agora vamos analisar um dos maiores Arautos do Advento nessa época de despertamento da mensagem. Nascido na Bavária, atual território da Alemanha, foi ele o que mais longe foi para proclamar a mensagem, foi um verdadeiro peregrino. Sua vida é singular de várias formas e como veremos, ele apenas se mistura a outra classe de pessoas quando levamos em conta que ele foi mais um de vários pregadores do juízo iminente de Deus:

“Em 1821, três anos depois de Miller chegar à sua explicação das profecias que apontavam para o tempo do juízo, o Dr. José Wolff, "o missionário a todo o mundo", começou a proclamar a próxima vinda do Senhor. Wolff nasceu na Alemanha, de filiação hebréia, sendo seu pai rabino judeu. Quando ainda muito jovem, convenceu-se da verdade da religião cristã. Dotado de espírito ativo e inquiridor, fora ávido ouvinte das conversas em casa do pai, ao congregarem-se diariamente judeus devotos para recordarem as esperanças e expectativas de seu povo, a glória do Messias vindouro e a restauração de Israel. Ouvindo, certo dia, mencionar a Jesus de Nazaré, o menino perguntou quem era Ele. "Um judeu do maior talento", foi a resposta; "mas como pretendesse ser o Messias, o tribunal judaico O condenou à morte." "Por que então" - volveu o que fizera a pergunta - "se acha Jerusalém destruída e por que nos encontramos em cativeiro?" "Ai de nós!" - respondeu o pai - "porque os judeus assassinaram os profetas." Logo se insinuou na criança o pensamento: "Talvez fosse também Jesus um profeta, e os judeus O mataram sendo Ele inocente." - Viagens e Aventuras, do Rev. José Wolff. Tão forte foi esse pensamento que, embora lhe fosse proibido entrar em qualquer igreja cristã, muitas vezes se demorava do lado de fora a escutar a pregação.
Tendo apenas sete anos de idade, estava ele a jactar-se, diante de um idoso vizinho cristão, do triunfo futuro de Israel pelo advento do Messias, quando o ancião disse amavelmente: "Meu caro menino, dir-te-ei quem foi o verdadeiro Messias: Foi Jesus de Nazaré, ... a quem teus antepassados crucificaram, assim como fizeram com os profetas da antiguidade. Vai para casa e lê o capítulo 53 de Isaías, e te convencerás de que Jesus Cristo é o Filho de Deus." - Viagens e Aventuras, do Rev. José Wolff. A convicção prontamente se apoderou dele. Foi para casa, leu a passagem e admirou-se de ver quão perfeitamente ela se havia cumprido em Jesus de Nazaré. Seriam verdadeiras as palavras do cristão? Pediu o rapaz ao pai uma explicação da profecia, mas defrontou com um silêncio tão rigoroso que nunca mais ousou referir-se ao assunto. Isto, entretanto, apenas lhe aumentou o desejo de saber mais a respeito da religião cristã.
Era-lhe cautelosamente conservado fora do alcance o conhecimento que buscava em seu lar hebreu; mas, quando contava apenas onze anos de idade, deixou a casa paterna e saiu para o mundo a fim de obter por si mesmo educação, escolher sua religião e ofício. Encontrou durante algum tempo um lar entre os parentes, mas não tardou a ser por eles expulso como apóstata e, sozinho e sem dinheiro, teve de se conduzir entre estranhos. Ia de lugar em lugar, estudando diligentemente e conseguindo a subsistência com o ensino do hebraico. Por influência de um professor católico foi levado a aceitar a fé romana e formulou o propósito de se fazer missionário para o seu próprio povo. Com este objetivo foi, alguns anos mais tarde, prosseguir os seus estudos no Colégio da Propaganda, em Roma. Ali, seu hábito de pensar independentemente e falar com franqueza, acarretou-lhe a acusação de heresia. Atacava abertamente os abusos da igreja e insistia na necessidade de reforma. Embora a princípio fosse tratado com favor especial pelos dignitários papais, depois de algum tempo o removeram de Roma. Foi de um lugar para outro, sob a vigilância da igreja, até que se tornou evidente que nunca poderia ser levado a submeter-se ao cativeiro do catolicismo. Declararam-no incorrigível; deixaram-no em liberdade para que fosse onde lhe aprouvesse. Encaminhou-se então para a Inglaterra e, professando a fé protestante, uniu-se à Igreja Anglicana. Depois de dois anos de estudo se entregou, em 1821, à sua missão.”

