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domingo, 22 de abril de 2018
Pecado, Salvação e Batismo (Apresentação em PREZI)
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domingo, 26 de agosto de 2012
Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte IX)
Para o internauta ver a parte VIII, clicar aqui, a parte VII clique aqui, parte VI clique aqui, para a parte V, clicar aqui.
Wesley
disse que esta doutrina [da perfeição cristã] “era o grande depósito que Deus
havia armazenado no povo chamado metodista”. Pág. 116.
Contudo
outro autor metodista, John L. Peters, reconhece o seguinte: “Todavia, se
queremos ser cândidos, dificilmente podemos sustentar que no ensinamento e na
pregação da Igreja (metodista) esta doutrina não tem hoje um lugar sequer
parecido com o lugar tão significativo que Wesley lhe deu” [Christian Perfection and American Methodism,
pág. 196]. Pág. 117.
Se
a teologia wesleyana há de ser bíblica, deve repudiar a interpretação
agostiniana do pecado inato, como uma concupiscência que permanece. A
depravação moral pode somente entender-se como uma consequência do pecado mais
básico e prévio, do orgulho (vide Rm 1:18-25). O orgulho guia o homem a buscar
satisfação na criatura em vez de buscá-la no Criador glorioso.
Aqui
Wesley protege sua posição contra a acusação que alguns têm feito de que ele
tende a falar do pecado como se fora algo, uma quantidade, um objeto ou coisa,
como um dente cariado que é necessário ser retirado. O pecado não é uma
quantidade; é uma qualidade. Não é uma substância; é uma condição. O pecado é
como a obscuridade; somente pode ser expulsa pela luz. Pág. 118.
Wesley
também falou do pecado em termos de enfermidade e de Cristo como o Médico
divino. Desse modo a santidade é a saúde espiritual restaurada, mas se
desejamos permanecer sãos, devemos então obedecer às leis de Deus, que regem o
bem-estar moral e espiritual. Pág. 119.
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Wesley
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte VIII)
Para ler a parte VII clique aqui, parte VI clique aqui, para a parte V, clicar aqui.
De acordo com Wesley, o significado da carne em Romanos 7 é “o homem todo tal como ele é por natureza”, (ou seja, à parte de Cristo), e incluindo ambas as coisas: “um poder motivador de inclinações más e apetites do corpo”. Pág. 114-115.
A
essência do pecado original não é a luxúria mas “o orgulho, pelo qual roubamos
a Deus seu direito inalienável à glória, a qual usurpamos idolatradamente”. “Os
pecados da carne são os filhos, não os pais do orgulho; e o amor a si mesmo é a
raiz, não o ramo, de todo o mal”. Pág.
115.
“Temos
esta graça não somente de Cristo mas nEle, pois nossa perfeição não é como a de
um arbusto, que floresce pela seiva que deriva de sua própria raiz, mas... como
a de um ramo assim, ao manter-se unido à videira, produz fruto; mas se é
separado dela, seca e murcha” [John Wesley, Works, pág. 395].
Pág. 115.
“O
mais santo dos homens ainda precisa de Cristo como seu Profeta, “a luz do
mundo.” Porque Ele não lhe dá luz senão de momento a momento; no instante em
que Ele se retire, tudo se torna trevas. Eles necessitam ainda de Cristo como
seu Rei, pois Deus lhes dá reservas de santidade. Mas, se não recebem uma
provisão de santidade em cada instante ficará apenas impureza. Mais ainda,
necessitam de Cristo como Sacerdote para fazer expiação pelas suas coisas.
Mesmo a santidade perfeita só é aceitável a Deus por intermédio de Jesus Cristo”
[Works, pág. 417; Explicação
Clara da Perfeição Cristã, pág. 46]. Pág.
115.
O
cristão perfeito é santo, não porque tem cumprido certa norma moral requerida,
mas porque vive neste estado de companheirismo com Cristo. Pág. 116.