Conta-se que quando estava no caminho para Roma encontrou diversos protestantes que tentaram dissuadir ele de ir dizendo: você não conhece a Igreja Católica. Vá para Roma e em breve será preso se continuar a falar lá como fala aqui conosco. Porém Wolff se negava a acreditar, e continuou sua jornada, e logo pode ver na prática o que seus amigos protestantes tinham avisado. Assim, se envolveu em muitas polêmicas, com alunos e professores, principalmente na questão da infalibilidade do papa.
Certo professor ensinava a história eclesiástica, e à medida que avançava no tempo, Wolff não via a hora que diriam sobre o reformador alemão Martinho Lutero, mas para sua decepção quando parecia que no próximo capítulo seria discutida a questão, o professor dava início a uma recapitulação de tudo o que haviam aprendido, sem passar em exame até o fim a história eclesiástica. Apesar de tudo, Wolff era muito sincero em suas convicções e dizia que seu sonho era se tornar papa algum dia.
Mas à medida que passava o tempo, mais se tornava indignado com a posição católica em certos temas, certa vez o tema da aula era Jansen, notável líder francês.
- Se a Igreja o tivesse queimado, teria feita uma boa coisa – disse professor.
Com grande indignação Wolff levantou-se e respondeu:
- A Igreja não tem o direito de queimar!
- Em base do que você diz isso? – pergunta o professor
- O mandamento diz: “não matarás” – fala candidamente Wolff
- O pastor tem o direito de matar o lobo que entra no redil
- Um homem não é um lobo – novamente indignado responde Wolff
- Mas dezessete papas queimaram hereges.
- Dezessete papas erraram – declara Wolff com ousadia.
Não demorou muito para que Wolff fosse expulso do colégio, na verdade ele correu sério risco de ser condenado pelos Inquisidores do Tribunal do Santo Ofício, no Vaticano, devido ao teor de várias de suas cartas.
Devido a um amigo (Henry Drummond), ele foi para a Inglaterra e finalmente decidira se tornar um protestante, entretanto deveria agora escolher qual Igreja ele se adequaria melhor; assim cada domingo visitava uma Igreja diferente, e após ter se acostumado com o silêncio e reverência das catedrais católicas, ele se sentiu chocado com as outras igrejas, entendendo que havia falta de reverência no culto dos londrinos. Foi assim que se identificou melhor com a Igreja anglicana no qual tudo era silêncio; e também se achou em sintonia com as suas doutrinas.
Algum tempo depois acompanhado de Edward Irving, o maior pregador da Inglaterra naquela época, foram a uma reunião importante de pregadores de toda Inglaterra, e ao estudarem as profecias, especialmente as de Daniel, convenceram-se que Jesus voltaria em breve a Terra.
Assim, Wolff não parava de pensar do seu dever de ir até aos seus compatriotas judeus, para pregar a eles não somente que o Messias já teria vindo, mas também que ele voltaria uma segunda vez.

“Ao mesmo tempo que Wolff aceitava a grande verdade do primeiro advento de Cristo como "homem de dores, e experimentado nos trabalhos", via que as profecias apresentavam, com igual clareza, Seu segundo advento com poder e glória. E, ao passo que procurava conduzir seu povo a Jesus de Nazaré como o Prometido, e indicar-lhes a Sua primeira vinda em humilhação, como sacrifício pelos pecados dos homens, ensinava-lhes também Sua segunda vinda como rei e libertador.
"Jesus de Nazaré, o verdadeiro Messias, dizia ele, cujas mãos e pés foram traspassados; que como um cordeiro foi levado ao matadouro; que foi o homem de dores e experimentado em trabalhos; que veio pela primeira vez, depois de ser o cetro tirado de Judá, e o poder legislativo de entre seus pés, virá pela segunda vez, nas nuvens do céu, e com a trombeta do Arcanjo" (Pesquisas e Trabalhos Missionários, de Wolff) "e estará em pé sobre o Monte das Oliveiras; e aquele domínio sobre a criação, que uma vez fora entregue a nosso primeiro pai, e por ele perdido (Gên. 1:26; 3:17), será dado a Jesus. Ele será rei sobre a Terra toda. Cessarão os gemidos e lamentações da criação, e cânticos de louvor e ações de graças serão ouvidos. ... Quando Jesus vier na glória de Seu Pai, com os santos anjos, ... os crentes que estiverem mortos ressuscitarão primeiro (I Tess. 4:16; I Cor. 15:23). Isto é o que nós, cristãos, chamamos primeira ressurreição. Então, o reino animal mudará a sua natureza (Isa. 11:6-9), e se submeterá a Jesus (Sal. 8). Prevalecerá a paz universal." (Diário do Rev. José Wolff.) "O Senhor novamente olhará para a Terra, e dirá que tudo é muito bom." - Ibidem.
Wolff cria na próxima vinda do Senhor, e sua interpretação dos períodos proféticos colocava o grande acontecimento em muito poucos anos de diferença do tempo indicado por Miller. Aos que insistiam nesta passagem: "Daquele dia e hora ninguém sabe" que os homens nada devem saber em relação à proximidade do advento, Wolff replicava: "Disse nosso Senhor que aquele dia e hora nunca deveriam ser conhecidos? Não nos deu Ele sinais dos tempos, a fim de que possamos ao menos saber a aproximação de Sua vinda, como alguém sabe da proximidade do verão pelo brotar das folhas na figueira? (Mat. 24:32.) Não deveremos jamais conhecer esse tempo, quando Jesus mesmo nos exorta, não somente a ler o profeta Daniel, mas a compreendê-lo? E o mesmo livro de Daniel, em que se diz que as palavras estavam fechadas até ao tempo do fim (conforme era o caso em seu tempo), declara que 'muitos correrão de uma parte para outra' (expressão hebraica para significar - observar e pensar a respeito do tempo), e a 'ciência' (em relação ao tempo) 'se multiplicará'. Dan. 12:4. Demais, nosso Senhor não tem o intuito de dizer com isto que a proximidade do tempo não será conhecida, mas que o 'dia e hora' exatos 'ninguém sabe'. Pelos sinais dos tempos, diz Ele, será conhecido o suficiente para nos induzir ao preparo para a Sua vinda, tal como Noé preparou a arca." - Pesquisas e Trabalhos Missionários, de Wolff.
Em relação ao sistema popular de interpretar as Escrituras, ou de mal-interpretá-las, escreveu Wolff: "A maior parte da igreja cristã tem-se separado do claro sentido das Escrituras, volvendo ao sistema fantasioso dos budistas; estes crêem que a futura felicidade dos homens consistirá em mover-se pelo ar. Admitem que, quando lêem judeus, devem entender gentios; e quando lêem Jerusalém, devem compreender igreja; e se se fala de Terra, significa Céu; e pela vinda do Senhor devem compreender o progresso das sociedades missionárias; e subir ao monte da casa do Senhor, significa imponente reunião religiosa dos metodistas." - Diário, do Rev. José Wolff.
Durante vinte e quatro anos, de 1821 a 1845, Wolff viajou extensamente: na África, visitando o Egito e a Etiópia; na Ásia, atravessando a Palestina, Síria, Pérsia, Usbequistão [antiga Bucária] e a Índia. Visitou também os Estados Unidos, pregando, na viagem para lá, na ilha de Santa Helena. Chegou a Nova Iorque em agosto de 1837; e, depois de falar naquela cidade, pregou em Filadélfia e Baltimore, dirigindo-se finalmente a Washington. Ali, diz ele, "por uma proposta apresentada pelo ex-presidente John Quincy Adams, em uma das casas do Congresso, concedeu-se-me unanimemente o uso do salão do Congresso para uma conferência que eu pronunciei em um sábado, honrada com a presença de todos os congressistas, e também do bispo de Virgínia e do clero e cidadãos de Washington. A mesma honra me foi conferida pelos membros do governo de Nova Jersey e Pensilvânia, em cuja presença fiz conferências sobre minhas pesquisas na Ásia, e também sobre o reino pessoal de Jesus Cristo". - Diário.
O Dr. Wolff viajou nos países mais bárbaros, sem a proteção de qualquer autoridade européia, suportando muitas dificuldades e cercado de inumeráveis perigos. Foi espancado e sofreu fome, sendo vendido como escravo, e três vezes condenado à morte. Foi assediado por ladrões, e algumas vezes quase pereceu de sede. Uma ocasião despojaram-no de tudo que possuía, obrigando-o a viajar centenas de quilômetros a pé, através de montanhas, descalço e com os pés enregelados ao contato do chão frio, e o rosto açoitado pela neve.”