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terça-feira, 29 de maio de 2012
Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte VII)
Portanto da perspectiva da cristandade histórica, a doutrina wesleyana da perfeição cristã não é um provincianismo teológico. Ao fundir a justificação e a santificação, o pecado original e perfeição cristã, restaurou a mensagem do Novo Testamento à sua plenitude original. Pág.110.
[Wesley em
um sermão com o título A Videira de Deus,
disse:] “Frequentemente tem-se feita a observação de que poucos tem
desenvolvido uma idéia clara quanto a justificação e à santificação. Quem escreveu
mais habilmente sobre a justificação pela fé, que Martinho Lutero? E quem era
mais ignorante da doutrina da santificação, ou mais confundido em seus
conceitos sobre ela? ... Por outro lado, quantos escritores católicos
(Francisco Sales e Juan Castiniza, em particular) tem escrito categoricamente e
com fundamento bíblico sobre justificação e todavia desconheciam completamente
a natureza da justificação! Tanto assim que todo o corpo de teólogos no
Concílio de Trento... confundiu completamente a santificação e a justificação.
Mas atribuo a Deus o dar aos metodistas um conhecimento pleno e claro de ambos
e a ampla diferença entre as duas. pág.
111.
A doutrina
completamente desenvolvida por Wesley é postulada em seu livro Uma clara explicação da perfeição, que
foi publicada em 1766. Sua quarta edição, publicada em 1777, representa a
declaração definitiva de sua posição. Pág.
111.
Ao ler A Perfeição Cristã deve-se recordar que
aqui Wesley está delineando o progresso de
seu próprio pensamento e que as declarações das primeiras seções nem sempre
representam sua posição final. É na parte final do livro onde descobrimos a
compreensão madura de Wesley quanto à perfeição cristã.
O resumo de
onze pontos que Wesley oferece registrado, quase no final do livro, é uma
apresentação condensada da doutrina. Pág.
112.
Para Wesley,
o centro real da perfeição é o ágape –
o amor de Deus para o homem. Seu “foco ardente” é a expiação. “amor perdoador
está na raiz de toda ela”. Um dos versículos que Wesley cita com mais frequência
é essa frase de I João: “Nós O amamos, porque ele nos amou primeiro”. O amor de
Deus não é o amor prévio de Deus. Para Wesley – a santificação como a
justificação – é, do princípio ao fim, obra de Deus. A justificação é o que
Deus faz por nós, mediante o Cristo;
a santificação é o que Deus faz em nós,
mediante o Espírito Santo. “Tudo provém de Deus, que nos
reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” (2Co 5:18). Esse teocentrismo
definitivo e saturador livra sua doutrina da perfeição, de todas as tendências
místicas e humanísticas que se encontram na maioria dos enunciados católicos
dela.
Além do mais, Wesley venceu os
aspectos objetáveis da doutrina agostiniana do pecado original. Em sua obra Perfeição Cristã, Wesley afirma: “Adão
caiu e seu corpo incorruptível se tornou corruptível; e desde então é um peso
para a alma, estorvando suas operações”. Mas neste frase está inteiramente
ausente a idéia platônica de um corpo mau,
assim como a ênfase agostiniana na concupiscência, com sua identificação
concomitante da natureza humana e da natureza pecaminosa. Pág. 114.
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sábado, 28 de janeiro de 2012
Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte IV)
Para ler a Terceira parte, clicar aqui, Parte II clique aqui, para a 1ª. parte clique aqui.
A debilidade fatal no ensinamento agostiniano da perfeição é sua tendência em identificar o pecado original com a luxúria sexual. Ele disse: “Há várias e diversas classes de luxúria: algumas têm seu próprio nome, outras, não... Todavia quando não se especifica um objeto, a palavra geralmente sugere à mente a excitação luxuriosa dos órgãos sexuais” [De civ. Dei(A Cidade de Deus), XIV:15, 16].