Certa vez foi perguntado por um viajante inglês:
- Wolff há cristãos em Bokhara (ou Bucária)?
- Há pelo menos vinte, porque foi esse número que eu batizei de judeus, e agora aceitam plenamente a Jesus Cristo como o Messias.
É interessante notar também seu grande domínio das línguas – 14 ao todo, sendo: perito em 6, e capaz de conversar facilmente em outras 8 – isso possibilitou uma pregação eficaz a vários povos do oriente, e não somente a seus compatriotas judeus.
Para todos os lugares pregava também a volta de Cristo e ficou conhecido por isso.
Certa vez um famoso soldado britânico, Charles Napier lhe perguntou:
- Então é o senhor que acha que o fim do mundo virá em 1845?
- Não, senhor – explicou Wolff – não em 1845, mas em 1847.
Como se sabe, uma pequena diferença de tempo, para os que professavam a volta de Cristo na América, e o aguardavam em 1844. E não é necessária maior atenção para com esta diferença, pois, era somente técnica, já que o fundamento era o mesmo, a diferença se deve as informações que Wolff (tal como Irving) obteve quanto à data do decreto de Artaxerxes, que é o ponto de partida dos 2300 anos.
Conta-se também que depois de ter falado em um lugar tão importante como o congresso, perguntaram o que ele faria se chegassem ao ano de 1847, e nada se realizasse como esperado.
- Bem eu direi que Wolff estava equivocado - respondeu ele prontamente.

"Quando advertido pelo fato de ir desarmado entre tribos selvagens e hostis, declarava estar "provido de armas - oração, zelo para com Cristo e confiança em Seu auxílio. - "Também estou provido", disse ele, "do amor de Deus e do meu próximo, em meu coração, e da Bíblia em minhas mãos." - Em Perigos Muitas Vezes, W. H. D. Adams. Aonde quer que fosse, levava consigo as Escrituras em hebraico e inglês.
De uma de suas últimas jornadas diz ele: "Eu ... conservava a Bíblia aberta na mão. Sentia que o meu poder estava no Livro e que sua força me sustentaria." - Ibidem.”

Certa vez, aprisionado como espia, e levado perante o soberano da Pérsia, e sendo este reino muçulmano nesta época, bastante contrários aos cristãos, perguntaram a Wolff porque ele procurava tais dificuldades; porque não estava em sua casa comendo, bebendo e vivendo prazerosamente com sua família. Wolff discursou calmamente:
“Pela leitura deste livro verifiquei que nosso coração só se pode ligar a Deus crendo em Jesus; e ao crer isto, sinto-me como alguém que passeasse por um belo jardim, aspirasse a fragrância das rosas e escutasse o canto sonoro do rouxinol; e não me agrada ser a única pessoa feliz, por isto vou pelo mundo com o desígnio de convidar outros a passear de braço comigo pelo mesmo belo jardim” (Em História de Nossa Igreja, pág. 169).
Seu discurso agradou o soberano e sua corte, tanto que exclamavam ser ele um homem de Deus, cheio do amor de Deus; e além de ser solto, ele permaneceu como hóspede de honra por vários dias, em que foram aproveitados lendo a Bíblia e falando-lhes acerca de Jesus e Sua próxima vinda.

“Assim perseverou em seus labores até que a mensagem do juízo foi levada a uma grande parte habitável do globo. Entre judeus, turcos, persas, hindus e muitas outras nacionalidades e povos, ele distribuiu a Palavra de Deus nessas várias línguas, e em toda parte anunciou a proximidade do reino do Messias.”

Também há em seu diário um relato interessante, sobre um povo que ele encontrou que já acreditava na segunda vinda de Cristo, antes de seu contato com eles:

“Em suas viagens pelo Usbequistão [antiga Bucária] encontrou a doutrina da próxima vinda do Senhor, professada por um povo remoto e isolado.
Os árabes do Iêmen, diz ele, "acham-se de posse de um livro chamado 'Seera', que dá informação sobre a segunda vinda de Cristo e Seu reino em glória; e esperam ocorrerem grandes acontecimentos no ano de 1840". - Diário. "No Iêmen... passei seis dias com os filhos de Recabe. Não bebem vinho, não plantam vinhedos, não semeiam, e vivem em tendas; lembram-se do bom e velho Jonadabe, filho de Recabe; e encontrei em sua companhia filhos de Israel, da tribo de Dã, ... que esperam com os filhos de Recabe a breve vinda do Messias nas nuvens do céu." – Ibidem” (GC, págs. 357-362).

Por fim, depois de tantas viagens, pôde José Wolff finalmente dar a atenção devida a sua esposa que tantas vezes pensou que nunca mais o veria: durante seus últimos dezoito anos foi pastor de uma igreja na Inglaterra, até que o Senhor deu o repouso para Seu servo, ele viveu de 1795 a 1862.
Mas, olhando para aquele dia: Naquela manhã gloriosa da ressurreição, sabemos que a partir daquele dia Wolff terá muitas viagens a fazer, terá muitos planetas a visitar durante toda a eternidade, finalmente poderá realizar viagens em que não mais haverá perigo algum para com que se preocupar.    

Conclusão

Poderíamos dedicar ainda muito mais páginas para estes servos de Deus, mas fica esta obra restrita a pelo menos suscitar o estudo destes vários nomes, e não somente qualificar Guilherme Miller como proclamador da primeira mensagem angélica (que será analisado no próximo capítulo).

Para finalizar, uma rápida recapitulação destes grandes Arautos, espalhados por todo mundo, feita sucintamente por Ellen G. White:

“Graças aos labores, de Guilherme Miller e muitos outros na América, de setecentos ministros na Inglaterra, de Bengel e outros na Alemanha, de Gaussen e seus seguidores na França e na Suíça, de muitos ministros na Escandinávia, de um jesuíta converso na América do Sul e do Dr. Joseph Wolff em muitos países orientais e da África, a mensagem do advento foi levada a vastas regiões do globo habitável” (EGW, na revista Southern Watchman, de 24 de janeiro de 1905). [M. Borges]

domingo, 19 de dezembro de 2010

Peregrino em Terras Estranhas: José Wolff - Parte Final

Caso não tenha visto a primeira parte clique aqui

Por C. Mervyn Maxwell

Apoio financeiro para suas viagens  
Como financiou ele suas viagens? Principalmente pela liberalidade de Henry Drummond e seus amigos. Henry Drummond (1786-1860) era tanto um perito em agricultura científica como banqueiro. Por muitos anos foi um membro respeitado do Parlamento. Para sua segunda e terceira viagens Wolff foi patrocinado pela Sociedade para Promover o Cristianismo entre os judeus, que por sua vez era patrocinada por Henry Drummond.
Wolff foi financiado também por seus parentes por afinidade. Sua esposa, à qual em seus livros ele se refere como “Lady Georgiana”, pertencia a uma família nobre. Esta dama simpática ocasionalmente acompanhava seu marido em suas perigosas viagens. Nas horas escuras, quando Wolff pensava que ia ser executado em Bocara, escreveu uma nota em sua Bíblia: “Minha querida Georgiana, amei-a até à morte. Bocara 1844”.
Os judeus viviam em lugares espalhados. Os muçulmanos que formavam a maior parte da população em muitas áreas, não eram necessariamente hostis a um judeu cristão. Wolff, que raramente ficava em um mesmo lugar, falava em particular e em público tanto com judeus como com muçulmanos bem como com povos de outras religiões, distribuindo cópias das Escrituras na língua local. Também se encontrava com europeus que estavam servindo em missões diplomáticas ou comerciais, longe de casa. Muitas vezes lhe davam ouvidos amistosos. Quantos conversos fez, é difícil verificar, visto que não tentava dar um cunho institucional a seu trabalho, apesar de fundar umas poucas escolas.