Segunda a teoria agostiniana, Adão e Eva receberam o mandato divino de povoar a terra e em seu estado original; antes da queda, não conheciam a excitação do desejo sexual. Se houvessem mantido este estado de inocência, “o homem haveria depositado a semente, a mulher recebido, tal como necessário. Neste caso, os órgãos sexuais seriam ativados pela vontade e não excitados pela luxúria” [De civ. Dei(A Cidade de Deus), XIV:24]. Pág. 66.
Porém o orgulho (“o apetite de uma exaltação exagerada”) foi “o princípio do pecado” e a luxúria foi uma consequência penal. [...] Agostinho interpreta a guerra entre os membros, tão vividamente descrita em Romanos 7, como “a luta entre a vontade e a luxúria” [De civ. Dei(A Cidade de Deus), XIV:23]. Pág. 66-67.
Esta tendência de definir o pecado original como luxúria sexual emana do conceito pagão que a criação material é má, per se. Reflete a filosofia dualista que fez parte dos antecedentes pré-cristãos de Agostinho. O conceito de que o mundo material é essencialmente mau prevalecia na antiguidade e a identificação do pecado como sexo era parte desta maneira de pensar. Esta idéia contribuiu para o ideal da virgindade e do celibato bem como para as verdadeiras expressões da santidade. Entretanto também obscureceu desnecessariamente a doutrina do pecado original. Tem sido quase impossível à Igreja desfazer-se da idéia de que a carnalidade e a luxúria sexual são praticamente sinônimas.
Tal identificação do corpo humano com a natureza pecaminosa não se encontra em parte alguma do Novo Testamento. Sem dúvida que nosso corpo não redimido é escravo e ferramenta do pecado. Mas precisamente, o propósito da morte de Cristo na cruz foi livrar nossos corpos do domínio do pecado (Rm 6:6), a fim de que nos consagremos a Deus e “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Romanos 6:12-13). Posto que somos os que temos saboreado as misericórdias de Deus, agora apresentamos nossos “corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12:1). Em outro lugar Paulo escreve: “Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo” (I Co 6:18). Na continuação o apóstolo recorda os coríntios: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Co 6:19-20). Inteiramente santificados, “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo”. (I Ts 5:23). Pág. 67.
Desde que o corpo, com seus apetites e impulsos, é uma fonte de tentação Paulo escreve: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (I Co 9:27). O natural deve ser sacrificado ao espiritual, se é que haveremos de ganhar a coroa da vida. Por essa razão escreve aos romanos: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8:13).
Portanto, a conclusão a que chegamos é que os desejos do corpo, incluindo o impulso sexual, não são pecaminosos em si mesmos. O desejo é a essência da tentação, mas tentação não é pecado (Tg 1:15-16). Pág. 68.
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Dos Apóstolos a Wesley - Porções Seletas (Parte III)
Para ler a Parte II clique aqui, para a 1ª. parte clique aqui.
Clemente de Alexandria e Orígenes, seu sucessor, discernimos um tom e uma ênfase inteiramente diferentes. Em ambos, e especialmente em Orígenes, ouvimos a voz de Platão mais que a de Paulo. Se bem que estes dois teólogos estivessem saturados do conhecimento das Escrituras, criam em Cristo e o amavam supremamente. Apesar de tal fato, seus escritos exalam o espírito da filosofia grega. A perfeição que eles ensinam, não obstante impregnada da mente de Jesus e Paulo, é uma transformação cristã do ideal da virtude e da bondade perfeita que encontramos nos diálogos de Platão. Pág. 37.
Algumas pessoas têm colocado em dúvida a inclusão de Agostinho entre os campeões da perfeição cristã. O certo é que seu nome aparece entre amigos e inimigos desta verdade.
H. Orton Wiley inclui Agostinho entre as testemunhas da doutrina. Como evidência, ele cita a declaração de Agostinho que “ninguém deve atrever-se a dizer que Deus não pode destruir o pecado original nos membros, e estar Ele mesmo presente na alma, de maneira que, estando a velha natureza abolida inteiramente, a vida possa ser vivida aqui em baixo como uma contemplação eterna de Quem está em cima” [H. Orton Wiley, Cristian Theology, II, págs. 449-450]. Pág. 60.