Apelo baseado na profecia
Como acabamos de ver, a maior paixão de Wolff, como judeu cristão, era ganhar outros judeus para Cristo. Três de suas viagens ao Oriente Próximo foram empreendidas para encontrar e converter judeus a Cristo. Ao fazê-lo, também pregava a muitos cristãos, muçulmanos, hindus, parsis e outros. Seu método fundamental com judeus era primeiro afirmar que o Messias viria logo para estabelecer Seu reino em Jerusalém. A seguir, mostrava, a partir de Isaías 53, Miquéias 5:2 e outros textos messiânicos, que o Messias devia ser identificado com Jesus Cristo. Para confirmar sua identificação do Messias com Jesus, ele empregava a profecia das 70 semanas de Daniel 9, descrevendo seu cumprimento preciso na vida e ministério de Cristo. Concluída a explicação de Daniel 9, ele passava a expor os 2300 dias de Daniel 8:14, demonstrando que iam terminar em 1847, com a vinda do Messias em poder e glória. Tendo gravado na mente de seus ouvintes que o Messias iria voltar para estabelecer o reino judaico dentro de poucos anos, Wolff apelava para a crença em Jesus como Senhor e Salvador.
Notem que 1847, não 1844, foi a data que Wolff dava para a terminação dos 2300 dias. Não precisamos nos preocupar sobre a diferença, pois era apenas técnica, baseada na informação que ele tinha quanto à data do decreto de Artaxerxes em Esdras 7.
Muita gente pensa que a interpretação corrente da profecia dos 2300 dias foi desenvolvida por Guilherme Miller. Mas a primeira pessoa a ver os 2300 dias (“duas mil e trezentas tardes e manhãs”) de Daniel 8:14 como 2300 anos, foi um rabino, Nahawendi, que viveu no século nove. Como rabino, Nahawendi era um perito em hebraico. Com efeito, nos séculos nove e dez, rabinos (todos eles peritos em hebraico) na Pérsia, França, Espanha e Portugal estavam ensinando que os 2300 dias eram 2300 anos.
Através dos séculos, outros notáveis estudantes da Bíblia fizeram a mesma descoberta, entre eles Arnaldo Villanova, médico particular de vários papas. No tempo em que Miller nasceu, Johannes Petri, na Alemanha, estava mostrando que os 2300 dias eram ligados com as 70 semanas, com o resultado de que é fácil demonstrar que os 2300 dias deviam terminar por volta de 1840, porque se pode marcar o começo das 70 semanas em 457 a.C.
Miller descobriu a profecia dos 2300 anos em 1818, mas não começou a pregar a respeito antes de 1831. Ao mesmo tempo, bem longe no Oriente, Joseph Wolff, que nunca ouvira falar de Miller e que conhecia o hebraico a ponto de poder ensiná-lo, também tinha descoberto a mesma profecia e já começara a pregar a respeito.
Wolff sentiu-se confirmado em sua compreensão dos 2300 dias como 2300 anos quando visitou o mosteiro ao pé do Monte Sinai. Aí, para seu deleite, achou um livro de Johannes Stauros, um judeu búlgaro que vivera dois séculos antes, que também ensinara que os 2300 dias de Daniel 8 e os 1260 dias de Daniel 12 eram símbolos desses muitos anos.
Com o correr dos anos e ao se aproximar 1847, as pessoas perguntavam a Wolff que diria ele se o ano de 1847 passasse sem a volta do Messias. Ele respondeu simplesmente que admitiria que estava enganado. Wolff era um missionário cristão corajoso, ativo, criativo e inteligente. Ao pregar sobre a profecia dos 2300 dias, estava fazendo algo que Deus queria que fosse feito, algo cujo tempo chegara. Os 2300 dias terminaram por volta de 1840, e o Messias fez algo então em conexão com Seu reino. Daniel 7:9-14 mostra que naquele tempo “o Filho do homem” veio “nas nuvens do céu” ao “Ancião de dias” (não à Terra) para iniciar o julgamento no Céu, onde Ele deveria receber “o reino, o poder, e a força, e a majestade” (Daniel 2:37). Wolff estava mais certo do que imaginara.
Ele não descobriu seu erro até 1847. Gostaríamos que ele tivesse estado em mais íntimo contato com seus irmãos adventistas na América do Norte. Já por volta de 1847, chegou-se à compreensão na América do Norte de que a vinda de Cristo em 1844 não foi à Terra mas ao “Ancião de dias” no Céu, para o começo do julgamento lá, e, como acabamos de notar, para a recepção de Seu reino lá.

Anos posteriores
Em seus últimos anos, Wolff serviu como pastor de uma paróquia da Igreja Anglicana, no sudoeste da Inglaterra. Era imensamente popular como pregador. Foi convidado para falar em muitas igrejas na Inglaterra. De amigos que ele fazia em toda parte, pôde levantar recursos suficientes para uma nova igreja para sua congregação pobre e rural. Também conseguiu prover cada família em sua igreja com alimento e combustível, cada ano, durante os meses do inverno. Era muito amado.
A carreira assombrosa de Joseph Wolff é fascinante em si mesma, mas para os Adventistas do Sétimo Dia tem um interesse único, porque em todas as suas viagens perigosas ele anunciou a segunda vinda de Cristo sobre a base da profecia dos 2300 anos. Ele foi talvez o mais pitoresco do grande número de pregadores que anunciaram a Segunda Vinda em boa parte do mundo no Grande Despertamento do Segundo Advento das décadas de 1830 e 1840.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Peregrino em Terras Estranhas: José Wolff - Parte I

Por C. Mervyn Maxwell
Senhor Wolff, dez homens foram encarregados de assassiná-lo hoje à noite ao chegar a seu próximo destino. Eis uma lista de seus nomes. Que Alá o defenda”.
Com tais palavras soando em seus ouvidos, Joseph Wolff despediu-se em 1844 da cidade de Bocara, no sudoeste do Uzbekistan.
Joseph Wolff! Seu nome me tem intrigado desde minha infância, este homem que podia falar tantas línguas, que sobreviveu a tantas aventuras e que pregou a Segunda Vinda em tantos lugares da África e do Oriente Próximo na época em que Guilherme Miller estava pregando na América. Ellen G. White lhe devotou cinco páginas no Conflito dos Séculos (357-362).
“Graças aos labores,” escreveu a Sra. White, “de Guilherme Miller e muitos outros na América, de setecentos ministros na Inglaterra, de Bengel e outros na Alemanha, de Gaussen e seus seguidores na França e na Suíça, de muitos ministros na Escandinávia, de um jesuíta converso na América do Sul e do Dr. Joseph Wolff em muitos países orientais e da África, a mensagem do advento foi levada a vastas regiões do globo habitável”. Southern Watchman (24 de Janeiro, 1905).
Mas de volta a Bocara, Wolff, regozijamo-nos em saber, não foi assassinado depois de deixar a cidade. Dois anos antes, ele tinha partido da Inglaterra com o propósito de verificar a sorte de dois oficiais do exército britânico que se dizia terem sido mortos. Afinal ele chegou a Bocara e foi informado de que não apenas tinham sido assassinados mas também quem tinha sido o assassino — um dos líderes da cidade. Embora fizesse muitos amigos entre os chefões da cidade, escapou por pouco de ser executado por ordem do mesmo chefão. Uma carta do xá da Pérsia chegou justamente em tempo para salvar sua vida. Mesmo assim, ao deixar a cidade, foi informado de que ainda não estava seguro. Depois de um dia de viagem, ele devia ser assassinado quando se hospedasse para a noite.
Mas ele não foi morto naquela noite. No final de um dia de viagem, Wolff convocou uma reunião pública. Depois de o povo reunir-se, anunciou publicamente os detalhes da trama contra ele. O fato de ele poder falar a língua local foi-lhe vantajoso. O povo da área cerrou fileiras para proteger esse líder religioso do Oeste, este “dervixe da Inglaterra e da América”. Os eventuais assassinos foram presos e punidos apropriadamente.
Durante sua gloriosa carreira, Wolff enfrentou inúmeros perigos. Sofreu fome, foi assediado por ladrões, e três vezes condenado à morte. Foi amarrado à cauda de um asno e oferecido à venda como escravo por “duas libras e dez shillings”. Um ladrão nadou até o barco no qual viajava e agarrou seu paletó que estava dobrado atrás dele. Amigos o ajudaram a fugir de uma cidade 30 minutos antes que uma turba chegasse, a qual queria despedaçá-lo. Recebeu duzentas pancadas em seus pés nus e depois, antes que seus pés sarassem, foi obrigado a andar 15 horas sem água, num dia de muito calor. Em troca de sua vida, exigiram que entregasse a bandidos tudo que tinha consigo: dinheiro, Bíblias, folhetos, alimento e mesmo sua roupa, obrigando-o a andar centenas de quilômetros através de montanhas frígidas sem quase nenhuma roupa.
Wolff sobreviveu em parte porque possuía uma simpatia natural e em parte porque podia falar várias línguas — mais ou menos 14 — dos diferentes povos entre os quais viajava. Era prudente em levar documentos oficiais, e às vezes funcionários de governos amigos chegavam no momento crítico. Sem dúvida, como um missionário muito dedicado, ele devia sua sobrevivência à intervenção divina. Certa vez amigos de bordo impediram que entrasse no porto, no barco a remo, do navio. Ao voltar o barco mais tarde ao navio, tiros foram disparados, e uma bala foi ouvida zumbir bem sobre o lugar que Wolff teria ocupado. Wolff cria que Deus o protegera.
Um senso de humor também o ajudou em certas ocasiões. Um desordeiro com ficha na polícia tentou certa vez perturbar uma reunião, exigindo prova “matemática” do cristianismo. O homem orgulhava-se de ser matemático. Wolff perguntou ao desordeiro matemático se ele jamais havia se alimentado. Quando o homem admitiu que sim, Wolff perguntou-lhe por que o fizera. O homem, sem dúvida perplexo, respondeu que ele comera porque tinha fome, ao que Wolff respondeu: “Pode você dar uma prova matemática da fome?”