Por outro lado, Agostinho também escreve o seguinte, em sua obra intitulada Retratações: “Ninguém, nesta vida, deve ser tão privilegiado... que não venha a existir em seus membros uma lei que luta contra a lei de sua mente” [1:19]. Ele inclui até os Apóstolos neste juízo. Somente Jesus e sua mãe (sic), afirma Agostinho, eram sem pecado [De natura et gratia, págs. 41-42]. Pág. 60.
A que se deve esta ambivalência? Em primeiro lugar, a tensão do conflito de Agostinho com Pelágio, que rejeitava a idéia do pecado original, levou o primeiro a negar a possibilidade de se viver sem pecado, nesta vida. Sob a pressão deste debate Agostinho uma posição extrema, que contradizia seus postulados declarados no restante de sua obra. Pág. 61-61.
Todavia há uma razão mais profunda desta confusão. A doutrina cabalmente desenvolvida sobre o pecado original, de Agostinho, embora tivesse obviamente suas raízes nas Escrituras, também exibia evidência inequívoca da influência grega, que falsearam o ensinamento bíblico. O resultado é uma doutrina na qual duas idéias inteiramente diferentes de pecado se mesclam e se confundem.
Agostinho pensava que a queda introduzira a luxúria ou concupiscência, que ele descreveu mais vividamente como o desejo sexual. Se o que Tiago chama “concupiscência” (Tg 1:14-15) é o pecado original, ou a depravação, então, obviamente, a inteira santificação é uma ilusão.
Mas o que nós declaramos é que tal compreensão de pecado original traz à tona uma tendência helenista de pensar no corpo físico como algo pecaminoso por si – o que é uma idéia que as Escrituras desconhecem. Destas premissas deve-se aceitar que tentação implica pecado. Qualquer doutrina da salvação que ligue o pecado tão intimamente aos desejos do corpo, terá que dar a mão a Agostinho e duvidar da possibilidade de alcançar a santidade antes da morte.
A doutrina agostiniana do pecado original deixou como herança à Igreja a chamada “teoria das duas naturezas”. Este é o ensinamento de que, pela graça, recebemos uma nova natureza, santa e justa, e que é uma adição à velha natureza – que permanece. Portanto o crente que nasceu de novo tem duas naturezas: uma, nova e livre do pecado; e outra velha e corrupta. Estas duas naturezas existem lado a lado, até a morte do crente. Desse modo, a santificação é somente um processo gradual, que espera a morte para dar-se por terminado ou completo. Pág. 61.
Até que este problema seja resolvido, é impossível ter-se uma doutrina bíblica da perfeição. Ninguém que pense seriamente sobre o tema pode fazer, por um lado, as perguntas que Agostinho faz mediante seu conceito de pecado original. Pág. 61-62.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Pensamentos de Pascal N°. III
Para o internauta ver a Ed. N°II clicar aqui, para a Ed. N°. I, clique aqui.
Vejo várias religiões contrárias, mas todas falsas, exceto uma. Cada qual quer ser acreditada por sua própria autoridade e ameaça os incrédulos. Não creio nelas; todos podem dizer isso, todos podem dizer-se profetas. Vejo, porém, a religião cristã, na qual encontro profecias; e é o que nem todos podem fazer.
___
Importa, igualmente, que os homens conheçam esses dois pontos; e é igualmente perigoso que o homem conheça Deus sem conhecer sua miséria, e conheça sua miséria sem conhecer o Redentor que pode curá-lo dela. Um só desses conhecimentos faz ou o orgulho dos filósofos que conheceram Deus, e não sua miséria, ou o desespero dos ateus, que conhecem sua miséria sem Redentor. Pág. 7.