Missionário aos judeus
Wolff nasceu na Alemanha em 1795 e morreu na Inglaterra, em 1862, como ministro da Igreja Anglicana. Em criança era conhecido simplesmente como “Wolff”, não assumindo o nome de Joseph até tornar-se católico, aos 17 anos. O pai de Wolff, um rabino, estava decidido que seu filho não fosse contaminado pela sociedade predominantemente cristã. Para certificar-se de que nada que não fosse alimento kosher, caísse na provisão de leite da família, o pai encarregou o menino de sete anos para vigiar de perto quando o vizinho ordenhava a vaca. O vizinho, que era luterano, entabolou conversa com Wolff sobre o Messias, chamando sua atenção para Isaías 53. Wolff jamais se esqueceu do que aprendera com o vizinho, mas logo aprendeu a nada dizer ao pai a respeito.
Como adolescente, estudou em muitos lugares, inclusive nas melhores escolas da Europa. Algumas eram liberais, outras conservadoras; algumas eram católicas, outras protestantes. Muitas vezes ele melhorava suas finanças ensinando hebraico. Outras vezes garantia sua subsistência com o apoio de famílias de posse.
Aos 17 anos ele abraçou o catolicismo romano. Assumiu o nome de “Joseph” como seu nome cristão. Pouco depois, embarcou para Roma. Nascido judeu, tinha descoberto enorme alegria encontrando o Messias e almejava partilhar sua alegria com judeus em toda parte. Em Roma, esperava ser preparado como missionário no Colégio da Propaganda.
Mas sua experiência em Roma não foi animadora. Ficou perplexo com a ênfase sobre a infalibilidade papal, e começou a argumentar abertamente, e “nem sempre cortesmente”, em classe. Seus mestres, aborrecidos, finalmente obtiveram uma ordem para que ele saísse da cidade. No entanto, não foi obrigado a partir até que pela providência divina um banqueiro inglês, Henry Drummond, que aparentemente estava em Roma a negócio, ouviu falar sobre esse estudante corajoso, e entrou em contato com ele. Convidou Joseph a ir à Inglaterra, onde amigos cristãos patrocinariam seus estudos. Um ano mais tarde, Joseph embarcou para a Inglaterra.
Na Inglaterra, Drummond deu-lhe cordiais boas-vindas, e o ajudou a continuar seus estudos, agora sob a direção de professores protestantes. Como parte de sua educação protestante, recebeu instrução específica sobre como ganhar judeus para Cristo.
Joseph Wolff fez três grandes viagens missionárias, 1821-1826, 1828-1834 e 1836-1838, além de sua viagem a Bocara (1843-1845), à procura de dois militares britânicos. Entrementes, visitou a Grécia, Malta, Criméia, Palestina, Turquia, Egito, Ásia Central, Abissínia, Iêmem, Índia e outros países, incluindo mesmo os Estados Unidos.
Ele foi à América por recomendação de médicos de Bombaim. Seu plano era pregar a respeito de Cristo na Índia, mas sua saúde na época era tão precária que os médicos disseram que ele morreria se tentasse fazê-lo. Recomendaram que, em vez disso, viajasse para a América. Ele o fez e foi recebido como um herói. Por proposta do presidente John Quincy Adams, foi convidado a pregar numa reunião de ambas as casas do Congresso. Foi também convidado a falar aos legisladores dos Estados de Nova Jersey e Pensilvânia. Ele diz que discursou sobre suas pesquisas na Ásia e também sobre o reino pessoal de Jesus Cristo. Durante sua estada na América, foi ordenado diácono da Igreja Anglicana e serviu por um mês como pastor antes de voltar à Inglaterra.

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