___
Coisa assombrosa, no entanto, que o mistério mais distanciado do nosso conhecimento, que é o da transmissão do pecado original, seja uma coisa sem a qual não podemos ter nenhum conhecimento de nós mesmos! Sem dúvida, não há nada que choque mais a nossa razão do que dizer que o pecado do primeiro homem tornou culpáveis os que, estando tão afastados dessa fonte, parecem incapazes de participar dele. Essa emanação não nos parece somente impossível, mas nos parece até mais que injusta: com efeito, que há de mais contrário às regras da nossa miserável justiça do que danar eternamente uma criança incapaz de vontade por um pecado em que parece ter tido tão pouca parte, que cometeu seis mil anos antes de sua existência? Certamente, nada nos choca mais rudemente do que essa doutrina; no entanto, sem esse mistério, que é o mais incompreensível de todos, somos incompreensíveis a nós mesmos. O nó da nossa condição toma suas voltas e pregas nesse abismo. De sorte que o homem é mais inconcebível sem esse mistério do que esse mistério inconcebível ao homem. Pág. 8-9.
O pecado original é uma loucura diante dos homens; mas, é dado como tal. Não deveis,pois, censurar de falta de razão essa doutrina, uma vez que a dou como não tendo razão. Mas, essa loucura é mais sábia do que toda a sabedoria dos homens: Quod stultum est Dei, sapientius est hominibus ["Porque o louco é de Deus, o sábio é dos homens"] (I Coríntios, 1, 25). Com efeito, sem isso, que se dirá que é o homem? Todo o seu estado depende desse ponto imperceptível. E como se apercebeu disso, de vez que é uma coisa acima de sua razão, e que sua razão, bem longe de inventar por suas vias, afasta-se quando ela se lhe apresenta? Pág. 9.
Não concebemos nem o estado glorioso de Adão, nem a natureza do seu pecado, nem a transmissão que dele se fez em nós. São coisas passadas no estado de uma natureza toda diferente da nossa e que vão além da nossa capacidade presente. Tudo isso nos é inútil saber para sair dele; e tudo o que nos importa conhecer é que somos miseráveis, corruptos, separados de Deus, mas religados por Jesus Cristo; e é disso que temos provas admiráveis sobre a terra. Págs. 9-10.
___
O cristianismo é estranho: ordena ao homem que reconheça que é vil e até abominável; e ordena-lhe que queira ser semelhante a Deus. Sem esse contrapeso, essa elevação o tornaria horrivelmente vão, ou esse abaixamento o tornaria horrivelmente abjeto [desprezível].
A miséria persuade o desespero; o orgulho inspira a presunção. A encarnação mostra ao homem a grandeza de sua miséria pela grandeza do remédio de que ele necessita.
Não se acha, na religião cristã, um abaixamento que nos torne incapazes do bem, nem uma sanidade isenta do mal. Não há doutrina mais própria ao homem do que essa, que o instrui de sua dupla capacidade de receber e perder a graça, por causa do duplo perigo a que sempre está exposto, de desespero ou de orgulho.
Os filósofos não prescreviam sentimentos proporcionais aos dois estados. Inspiravam movimentos de grandeza pura, e não é esse o estado do homem. Inspiravam movimentos de baixeza pura, e não é esse o estado do homem. São necessários movimentos de baixeza, não por natureza, mas por penitência; não para ficar neles, mas para chegar à grandeza.
São necessários movimentos de grandeza, não por merecimento, mas por graça, e depois de se ter passado pela baixeza.
___
A última tentativa da razão é reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam. Revelar-se-á fraca se não chegar a conhecer isso. É preciso saber duvidar onde é preciso, afirmar onde é preciso, e submeter-se onde é preciso. Quem não faz assim não entende a força da razão. Há os que pecam contra esses três princípios, ou afirmando tudo como demonstrativo, não precisando ser conhecido por demonstrações; ou duvidando de tudo, não precisando saber onde é necessário, submeter-se; ou submetendo-se a tudo, não precisando saber onde é necessário julgar.
Dois excessos: excluir a razão, só admitir a razão.
Diz bem a fé o que não dizem os sentidos, mas não o contrário do que vêem estes. Ela está acima e não em oposição. Pág. 10.
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